O Quarteto Fantástico está de volta, e com ele a esperança de que a Marvel consiga reconquistar o público após anos de altos e baixos no MCU. Dirigido por Matt Shakman, o novo filme O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos é o 37º lançamento da franquia e marca o reinício dessa família de heróis, agora inserida em um universo paralelo dentro do multiverso Marvel. E apesar de não trazer o mesmo impacto das fases iniciais da saga, a produção entrega um entretenimento sólido, com um elenco afiado e uma abordagem que busca simplicidade e conexão emocional.
O maior trunfo do filme está em seu elenco. Pedro Pascal vive um Reed Richards introspectivo, com uma combinação de frieza racional e empatia contida que dá profundidade ao personagem. Vanessa Kirby rouba a cena como Sue Storm: sua atuação é potente, carrega emoção genuína e oferece ao filme um dos momentos mais tocantes em uma cena de discurso público. Joseph Quinn (Johnny Storm) e Ebon Moss-Bachrach (Ben Grimm) completam o time com leveza, humor e uma química que funciona bem em grupo.

Em termos de narrativa, O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos opta por fugir de mais uma história de origem completa (já contada diversas vezes) e utiliza saltos temporais e montagens para apresentar os personagens e seu universo. A escolha evita a fadiga do gênero, mas também sacrifica um pouco do desenvolvimento mais aprofundado da mitologia. Ainda assim, o roteiro encontra tempo para entregar momentos de conexão e identidade, centrando-se na ideia de “família” como força motriz.
O tom do filme é leve, com bastante humor e dinamismo, algo que resgata um pouco da essência da Fase 1 da Marvel, mas sem a mesma energia arrebatadora. O roteiro não apresenta grandes reviravoltas nem conflitos complexos, mas constrói uma jornada honesta e funcional. Para os que estão cansados das tramas cada vez mais entrelaçadas do MCU, O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos surge como um alívio: não exige nenhum conhecimento prévio, nem conexões com outras produções.
Visualmente, o filme é competente. A direção de Shakman é segura, com sequências de ação bem executadas e efeitos visuais que, apesar de um pouco acinzentados, mantêm o padrão Marvel. O design do universo paralelo é interessante, ainda que não completamente explorado.

O ponto fraco está, justamente, na ausência daquilo que muitos chamam de “magia Marvel”. Aquela sensação de empolgação crescente, de que tudo está conectado a algo maior, parece um pouco ausente aqui. Mesmo com a promessa de ver esses personagens em Avengers: Doomsday em 2026, O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não consegue passar a impressão de evento obrigatório.
Ainda assim, é um filme que diverte e emociona em certos momentos. Sua maior qualidade está em reintroduzir o Quarteto Fantástico com humanidade e carisma, apoiado em atuações maduras e uma direção que prioriza o essencial: conexão com o público. Para quem já estava perdendo o fôlego com o MCU, esse pode ser o respiro que faltava.
Veredito: O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não reinventa o gênero nem traz uma nova era dourada para o MCU, mas cumpre bem o papel de reintroduzir heróis clássicos com carisma, leveza e uma dose saudável de emoção. Um bom começo, ainda que sem a fagulha de outrora.







