Produção dirigida por Z Leão revisita um século de luta contra a hanseníase no estado
Na noite de terça-feira (7), o Valer Teatro, no Largo de São Sebastião, Centro de Manaus, foi palco do lançamento do documentário “Maria & José – Resgate Histórico da Hanseníase no Amazonas”, uma produção que combina memória, emoção e compromisso social.
Em entrevista exclusiva à Update Manauara, o diretor Z Leão destacou que a obra retrata a história real de dois irmãos, Maria Rodrigues e José Rodrigues, que contraíram a hanseníase (à época chamada de lepra) no rio Juruá e vieram para Manaus, na década de 1950, em busca de tratamento, em um tempo em que não havia medicamentos eficazes nem espaços adequados para acolher os pacientes.

“Essas duas crianças viveram uma fase de sofrimento marcada pelo preconceito e pelo abandono em um momento em que precisavam de atenção e de cuidados médicos”, relatou o cineasta.
O documentário percorre cem anos de história, revisitando o período do Dr. Alfredo da Matta, pioneiro no combate à hanseníase no Amazonas, e resgatando a trajetória das instituições e das pessoas que lutaram para garantir dignidade aos doentes.
“Voltamos no tempo para mostrar como foi essa luta por espaços de acolhimento e chegamos até a segunda parte da vida de Maria e José, já curados, mostrando como reconstruíram a própria existência”, explicou Z Leão.

Na segunda fase da narrativa, a produção mostra como os irmãos viveram após a cura, revelando a força e a resiliência de quem transformou a dor em aprendizado.
“Eles não se deixaram abater pelo preconceito. Encontraram dentro de si a coragem para seguir em frente, aceitando a vida como ela é, com bravura e fé”, acrescentou o diretor.
A produção levou cerca de três meses de pesquisa antes da pré-produção, que envolveu a escolha de elenco, cenários e locações. “Construímos quatro cenários para contar essa história da melhor forma possível. A ideia surgiu quando conhecemos os dois personagens e percebemos a riqueza de suas vivências, um verdadeiro retrato da doença no Amazonas”, destacou.
Realizado pela Igara Filmes & Produções, o documentário busca se firmar como um registro histórico dos 150 anos da hanseníase no estado, preservando a memória de um período em que a doença era sinônimo de exclusão.

Com 43 anos de carreira, Z Leão já transitou por todas as vertentes do cinema, do “cinema de guerrilha” ao “cinema do impossível”. Desde os anos 2000, dedica-se à produção de documentários, tendo dirigido 12 obras que exploram a cultura, as festas e as personagens marcantes do Amazonas.
Para ele, Maria & José representa mais que um documentário: é um ato de reconhecimento e reparação histórica.
“Esse documentário é, acima de tudo, um tributo à resistência humana e à memória do nosso povo”, conclui o diretor.







