É fácil olhar para F1: O Filme e enxergar um comercial de duas horas e meia para a Fórmula 1, repleto de marcas, patrocinadores e um monte de sequências de bastidores que parecem saídas direto de um vídeo promocional do esporte. Mas o diretor Joseph Kosinski (de Top Gun: Maverick) consegue transformar esse grande produto em algo que prende, empolga e, acima de tudo, entrega corridas que vão fazer você se segurar na poltrona.
O filme conta a história de Sonny Hayes (Brad Pitt), um ex-piloto lendário dos anos 90 que agora vive correndo em competições pequenas, tentando se manter longe do mundo que o consagrou. Quando seu antigo amigo Ruben (Javier Bardem), agora chefe da equipe APXGP, o chama para ajudar a salvar o time de uma crise financeira, Sonny volta à F1 para um último desafio. Ao lado dele está Joshua Pearce (Damson Idris), jovem promessa que quer seu espaço, mas não confia em Sonny nem um pouco.

F1 é, no fundo, uma clássica história de retorno: o veterano que precisa provar para si mesmo (e para o mundo) que ainda tem gasolina no tanque. O roteiro traz rivalidade, parceria, aprendizados e a velha lição de que, na F1, o trabalho em equipe é tão importante quanto o talento individual. E apesar do drama ser construído com boas atuações de Pitt, Idris e Kerry Condon (que interpreta Kate, a voz da razão da equipe), ele nunca alcança o impacto emocional que parece prometer.
Na verdade, o filme é bem previsível em como desenvolve a relação entre Sonny e Joshua. O roteiro não erra feio, mas também não aprofunda como poderia. É nas pistas que F1: O Filme realmente decola. Cada largada, cada curva, cada troca de áudio entre piloto e equipe cria uma tensão quase palpável. A edição de Stephen Mirrione sabe alternar perfeitamente entre a cabine dos pilotos e os bastidores, construindo uma energia que é quase impossível de replicar em casa. E o trabalho de som – com trilha de Hans Zimmer – deixa tudo ainda mais eletrizante.
O clímax, claro, é a última corrida. Mesmo que você adivinhe o final, o caminho até lá faz tudo valer a pena. As disputas são intensas, a direção de Kosinski coloca o espectador dentro do carro e o silêncio em um momento crucial é, talvez, a escolha mais inteligente de todo o filme.
Ainda assim, quando se trata do arco dramático de Sonny, há uma sensação de que falta profundidade. A relação com Kate tem química, mas o roteiro prefere investir mais tempo nas marcas de patrocinadores do que em aprofundar os personagens.
No fim, F1: O Filme é quase tudo o que um filme sobre automobilismo precisa ser: barulhento, estiloso e tenso. Mas se você busca um drama que arranque lágrimas, talvez não encontre aqui. Felizmente, é na pista que a mágia acontece – e, nesse quesito, o filme é praticamente imbatível.







