Durante a COP30, em Belém, o futebol brasileiro assumiu um protagonismo inesperado, e estratégico nas discussões sobre clima e sustentabilidade. Na TED Countdown House, espaço que reúne especialistas, ambientalistas, artistas e lideranças globais, um painel especial colocou o esporte mais popular do país no centro do debate ambiental.
O encontro, intitulado “From football rivalry to unity: Playing for Earth”, reuniu nomes do futebol paraense e nacional para mostrar como clubes, federações e projetos sociais estão transformando o esporte em ferramenta de mobilização climática. A mediação foi de Laura Moraes, diretora de campanhas da Terra FC, com participação de Eric Levine (Count Us In / Terra FC), além de Ricardo Gluck Paul (vice-presidente da CBF e presidente da FPF), André Alves (CEO do Remo), Tiago Xerfan Bentes (CEO do Paysandu) e o ex-jogador Zé Augusto.
Futebol como agente climático
Ricardo Gluck Paul destacou que a pauta ambiental não é opcional para quem ocupa espaços de influência e o futebol é, segundo ele, “a marca mais poderosa do mundo”.
“Quando o esporte entende sua responsabilidade, o entretenimento vira propósito. O Brasil tem condições únicas de liderar essa agenda”, afirmou. Ele reforçou que a nova fase da CBF está estruturada em eixos social, ambiental e de governança, com metas como neutralizar o impacto dos mais de três mil jogos realizados anualmente.
Remo e Paysandu apresentam soluções sustentáveis

Os dois maiores rivais do Norte também mostraram que a sustentabilidade entrou de vez no calendário dos clubes.
Paysandu
– Extinção completa dos ingressos físicos
– Operação digitalizada
– Parcerias com associações de catadores para destinação correta de resíduos
Remo
– Uso de energia solar nos centros administrativos
– Jogos sem copos plásticos
– Uniformes produzidos com garrafas PET recicladas
– Monitoramento de indicadores socioambientais
CBF lança o programa “CBF Impacta” e mira neutralidade de carbono
Durante a COP30, a CBF também apresentou oficialmente seu novo plano estratégico de sustentabilidade para os próximos anos. O CBF Impacta reúne projetos ambientais, sociais e de governança alinhados aos Objetivos de Futebol Sustentável (ODS do futebol), com foco em impacto real e mensurável.
Entre as ações anunciadas:
1. Zona de Impacto Ambiental
– Meta de tornar a CBF a primeira confederação de futebol do mundo 100% neutra em carbono (a partir de 2026)
– Inventários auditados e compensação certificada
– Incentivo a energia limpa, reaproveitamento de água e economia circular nas competições nacionais
2. Zona de Impacto Social
– Criação da Estratégia Nacional do Futebol de Base, ampliando competições e formando jovens atletas de maneira cidadã — inclusive os que não seguirão carreira profissional.
3. Zona de Impacto de Governança
– Lançamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro), que vai monitorar:
• nível de endividamento proporcional à receita
• limite para folha salarial
• transparência dos clubes
As punições incluem transfer ban, perda de pontos e até rebaixamento. O caderno final de regras será apresentado em 26 de novembro, no Summit CBF Academy, e começa a valer gradualmente a partir de 2026.







