Existe um tipo raro de ficção científica que não se contenta em apenas nos impressionar com sua grandiosidade visual, mas que insiste em nos tocar fundo, naquele lugar reservado às histórias que ficam. Project Hail Mary, dirigido pela dupla Phil Lord e Christopher Miller, pertence a essa categoria restrita. É um filme que respira otimismo num gênero historicamente obcecado com o apocalipse, e isso por si só já seria suficiente para fazê-lo especial. Ryan Gosling interpreta o Dr. Ryland Grace, um professor de ciências que desperta sozinho numa espaçonave, sem memórias e rodeado pelos corpos de sua tripulação. A premissa soa pesada, e de fato carrega seu peso, mas Lord e Miller transformam o que poderia ser um thriller claustrofóbico em algo muito mais generoso: uma história sobre curiosidade, sobrevivência e, acima de tudo, sobre o que significa encontrar um amigo no lugar mais improvável do universo. A beleza visual do filme é inegável. Greig Fraser, o mesmo diretor de fotografia responsável pelas imagens de Dune, constrói aqui um espaço que ao mesmo tempo intimida e encanta. Cada plano da espaçonave Hail Mary parece equilibrar o isolamento absoluto com uma luminosidade quase poética. O cosmos nunca pareceu tão vasto e, paradoxalmente, tão aconchegante. Mas é na jornada de amizade entre Grace e o alienígena Rocky que o filme encontra sua alma. Rocky, uma criatura em forma de aranha com partes do corpo rochosas, comunica-se por ondas sonoras que Grace, aos poucos, aprende a decifrar. O que se desenvolve entre os dois é uma das relações mais genuínas que o cinema de ficção científica produziu nos últimos anos. Não há trapaça sentimental, não há atalhos dramáticos: é uma amizade construída tijolo a tijolo, na troca de conhecimento, no respeito mútuo, no humor compartilhado. Quando as lágrimas chegam no terceiro ato, e chegam, elas foram merecidas. Gosling ancora o filme com uma performance que vai muito além do charme que já é sua marca registrada. Há uma humanidade minuciosa no jeito como ele conduz uma cena que exige, na maior parte do tempo, que ele seja o único ser humano em quadro. Seu Grace é engraçado sem ser leviano, vulnerável sem ser fraco. É um equilíbrio difícil, e ele raramente perde o fio. O roteiro de Drew Goddard tem o mérito de inserir a ciência no centro da narrativa sem torná-la indigesta. As descobertas de Grace revelam ao mesmo tempo quem ele é e o que está em jogo para a humanidade. É uma construção inteligente, que usa a amnésia do protagonista como ferramenta narrativa para criar cumplicidade com o espectador: descobrimos o passado junto com ele, num ritmo que raramente perde o fôlego. Há imperfeições. O filme dura 156 minutos e, em alguns momentos, sente-se esse peso. Determinadas sequências poderiam ser podadas sem nenhuma perda real, e a chegada ao clímax apresenta um ou dois desvios que testam a paciência. Mas são tropeços menores diante da escala do que foi conquistado. O que fica, muito depois dos créditos, é a sensação de que Project Hail Mary acredita genuinamente nas pessoas. Acredita na ciência, na cooperação, na capacidade humana de encontrar beleza e conexão até no fim do mundo, ou mais precisamente, na extremidade do sistema solar. Num momento em que o cinema de ficção científica parece fascinado pelo colapso, este filme escolhe outra direção. Escolhe a esperança, e o faz com uma graciosidade que comove. NOTA DO CRÍTICO Incrível!
Critica: Pânico 7 – Um retorno às origens que prova que a franquia já não tem muito para onde ir
Panico 7 tenta voltar às raízes da franquia. Traz Sidney Prescott de volta ao centro da história, recupera a estrutura clássica da série e aposta no conforto da nostalgia. O problema é que, ao fazer isso, acaba revelando algo que a saga sempre conseguiu esconder muito bem: talvez Pânico tenha finalmente ficado sem ideias. A trama coloca Sidney novamente na mira de Ghostface, agora ao lado de sua filha adolescente, Tatum. A dinâmica entre mãe e filha até sugere um novo caminho para a franquia, mas o filme nunca aprofunda essa relação o suficiente para que ela realmente sustente a narrativa. Em vez disso, a história segue o manual já conhecido: ligação misteriosa, assassinatos espalhados pelo elenco jovem, suspeitos em série e a inevitável revelação final. Kevin Williamson, criador da franquia e agora diretor, parece consciente do peso da nostalgia. O filme constantemente faz referência ao passado da saga, revisitando personagens, nomes e situações clássicas. Só que essa estratégia funciona mais como lembrança do que já foi feito do que como construção de algo novo. Em vários momentos, a sensação é de estar assistindo a uma repetição ligeiramente atualizada do primeiro filme. Neve Campbell continua sendo o coração da franquia. Sua Sidney carrega uma presença mais madura, quase resignada, de alguém que já passou por esse pesadelo inúmeras vezes. Mas mesmo seu retorno não consegue esconder que o roteiro parece mais interessado em repetir fórmulas do que em reinventá-las. Os novos personagens também não ajudam muito. Muitos são pouco desenvolvidos e funcionam apenas como peças descartáveis dentro do jogo clássico da série: quem será o assassino por trás da máscara? O problema é que, desta vez, a pergunta parece menos interessante do que nunca. Há alguns momentos divertidos, um ou outro assassinato mais criativo e um início que lembra por que a franquia foi tão influente nos anos 90. Mas Panico 7 raramente encontra algo realmente novo para dizer sobre o gênero que ajudou a reinventar. No fim, o maior inimigo do filme talvez não seja Ghostface, mas o próprio passado da franquia. Quanto mais ele tenta homenageá-lo, mais nos faz lembrar de quando a série era realmente afiada.
Crítica | Percy Jackson temporada 2 começa afiada, emocionante e mais madura
Os dois primeiros episódios da nova temporada de Percy Jackson mostram uma série mais confiante, mais sombria e muito mais segura do próprio mito que está construindo. Depois de um ano, Percy e Annabeth retornam a um Acampamento Meio-Sangue caótico, com Grover desaparecido, a árvore de Thalia envenenada e um novo diretor que parece odiar cada semideus vivo. Para os personagens, tudo é terrível. Para o público, é excelente. Walker Scobell, Leah Jeffries e Aryan Simhadri continuam perfeitos como trio principal. Suas interpretações amadureceram, mas o vínculo que conquistou os fãs segue intacto. A dinâmica entre Percy e Annabeth ganha camadas interessantes, mesmo com a série escolhendo antecipar o arco da Grande Profecia. A tensão emocional funciona, embora a distância entre eles pareça um pouco forçada em alguns momentos. As mudanças na adaptação de O Mar de Monstros são, em geral, positivas. A chegada de Tyson é mais enxuta e menos expositiva, o ritmo de volta ao acampamento é mais rápido e a escolha de transformar a corrida de bigas no gatilho para a missão funciona muito bem. A série corta algumas cenas icônicas do livro, mas mantém o espírito, incluindo a sensação constante de perigo que sempre cercou Percy. O elenco de apoio é um dos grandes destaques. Timothy Simons entrega um Tântalo ameaçador e imprevisível, capaz de deixar qualquer cena tensa com um único olhar. Lin-Manuel Miranda surpreende como Hermes, especialmente no momento em que a leveza desaparece e o pedido para salvar Luke ganha peso emocional de verdade. Ainda há ajustes a fazer. O ritmo oscila no início, Tyson carece de profundidade e a introdução da Grande Profecia precisa encontrar seu lugar na narrativa. Mesmo assim, o início da temporada é tão envolvente quanto o primeiro ano da série, com direção mais ousada, efeitos melhores e personagens que continuam evoluindo. Percy Jackson temporada 2 começa com energia, emoção e confiança renovada. Se mantiver este nível, pode facilmente superar a primeira. NOTA DO CRÍTICO Muito bom!
Stranger Things terá episódio final de duas horas nos cinemas
A Netflix confirmou que o episódio final de Stranger Things terá duas horas e será exibido nos cinemas dos EUA em 2025.
Crítica | Fonte da Juventude (2025)
Fonte da Juventude não é um desastre. Há boas sequências de ação, cenários interessantes e uma dinâmica familiar que salva o clímax. Mas também é um filme irregular, prejudicado por diálogos artificiais, escolhas estilísticas duvidosas e um protagonista que não convence.
Cine Sou Manaus leva diversidade e resistência para a tela grande no Passo a Paço 2025
De 2 a 4 de setembro, o Cine Sou Manaus transforma o CAM em sala de cinema gratuita com histórias de diversidade, resistência e coletividade.
Crítica | O Ritual (2025): Pacino em piloto automático e direção exagerada em exorcismo sem alma
Baseado em um exorcismo real de 1928, O Ritual tenta misturar realismo com horror sobrenatural, mas entrega uma experiência confusa, com Al Pacino apático e direção escolar de David Midell.
Crítica | O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025)
Leia nossa crítica de O Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (2025), o reboot da Marvel com Pedro Pascal e Vanessa Kirby. Um filme leve, divertido, mas que ainda busca o brilho do MCU de antigamente.
Superman passou no teste. E agora, James Gunn?
Novo Superman convence público e crítica. Descubra os próximos passos do DCU sob comando de James Gunn e o que esperar de Supergirl e Cara de Barro.
Crítica | Jurassic World: Rebirth – Um retorno ousado ao coração da franquia
Leia nossa crítica de Jurassic World: Rebirth e descubra por que o novo filme entrega ação, nostalgia e reflexões surpreendentes. Uma evolução digna da franquia!


