Durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (21), em Manaus (AM), o arcebispo Dom Leonardo Steiner exaltou a atuação de Papa Francisco em prol da Amazônia e dos povos originários. Primeiro cardeal da região, Steiner afirmou que nenhum outro pontífice demonstrou tamanha preocupação com os desafios ambientais e sociais da floresta quanto Francisco. “O Papa Francisco tinha um carinho tão grande pela Amazônia, pelo pulmão da terra e principalmente pelos povos originários. Cada vez que eu encontrava com ele, ele sempre perguntava: ‘E a nossa Amazônia, como vai?’”, relatou o cardeal, emocionado. Segundo ele, o Papa sempre reforçava que a Igreja deveria ser agente de transformação social. A fala foi feita horas após a confirmação da morte do líder da Igreja Católica, ocorrida em Roma. Francisco faleceu após entrar em coma, com quadro de saúde agravado por pneumonia, hipertensão e diabetes tipo 2. Ele havia recebido alta no fim de março, após 37 dias de internação, com recomendação médica para dois meses de repouso. Questionado sobre a possibilidade de disputar o Conclave, Steiner explicou que participará da escolha do novo Papa, por ser cardeal com menos de 80 anos — mas descartou qualquer chance de assumir o cargo. “A Igreja vai avançar, não retroceder”, disse.
Cardeal da Amazônia é cotado para ser o próximo Papa: saiba quem é Dom Leonardo Steiner
Com a morte do Papa Francisco nesta segunda-feira, 21, aos 87 anos, nomes do alto clero católico ao redor do mundo voltaram a ganhar os holofotes. Um deles vem diretamente da região Norte do Brasil: Dom Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus (AM), e primeiro cardeal da história da Igreja Católica na Amazônia, figura entre os mais cotados para suceder o pontífice argentino. Steiner integra uma lista de 14 cardeais que serão avaliados durante o Conclave — o ritual secreto realizado no Vaticano para a escolha do novo Papa. Nomeado cardeal em agosto de 2022, Steiner viu sua missão pastoral na Amazônia ganhar projeção global com o aval direto de Francisco. Ao ser nomeado, o arcebispo destacou a importância de se olhar para a floresta e para os povos da região: “É uma alegria ter um cardeal na Amazônia, que não ficou esquecida pelo Papa”, declarou à imprensa na época. “O Papa está olhando para as periferias, para onde a igreja pode ser muito viva”, completou. Natural de Forquilhinha (SC), Dom Leonardo foi nomeado bispo em 2005 por João Paulo II e já ocupou cargos estratégicos na Igreja brasileira. Foi secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por dois mandatos e atuou como bispo auxiliar de Brasília, a convite do então Papa Bento XVI. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a missão franciscana — ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1976 — e por uma sólida formação acadêmica: é doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Antonianum, em Roma. Outro brasileiro na disputa Além de Steiner, outro brasileiro também é cotado para a sucessão papal: o cardeal Sérgio da Rocha, atual arcebispo de Salvador (BA). Natural do interior de São Paulo, ele foi nomeado para o cargo em 2020 e tem forte atuação na estrutura organizacional da Igreja. Mestre em Teologia Moral, Sérgio da Rocha integra a Congregação para os Bispos desde 2021 e passou a fazer parte do Conselho dos Cardeais em 2023 — grupo responsável por assessorar o Papa na reforma da Cúria Romana. Favoritos internacionais A lista dos principais nomes também inclui líderes religiosos de diferentes partes do mundo, com destaque para três italianos: Pietro Parolin (secretário de Estado do Vaticano), Matteo Maria Zuppi (arcebispo de Bolonha) e Pierbattista Pizzaballa (patriarca latino de Jerusalém). Outros cardeais influentes cotados são: Jean-Marc Aveline, de Marselha (França); Peter Erdo, da Hungria; José Tolentino de Mendonça (Portugal), atual prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos; Luis Antonio Tagle, das Filipinas; Robert Francis Prevost (EUA/Peru); Wilton Gregory, arcebispo de Washington D.C.; e Blase Cupich, de Chicago. A escolha do novo Papa deve acontecer nos próximos dias e marcará um novo capítulo na história da Igreja Católica — possivelmente com um olhar mais atento à floresta e aos povos da Amazônia.
Missa de Páscoa, passeio de papamóvel, encontro com vice dos EUA: como foi último dia do papa
Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, morreu aos 88 anos às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local, desta segunda-feira (21), informou o Vaticano. O pontífice, que ocupou o cargo máximo da Igreja Católica por 12 anos, se recuperava de uma pneumonia nos dois pulmões após ter ficado 38 dias internado. No Domingo de Páscoa (20), Francisco recebeu, pouco antes das celebrações, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Além disso, o papa também fez uma breve aparição para a bênção Urbis et Orbi na Praça de São Pedro, arrancando aplausos e vivas da multidão. O papa acenou para os fiéis e fez um pronunciamento breve, com a voz fraca: “Irmãos e irmãs, Feliz Páscoa!”. Milhares de pessoas presentes explodiram em aplausos quando uma banda militar deu início a uma série de hinos da Santa Sé e da Itália. Francisco acenou da varanda e pediu a um assessor que lesse a benção (veja texto completo). Após aparecer na varanda, Francisco andou no papamóvel pela multidão na praça de São Pedro. Ele não celebrou a Missa de Páscoa na praça, delegando-a ao Cardeal Angelo Comastri, arcipreste aposentado da Basílica de São Pedro, que leu seu discurso. Encontro com o vice-presidente dos EUA A caminho da basílica, Francisco encontrou-se brevemente com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, que estava passando a Páscoa em Roma com sua família. O encontro ocorreu na Casa Santa Marta, residência oficial do pontífice no Vaticano, por volta das 11h30 no horário local (6h30 de Brasília). A visita aconteceu dois meses após o líder da Igreja Católica criticar duramente a política migratória do governo de Donald Trump. Em fevereiro, o papa classificou as expulsões em massa de migrantes como uma “grande crise” e alertou, em carta enviada aos bispos americanos: “O que se constrói à base de força, e não a partir da verdade sobre a igual dignidade de todo ser humano, mal começa e mal terminará” Um vídeo divulgado pela rede de notícias católica norte-americana EWTN mostrou Vance conversando com o papa, que estava sentado em uma cadeira de rodas. Papa Francisco recebe vice-presidente dos EUA, JD Vance, no Vaticano Francisco presenteou o vice-presidente americano com uma gravata com o brasão do Vaticano, um terço e ovos de Páscoa para cada um dos filhos de Vance. “É um prazer vê-lo em melhor estado de saúde”, disse JD Vance ao papa argentino, em vídeo divulgado pelo Vaticano. “Obrigado por me receber. Rezo pelo senhor todos os dias. Que Deus o abençoe”. No sábado (19), Vance também foi recebido no Vaticano pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, acompanhado por dom Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais. Durante o encontro com o cardeal, foram trocadas felicitações de Páscoa. Segundo nota oficial, a reunião foi “cordial” e reafirmou a boa relação bilateral entre a Santa Sé e os Estados Unidos. Aparição breve na Páscoa Debilitado por conta da recuperação de uma pneumonia bilateral, Francisco não celebrou a missa, mas compareceu na sacada da basílica para a bênção Urbis et Orbi. A bênção foi lida por um cardeal. A Basílica de São Pedro estava repleta de narcisos, tulipas e outras flores doadas pela Holanda em uma manhã fria, porém ensolarada, de primavera. Francisco apareceu em público apenas algumas vezes desde que retornou ao Vaticano em 23 de março, após uma internação de 38 dias. Ele não foi aos serviços solenes da Sexta-feira Santa e do Sábado Santo, que antecederam a Páscoa, mas era esperado que comparecesse no domingo, de acordo com o livreto da missa e os planos litúrgicos divulgados pelo Vaticano. A Páscoa é o momento mais alegre do calendário litúrgico cristão, quando os fiéis celebram a ressurreição de Cristo após sua crucificação. Este ano, a Páscoa está sendo celebrada no mesmo dia por católicos e ortodoxos, e foi marcada pelo anúncio de uma trégua pascal temporária pela Rússia em guerra com a Ucrânia. A Páscoa no Vaticano tradicionalmente envolve uma missa e a bênção Urbi et Orbi (em latim, “à cidade e ao mundo”) do papa, um discurso proferido na galeria sobre a entrada da basílica, que geralmente é um resumo dos pontos críticos globais e do sofrimento humano. Francisco reduziu drasticamente sua carga de trabalho, seguindo as ordens médicas de dois meses de convalescença e fisioterapia respiratória para melhorar sua função pulmonar. Na última aparição, ele ainda precisou de grande esforço para projetar sua voz, e sua respiração continuou difícil. Antes de domingo, sua maior saída havia sido uma visita à prisão no centro de Roma para passar a Quinta-feira Santa com os detentos. A visita deixou claras suas prioridades enquanto se recupera lentamente: passar tempo com as pessoas mais marginalizadas. A última mensagem de Francisco para o mundo – Homília de Páscoa Maria Madalena, ao ver que a pedra do sepulcro tinha sido removida, começou a correr para ir avisar Pedro e João. Também os dois discípulos, tendo recebido aquela surpreendente notícia, saíram e – diz o Evangelho – «corriam os dois juntos» (Jo 20, 4). Os protagonistas dos relatos pascais correm todos! E este “correr” exprime, por um lado, a preocupação de que tivessem levado o corpo do Senhor; mas, por outro lado, a corrida de Maria Madalena, de Pedro e de João fala do desejo, do impulso do coração, da atitude interior de quem se põe à procura de Jesus. Ele, com efeito, ressuscitou dos mortos e, portanto, já não se encontra no túmulo. É preciso procurá-lo noutro lugar. Este é o anúncio da Páscoa: é preciso procurá-lo noutro lugar. Cristo ressuscitou, está vivo! Não ficou prisioneiro da morte, já não está envolvido pelo sudário e, por isso, não podemos encerrá-lo numa bonita história para contar, não podemos fazer dele um herói do passado ou pensar nele como uma estátua colocada na sala de um museu! Pelo contrário, temos de O procurar, e, por isso, não podemos ficar parados. Temos de nos pôr em movimento, sair para O procurar: procurá-lo na vida, procurá-lo no rosto dos irmãos, procurá-lo no dia a dia, procurá-lo em todo o lado, exceto naquele
Boi Caprichoso emociona a nação azul na festa de lançamento do álbum 2025
Com o curral Zeca Xibelão completamente lotado, o Boi Caprichoso empolgou e emocionou a nação azul no lançamento do álbum “É Tempo de Retomada”. O show azul e branco celebra as melhores toadas do Festival 2025 e presenteia o torcedor com uma pequena mostra do espetáculo que será apresentado no Bumbódromo. Foi um dia de festa, iniciado pela manhã com passagem de som, seguido do hasteamento do pavilhão azul à tarde, e encerrado com o espetáculo, que reuniu um elenco de aproximadamente 700 pessoas entre (CDC, Troup, Raça Azul, Marujada, banda, vaqueirada, etc.), produção, itens e equipes de iluminação, sonorização, logística e apoio. Foram semanas de ensaio, preparação e organização. Um espetáculo que envolveu todos os setores do bumbá. O presidente Rossy Amoedo fez questão de agradecer o empenho e a dedicação de todos ao projeto.“A palavra que tenho para essas pessoas é gratidão. Eles são nosso combustível: a Raça, a Marujada, nossos brincantes, Troup, CDC. É preciso ter um olhar ainda mais humano para essas pessoas que se doam pelo Caprichoso. Só tenho a agradecer por essa dedicação total ao boi”, destacou. O Curral Zeca Xibelão, em Parintins, foi o palco para a festa azulada Sucesso O sucesso da festa começou bem antes do início do show. Os ingressos esgotaram 10 horas antes da apresentação, demonstrando a grandiosidade do evento azul e branco, que foi transmitido ao vivo pelo canal oficial do bumbá no YouTube e também pela TV A Crítica, sendo um dos assuntos mais comentados na internet. O tripa do Boi Caprichoso, Alexandre Azevedo, parabenizou a organização da festa e a grande participação da nação azul e branca.“É um projeto novo e tradicional do boi. Ao mesmo tempo em que nos propomos a retomar as tradições, também analisamos e consideramos todas as questões contemporâneas, todas as realidades atuais em que a Amazônia, e o boi Caprichoso inserido nela, se encontram”, revelou. Apoteótico, o Caprichoso apresentou um show dinâmico, abrilhantado pelas performances empolgantes dos itens individuais feminino e masculino. Uma festa que extrapolou o palco e emocionou o torcedor caprichoso.“Nós preparamos um espetáculo muito lindo para a nossa nação azul e branca, e o Caprichoso sempre entrega tudo. Nosso torcedor nunca espera menos do que o melhor. Fizemos o nosso melhor, uma apresentação digna da nossa galera azul e branca”, contou a cunhã-poranga Marciele Albuquerque. Dia dos Povos Originários O Touro Negro também aproveitou a ocasião para celebrar o Dia dos Povos Indígenas O Caprichoso é um boi de lutas e escolheu fazer a festa no dia 19 de abril, quando se celebra o Dia dos Povos Originários, num ato de reconhecimento e homenagem aos verdadeiros donos desta terra. Durante a programação, vários momentos fizeram alusão à data, como nas apresentações da cunhã-poranga Marciele Albuquerque e do pajé Erick Beltrão.“É uma data importante, e fico feliz em ver o Caprichoso sempre levantando a bandeira dos nossos povos indígenas”, disse Marciele. A luta dos povos ancestrais também é uma luta do Boi Caprichoso. O tema é amplamente discutido em diversas ações do bumbá, bem como na arena do Bumbódromo.“O Caprichoso vem levantando essa bandeira, dando as mãos aos povos originários para mostrar, além de um espetáculo, a luta por meio da arte, das toadas, dos rituais e também através das representatividades que ele carrega e traz para a arena e para Parintins”, ressaltou a indígena Gilvana Borari, membro do Conselho de Arte. Autoridades e Incentivos Autoridades políticas estiveram presentes no evento, como o vice-governador do estado, Tadeu de Souza; a deputada estadual Mayra Dias; o prefeito de Parintins, Mateus Assayag; o ex-prefeito Bi Garcia; o secretário executivo de Cultura do estado, Luiz Carlos Bonates; além de ex-presidentes do bumbá. A festa de lançamento do álbum foi apresentada pelo Ministério da Cultura, Governo do Estado do Amazonas e Boi Caprichoso, com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Coca-Cola Brasil, Mercado Livre, Esportes da Sorte, Brahma, Bradesco, Assaí Atacadista, Eneva, Azul Linhas Aéreas, Natura, Bemol, Gree, VIVO e Samel. Também apoiam o evento a MANÁ Produções, Info Store, Prefeitura Municipal de Parintins, Amazonastur e a emissora oficial do Festival, A Crítica, além da Rádio FM O Dia. O projeto Boi Caprichoso – É Tempo de Retomada conta com fomento da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, do Governo Federal.
Problema antigo e ignorado: biólogo expõe exploração de animais silvestres durante turismo em Manaus
Um vídeo publicado pelo biólogo Vinícius Ferreira, dono do canal “Papo de Biólogo”, tem causado grande repercussão nas redes sociais. Com mais de 200 mil seguidores, Vinícius fez um alerta contundente sobre uma prática comum e silenciosamente aceita por muitos turistas que visitam a região amazônica: a exposição e o uso de animais silvestres para fotos em passeios turísticos, especialmente nos arredores de Manaus. De acordo com o biólogo, muitos desses animais — como jacarés, preguiças, macacos e araras — são capturados diretamente da natureza, mantidos em cativeiro e utilizados como atrativos fotográficos. Ele relata casos de animais dopados, aves com as asas cortadas, e até macacos presos de forma cruel em árvores para que estejam “prontos” para o momento da foto com os visitantes. Vinícius também denuncia que, em muitos casos, as chamadas “comunidades indígenas” apresentadas aos turistas nem sequer são aldeias autênticas. Segundo ele, há agências de turismo que montam estruturas falsas e contratam pessoas — muitas vezes sem qualquer vínculo com povos originários — para se vestirem com trajes típicos e encenarem rituais com o objetivo de atrair turistas. “Esses povos indígenas que oferecem os animais silvestres pra vocês tirarem foto nem são povos indígenas de verdade, não seguem sua tradição, não seguem sua cultura”, afirma o biólogo no vídeo. Ele destaca ainda que seu objetivo não é atacar a causa indígena, mas sim denunciar o uso cruel dos animais e o turismo predatório. “Não estou me metendo em pautas indígenas. A minha questão aqui são os animais e a exploração que eles sofrem nas mãos de pessoas — ribeirinhos ou não — que capturam esses bichos, maltratam e transformam em atrativos turísticos.” Vinícius diz conhecer profundamente a região amazônica e o funcionamento de muitas dessas agências, pois atua na área há mais de dez anos. Ele é criador da Expedição Amazônia, projeto que organiza viagens conscientes para a floresta desde 2017. Segundo ele, o verdadeiro contato com a cultura indígena e com a natureza só é possível por meio de experiências autênticas, como a visita à comunidade dos Tatuyos, no Alto Rio Negro — comunidade da qual ele próprio afirma se sentir parte, após anos de convivência e imersão. Turismo predatório: problema antigo e ignorado Além das denúncias feitas por Vinícius, é importante destacar que essa é uma prática antiga em Manaus e em outras regiões da Amazônia. A atividade é amplamente conhecida — e, de certa forma, tolerada — por agências de turismo, turistas e até por órgãos públicos. Não é raro que o próprio guia informe aos turistas, antes da chegada aos locais, que haverá oportunidade para fotos com animais silvestres — deixando a decisão final a critério de cada um. No entanto, é preciso deixar claro: essa prática é crime ambiental. Ribeirinhos e indígenas envolvidos também têm consciência disso, mas se beneficiam de brechas legais e da falta de fiscalização. Há relatos de prisões, mas os envolvidos são, frequentemente, soltos poucos dias depois. Os animais, por sua vez, são tratados como mercadoria. Sucuris, jacarés, preguiças e outros são retirados da floresta e mantidos em condições precárias: caixas de isopor, papelão, presos em cordas. Ficam sem comida e sem água até estarem fracos o suficiente para não oferecerem risco aos turistas. Por isso, nas fotos, é comum ver os bichos inertes, com aparência debilitada — muitos em estado de quase morte. Após morrerem, são rapidamente substituídos por outros, em um ciclo cruel e aparentemente sem fim. E quem fará algo por esses animais? A denúncia do biólogo reacende uma discussão urgente: até quando essa realidade será ignorada em nome do turismo? Quem está disposto a romper com esse ciclo de sofrimento animal, mesmo que isso signifique repensar o modelo turístico atualmente praticado na Amazônia? A conscientização, como propõe Vinícius, é um primeiro passo. Mas é preciso que autoridades, órgãos ambientais e a própria sociedade civil se mobilizem para proteger o que há de mais valioso na floresta: sua vida.
Pecadores: entenda a história real que influenciou o filme de vampiros e blues
Não seria exagero ao dizer que Ryan Coogler opera um dos grandes musicais dos últimos anos em Pecadores. É impossível assistir à segunda metade do filme e não pensar em Amor, Sublime Amor, por exemplo. Se na história de Maria e Tony, o conflito entre as gangues é pautado pela questão dos imigrantes – e pela gentrificação, na versão de Spielberg -, o filme estrelado por Michael B. Jordan coloca humanos e vampiros em uma luta contra o apagamento histórico nos anos 1930, no Mississipi. Ambos são, com suas particularidades, tragédias em suas temáticas. Assim como fez em todos os seus trabalhos anteriores, Coogler aborda a a história pop com referências e significados que vão além do mainstream. Até hoje impressiona a forma como ele conseguiu atualizar a trama de Rocky com Creed, simplesmente mudando o foco dos bairros da Filadélfia. Pantera Negra é, ainda, um dos grandes sucessos de público e crítica da Marvel – vencedor de quatro Oscars – por injetar discursos sociais tanto no herói quanto no vilão e encher de usar referências culturais distintas ao longo da narrativa. Ambas as produções contam com um fator determinante para isso: a música do compositor sueco Ludwig Göransson. Em Pecadores, essa parceriadá um passo além. História do blues e a magia espiritual Em uma coletiva de imprensa que o Omelete participou em janeiro, o diretor de Pecadores afirmou que o filme é “sobre a música americana mais do que qualquer outra coisa”; e contou que ele e o Göransson fizeram o “Caminho do Blues”, no Mississipi, além de visitar a cidade natal de B.B. King. O início do filme, com cânticos gospel em uma igreja e músicos de rua na cidade onde Stack e Smoke (ambos Michael B. Jordan) retornam para abrir seu juke joint, são a comprovação dessa jornada. Os juke joint eram bares e espaços no limite das cidades, onde as pessoas negras podiam ir se divertir, dançar, apostar e beber clandestinamente durante a Lei Seca, que durou de 1920 até 1933. Eram espaços vistos como locais do pecado e do demônio pela sociedade religiosa cristã do estado, principalmente pelas mulheres que frequentavam as igrejas e viam os maridos indo curtir nesses ambientes. Quem tocava nesses bares? Os artistas de rua. Artistas esses que viajavam pelas cidades e tocavam nas ruas para tentar chamar a atenção dos donos dos juke joints, esperando um convite com mais dinheiro do que os centavos que ganhavam nas calçadas. Delta Slim, o músico de Delroy Lindo no filme é a encarnação dessas pessoas. Charley Patton, “pai” do Delta Blues, um subgênero da região do Mississipi, é visto como herói por Sammy (Miles Canton). Outro elemento que ocupa grande parte da história são os campos de algodão, e é de lá que parte uma “disputa” de onde o blues surgiu. Os religiosos dizem que ele nasceu na igreja, no gospel, mas outros apontam que foi na lavoura que o estilo musical tomou forma com os violões e a gaita. De lá, os artistas partiam para tentar a vida nas cidades, assim como acontece com Sammy. Nesse contexto há também uma das grandes histórias do blues: Robert Johnson, músico que era visto como um guitarrista/violeiro comum, para um ano depois voltar como um dos maiores de todos. A lenda diz que Johnson fez um acordo com o próprio diabo para conseguir todo o seu talento e a partir dali se tornou um dos maiores nomes do blues, mesmo tendo poucas músicas e vivendo apenas alguns anos depois do sucesso. Sammy segue estes mesmos passos. Essa lenda, inclusive, pode ser explicada através do hoodoo, uma tradição espiritual do folclore afro-americano baseada em magia e personificada no filme por Annie (Wunmi Mosaku). No hoodoo existem histórias sobre encruzilhadas, criaturas que oferecem conhecimentos e rituais que dariam mais controle aos agraciados. Em um ambiente como o Mississipi, cheio de violência e onde afro-americanos poderiam ser linchados e mortos a qualquer momento por supremacistas ou apoiadores da Ku-Klux-Klan, o hoodoo era uma e a ideia de poder e conforto para aqueles que o seguiam. Com essa ideia, Coogler criou o momento mais incrível de Pecadores. Quando Sammy se apresenta pela primeira vez no juke dos irmãos Stack e Smoke, a música carrega os presentes em uma viagem que transcende o espaço e o tempo, juntando “passado, presente e futuro” em um só momento. Usando um plano-sequência, Coogler passeia no meio de diversas figuras que comandam aquele transe da música, apresentando um guitarrista no melhor estilo de Prince ou Lenny Kravitz, junto com um DJ, figuras com vestimentas tradicionais de religiões de matizes africanas, tribais, chinesa – acompanhando o casal imigrante do país na história -, funk, soul, hip hop, Go-Go, tudo em um só lugar e em um só momento. Isso, claro, chama a atenção dos vampiros da história. Esse poder de união logo se torna alvo de Remmick (Jack O’Connell) e sua gangue, em uma referência sobre o apagamento histórico da cultura afro-americana. Esquecimento financiado pelo estado e resiliência da arte Essas críticas até hoje se estendem, por exemplo, ao título de “Rei do Rock” para Elvis, sendo que ele seguiu influências da igreja e de outros artistas da comunidade afro-americana do Mississipi e do rock. A história dos EUA mostra que sempre existiu um movimento para esquecer os grandes expoentes da cultura negra no país, liderado por autoridades como o FBI na figura de seu diretor por 38 anos, J. Edgar Hoover. De líderes como Martin Luther King, Malcolm X e Medgar Evers e vozes como Sam Cooke, todos assassinados, até outros artistas que foram “substituídos” por algum outro branco, esse processo foi amplamente financiado por setores do governo, que até hoje são acusados de continuá-lo. Isso nos leva direto ao final do filme. Após a luta contra essas criaturas e uma possível salvação de Sammy pelo pai na igreja, a cena pós-créditos de Pecadores nos coloca 60 anos depois, já na década de 1990, com o músico agora tocando em seu próprio bar de blues, em Chicago. Quem vive Sammy nessa parte da história – e uma das maiores surpresas do filme – é ninguém mais, ninguém menos que Buddy Guy, um dos maiores nomes da história do blues. Assim como Sammy, Robert Johnson e tantos outros, a história deles
Veja os 24 bares participantes do ‘Comida di Buteco de 2025’ em Manaus
Petisco é um dos requisitos avaliados pelos jurados, que também julgam atendimento, higiene e temperatura da bebida. — Foto: Divulgação A edição de 2025 do concurso Comida di Buteco, que teve início no dia 11 de abril, segue até 4 de maio de forma simultânea em todo o Brasil, traz como tema “Paixão Pelo Buteco”. O concurso contará com a participação de butecos de todo o país, sendo 24 estabelecimetnos em Manaus. Veja abaixo a lista dos estabelecimentos participantes. Os requisitos de avaliação são divididos em quatro categorias: petisco, atendimento, higiene e temperatura da bebida. Os campeões de cada um dos doze estados concorrentes, mais o Distrito Federal, se classificam para a etapa nacional. Os locais serão visitados por jurados que avaliarão os mesmos quatro critérios. Após a avaliação, é feito a escolha do melhor buteco do Brasil. Veja os botecos participantes em Manaus:
Como é a vida no ‘Parque das Tribos’, maior conglomerado indígena não aldeado do Brasil
Em meio ao contexto urbano de Manaus, o Parque das Tribos resiste como um símbolo de preservação cultural. Localizada na Zona Oeste, a comunidade reúne cerca de 35 etnias que enfrentam os desafios de manter vivas as tradições indígenas. Mesmo em meio a agitação da cidade, costumes, ritos e idiomas são passados de geração em geração como forma de valorização da própria identidade. Fundado em abril de 2014, o Parque das Tribos começou como uma ocupação organizada por diferentes indígenas, que hoje abriga 5 mil pessoas de 860 famílias, provenientes de diversas etnias da Amazônia e de outros estados do Brasil, como Roraima, Pará e Acre. Um dos líderes do local, o cacique Ismael Munduruku, explicou que a comunidade não foi criada por uma única pessoa, mas sim por várias lideranças, que se mobilizaram para ocupar a área de 37 hectares. “Nós temos outras comunidades indígenas dentro de Manaus, no entorno também, mas nós queríamos uma maior, uma que pudesse realmente se tornar um bairro, se tornar uma referência, onde a gente pudesse construir projetos, constituir família, criar raízes”, enfatizou Ismael Munduruku. A diversidade étnica é uma das principais caracterísitcas do Parque das Tribos. Entre as etnias que vivem na comunidade há os Munduruku, Sateré-Mawé, Tikuna, Tucano, Baniwa, Tarianos, Dessanos, Curripaco, Wanano, Mura, Cambeba e Marubo. Para os moradores, a preservação da cultura é um modo de vida. “Nós praticamos a nossa cultura aqui da mesma foram que fazíamos no interior, de onde viemos”, disse o cacique Ismael Munduruku. Uma das bases dessa preservação é o ensino dos dialetos nativos. Cada povo mantém o idioma dos ancestrais, que são repassados para as novas gerações. Eliza Sateré, também liderança local, explica que esses ensinamentos acontecem no cotidiano familiar. “Quando vamos pedir algo, como comida ou água, falamos na nossa língua. Em público, também usamos o nosso idioma para nos comunicarmos com nossos filhos de uma forma que os outros não saibam”, conta. A culinária tradicional é outro elemento que ajuda na preservação cultural no Parque das Tribos. Pratos típicos, como a quinhapira, apelidada de “comida dos deuses”, são parte essencial das refeições. “Eu gosto de comer quinhapira, que é como se fosse uma caldeirada. O acompanhamento é beiju [tipo de tapioca], que eu faço, e bastante pimenta”, enfatizou Helena do Carmem, da etnia Tariano. Alguns disseram que preferem saborear o prato típico com a crocância da formiga saúva. A coleta dos insetos, conhecidas também como “tanajura”, é uma prática que se intensifica a partir de setembro. Os moradores contaram que vasculham os formigueiros e assim que conseguem capturar o inseto os colocam em garrafas PET. Eles explicam que a formiga é rica em gordura natural e, misturada com farinha, a iguaria já pode ser saboreada. Além da gastronomia, as tradições culturais são expressas em celebrações como a “Dança dos Mascarados” e as festas de santos, que unem a comunidade em momentos de devoção e alegria. “Cada evento que a gente faz dentro da comunidade, a gente procura reunir as lideranças, procura reunir a maior quantidade de ‘parentes’ que moram aqui, porque a cultura é bem diversificada. É uma mais linda que a outra. Então é um aprendendo com o outro e sempre um respeitando a cultura do outro. E essa convivência, essa união com eles nos fortalece cada vez mais”, afirmou Eliza Sateré. A Maloca, construída em meio a comunidade, desempenha um papel central na preservação das tradições e funciona como um coração que pulsa a cultura dos povos nativos. Ismael Munduruku conta que é no espaço que ocorre os principais eventos sociais, políticos e religiosos do Parque das Tribos. Lá, os diferentes povos indígenas, que vivem na comunidade, celebram as datas comemorativas, como o Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o Dia Internacional dos Povos Indígenas, em 9 de agosto. Desafios Apesar da comunidade ter acesso a água encanada e ter um uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para atendimento da população local e bairros adjacentes, o Parque das Tribos ainda enfrenta desafios na infraestutura, como educação, transporte e saneamento. Na educação, Ismael Munduruku destaca a falta de uma escola que oferte o ensino médio. Outro desafio é a oferta escassa de linhas de transporte público que circulem pela região. Ismael diz ainda que toda comunidade deseja oportunidades iguais para seus moradores e sonha com um local que, além de ser um símbolo da cultura indígena, também seja reconhecido como um lugar de conhecimento e desenvolvimento. “Nós não queremos nenhum privilégio, só queremos ser medidos da mesma forma que o restante do nosso país. Queremos ter as mesmas oportunidades e queremos dar às pessoas daqui essa mesma oportunidade”, finalizou.
Putin anuncia cessar-fogo temporário durante a Páscoa com a Ucrânia
O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou um cessar-fogo temporário por ocasião da Páscoa ortodoxa, suspendendo todas as operações militares russas das 18h deste sábado (19/4) até a meia-noite de domingo para segunda-feira (21/4). A decisão, segundo Putin, é motivada por “considerações humanitárias” e inclui a expectativa de que a Ucrânia siga o exemplo. No entanto, ele alertou que as tropas russas permanecerão preparadas para responder a “provocações” ou “ações agressivas” ucranianas. A resposta do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi imediata e contundente. Ele rejeitou a proposta russa, acusando Putin de desrespeitar a Páscoa e a vida humana. “Às 17h15, drones de ataque russos foram detectados em nosso espaço aéreo. ‘Shaheds’ [drones iranianos] em nosso céu – essa é a verdadeira atitude de Putin”, declarou Zelensky, informando que as defesas aéreas ucranianas já estavam em ação. Ele confirmou que as operações militares de Kiev continuarão, especialmente nas regiões de Kursk e Belgorod, onde tropas ucranianas avançam para ampliar zonas de controle. O anúncio de Putin ocorre em meio a intensas pressões internacionais, lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se posiciona como mediador para encerrar a guerra iniciada em 24 de fevereiro de 2022. O conflito, que já matou 12,3 mil civis nos dois países, motivou Trump a propor um cessar-fogo imediato de 30 dias, aceito integralmente pela Ucrânia. A Rússia, por sua vez, concordou parcialmente, comprometendo-se a suspender ataques contra infraestruturas energéticas e no Mar Negro, embora as negociações permaneçam frágeis. Na sexta-feira (11/4), Trump usou sua rede Truth Social para pressionar Putin, afirmando que “milhares morrem por semana em uma guerra terrível e sem sentido”. O líder russo, em conversas com o enviado de Trump, condicionou o cumprimento total do acordo à remoção de sanções ocidentais sobre exportações agrícolas russas, impostas pelos EUA e pela União Europeia. As interpretações sobre o cessar-fogo no Mar Negro geraram atritos imediatos. A Rússia vê a trégua como uma oportunidade para retomar um acordo de 2022, apoiado pela ONU, que lhe garantiria controle parcial sobre o transporte comercial marítimo. Já a Ucrânia rejeita qualquer retorno da marinha russa ao oeste do Mar Negro, essencial para suas exportações. Apenas um dia após o acordo inicial, ambos os lados trocaram acusações: Kiev relatou um ataque russo à cidade portuária de Mykolaiv, enquanto Moscou afirmou ter abatido dois drones ucranianos sobre o Mar Negro.
Impressionante: robôs correm meia maratona na China e assustam população
Se você é fã de Black Mirror, a popular série transmitida pela plataforma de streaming Netflix, provavelmente já está familiarizado com a (assustadora) facilidade com que a tecnologia pode invadir o nosso cotidiano. No entanto, o que aconteceu na meia maratona de Yizhuang, na China, não foi ficção. Pela primeira vez na história, robôs competiram contra humanos na capital chinesa, Pequim. Fabricantes como a DroidVP e a Noetix Robotics aproveitaram a ocasião para mostrar ao mundo o quanto suas máquinas estão evoluídas, em um percurso de 21 quilômetros. O resultado foi, no mínimo, curioso. Alguns desses robôs (usando até tênis de corrida, luvas e faixas de suor) foram acompanhados de perto por treinadores humanos — sendo que alguns precisaram de apoio contínuo durante o trajeto. O Tiangong Ultra, desenvolvido pelo Beijing Innovation Center of Human Robotics, foi o robô mais rápido, completando a prova em duas horas e quarenta minutos. Ainda assim, ficou bem longe do vencedor humano, que cruzou a linha de chegada em uma hora e dois minutos.


