Abaixo, o comunicado da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), ao lamentar a morte de Ivan: “É com grande pesar que a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) comunica o falecimento do ex-tenista Ivan Kley, ocorrido nesta quinta-feira, em Itajaí (SC), aos 66 anos, vítima de tromboembolismo pulmonar. Ivan Kley foi um dos grandes nomes do tênis brasileiro, marcando sua carreira tanto nas quadras nacionais quanto internacionais. Com um estilo de jogo vibrante e combativo, ele se destacou como um dos principais tenistas de sua geração. Seu melhor ranking na Associação de Tenistas Profissionais (ATP) foi 81º em simples e 56º em duplas. Após sua aposentadoria das competições, Ivan seguiu sua trajetória no tênis como diretor da academia ADK Tennis, em parceria com Patricio Arnold, contribuindo para o desenvolvimento e formação de novas gerações de tenistas. A Confederação Brasileira de Tênis expressa suas mais profundas condolências à família e amigos de Ivan Kley, lembrando sempre de sua dedicação e amor ao esporte, que será eternamente lembrado por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e acompanhar sua trajetória. Até o momento, não há informações sobre o velório e o enterro”. O Grupo Try também lamentou a morte de Ivan Kley. Givaldo Barbosa, contemporâneo de Ivan, foi um dos que lamentaram seu falecimento: ‘Meu Deus do céu, que tristeza. Ivan, que saudade’ – escreveu.
Onça ‘Golias’ resgatada no Amazonas é levada para Instituto em Goiás
A onça estava sob cuidados do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que organizou a logística do animal até o a Instituição. No vídeo de boas-vindas, a cuidadora do Instituto afirmou que ‘Golias’ é um animal manso: “É um animal que tem um corpotamento muito manso, atípico pra espécie dele, esse primeiro contato vai ser necessário para ele não sofrer, é um animal selvagem que logo logo vai mostrar suas garrinhas, um animal que vai ser desmamado e um dia vai entender que esse cara aqui nasceu pra ser onça”, disse a cuidadora em um trecho do vídeo. ‘Golias’ ficou conhecido após ser resgatado em Santo Antônio do Içá (a 880 quilômetros a oeste de Manaus). O animal estava sob cuidados de uma família desde que foi encontrado ainda bem pequeno na floresta.
Asteroide que ameaçava a Terra agora pode atingir a Lua
Um asteroide que gerou temores de uma colisão com a Terra agora tem quase 4% de probabilidade de atingir a Lua, segundo dados do telescópio espacial James Webb. Estima-se que o asteroide tenha cerca de 60 metros e capacidade para destruir uma cidade caso atingisse nosso planeta. A hipótese de uma colisão contra a Terra foi descartada, mas ela já chegou a ser considerada “alta”: 3,1%. Essa foi a maior probabilidade já medida pelos cientistas de um asteroide impactar a Terra. Riscos para a Lua em alta No entanto, as probabilidades de ele se chocar com o satélite natural do nosso planeta têm aumentado constantemente. “Ainda há 96,2% de probabilidades de que o asteroide não impacte a Lua”, acrescentou a Nasa em nota nesta quinta-feira (3). Richard Moissl, diretor do Escritório de Defesa Planetária da Agência Espacial Europeia (ESA), disse à AFP que este cálculo coincidia com suas estimativas de cerca de 4%. Tamanho do asteroide: prédio de 15 andares Os novos dados do telescópio Webb também lançam luz sobre o tamanho da rocha espacial, que anteriormente havia sido estimado entre 40 e 90 metros. Agora, acredita-se que meça entre 53 e 67 metros, aproximadamente a altura de um prédio de 15 andares. Isto é significativo porque supera o limite de 50 metros necessário para ativar planos de defesa planetária. Há uma variedade de ideias de como a Terra poderia se defender de asteroides em rota de colisão, inclusive armas nucleares e lasers. Mas só uma foi testada em um asteroide real. Em 2022, a missão DART, da Nasa, conseguiu alterar a trajetória de um asteroide inofensivo, fazendo uma sonda espacial se chocar contra ele. “Um grande experimento” Agora, muitos cientistas esperam que o 2024 YR4 atinja a Lua. “A possibilidade de observar o impacto de tamanho considerável na Lua é efetivamente um cenário interessante do ponto de vista científico”, disse Moissl. O fenômeno forneceria uma variedade de informações, que seria “valiosa para propósitos de defesa planetária”, acrescentou. Mark Burchell, cientista espacial da Universidade de Kent, no Reino Unido, disse à revista “New Scientist” que um impacto lunar seria “um grande experimento e uma oportunidade perfeita”. “Os telescópios (na Terra) certamente o veriam, eu diria, e até binóculos poderiam observá-lo”, acrescentou o cientista Mark Burchell. O asteroide 2024 YR4 é o menor objeto observado pelo telescópio Webb, que no mês que vem voltará a dar aos especialistas novos dados para calcular a probabilidade de impacto.
Amazonas sofre terceiro apagão em menos de um mês
Manaus e diversas cidades do interior do Amazonas enfrentaram, na noite desta terça-feira (2), mais um apagão de grandes proporções. Essa foi a terceira interrupção no fornecimento de energia em menos de um mês, mas, desta vez, o blecaute afetou todo o estado. O problema escancara a fragilidade do sistema elétrico e gera preocupação sobre a recorrência dessas falhas. O que causou o apagão? Segundo a Amazonas Energia, concessionária responsável pela distribuição de eletricidade no estado, o blecaute teve origem em uma falha na linha de transmissão de 500 kV Jurupari-Oriximiná, que faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). A interrupção ocorreu às 22h06 e afetou todas as cidades amazonenses, deixando milhões de moradores sem luz. O Operador Nacional do Sistema (ONS) autorizou o início da recomposição da carga às 22h54, mas o restabelecimento foi gradual. No momento da autorização, apenas 13% da distribuição havia sido recuperada. Mesmo assim, até as 23h50, bairros da capital e municípios do interior ainda permaneciam sem energia. Três apagões em menos de um mês O histórico recente de falhas no sistema elétrico preocupa a população e coloca em xeque a infraestrutura do setor no Amazonas. Antes do blecaute desta terça-feira, dois outros apagões de grandes proporções atingiram o estado: • 7 de março: Uma falha na linha de 500 kV Jurupari-Silves provocou um apagão generalizado, afetando Manaus, municípios da Região Metropolitana e cidades do interior. Em alguns pontos, o restabelecimento completo levou mais de seis horas. • 27 de março: Um novo blecaute ocorreu devido a uma falha na linha de 230 kV Lechuga-Manaus, deixando várias áreas sem energia por horas. O cenário de apagões recorrentes gera indignação e preocupação entre os moradores, que enfrentam não apenas transtornos diários, mas também prejuízos financeiros e riscos à segurança. Impactos para a população e economia A falta de energia compromete diversos setores essenciais, como saúde, comércio e transporte. Hospitais dependem de geradores para manter equipamentos funcionando, enquanto empresários contabilizam perdas devido a produtos estragados e paralisação das atividades. Além disso, a ausência de iluminação pública aumenta a sensação de insegurança nas ruas. No caso específico da noite desta terça-feira, cidades como Parintins, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Iranduba e Manacapuru foram afetadas, além da capital. Moradores relataram oscilações no fornecimento e dificuldades para obter informações concretas sobre a normalização dos serviços. Quem responde por isso? A Amazonas Energia informou que aguarda um posicionamento oficial do ONS sobre o motivo exato da falha desta terça-feira e os próximos passos para evitar novas ocorrências. No entanto, a população segue sem respostas concretas e teme que os apagões se tornem ainda mais frequentes. A crise energética no estado levanta questões sobre a necessidade de investimentos na infraestrutura elétrica, fiscalização mais rigorosa e um planejamento eficaz para garantir um fornecimento estável de energia. Enquanto isso, os amazonenses convivem com a incerteza e os prejuízos causados por um sistema que deveria ser confiável, mas tem se mostrado cada vez mais frágil. O que esperar? Com três apagões registrados em menos de um mês, cresce a pressão sobre autoridades e órgãos responsáveis para que soluções sejam apresentadas. O setor elétrico no Amazonas precisa de mudanças urgentes para evitar que o estado continue mergulhado na escuridão – tanto no sentido literal quanto no figurado.
Angelina Jolie no Brasil: atriz visita aldeia indígena e se encontra com Cacique Raoni
A atriz Angelina Jolie visitou a aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Parque do Xingu, em Mato Grosso, nesta quarta-feira (2), e encontrou o cacique Raoni, um dos mais conhecidos líderes indígenas no mundo. A artista esteve na aldeia junto com a organização Re:wild, para se encontrar com o cacique e outras lideranças Kayapó, conhecendo de perto a conexão entre o povo indígena e a floresta. Jolie, que há décadas apoia causas humanitárias e de direitos humanos, além de atuar na conservação ambiental no Camboja há mais de 20 anos, passou várias horas conversando com Raoni e outras lideranças indígenas locais, para saber sobre os desafios enfrentados pela comunidade — como o desmatamento, o garimpo ilegal e a expansão do agronegócio sobre terras indígenas. Ela expressou apoio aos esforços de proteção da Amazônia e da cultura indígena. Raoni Metuktire é líder do povo Mẽbêngôkre-Kayapó e vive na Terra Indígena Capoto-Jarina, no município de Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso. Em 1977, um documentário sobre a vida de Raoni foi exibido no Festival de Cannes, na França, e, em 1989, ele se encontrou com o cantor Sting, da banda The Police. Os dois embarcaram em uma turnê ao redor do mundo em defesa dos povos indígenas.
Trump anuncia tarifa de 10% para produtos importados do Brasil
Presidente americano diz que tarifas recíprocas serão de ao menos metade das alíquotas cobradas dos EUA por outros países. Taxas entrarão em vigor amanhã, 3 de abril. Donald Trump, disse que o país cobrará 10% de todas as importações feitas do Brasil. A afirmação foi feita durante coletiva nesta quarta-feira (2). O republicano detalhou, ainda, as demais tarifas recíprocas que serão cobradas dos países que cobram taxas de produtos norte-americanos importados. Segundo Trump, as tarifas recíprocas serão metade das alíquotas cobradas por outros países. Além disso, os EUA imporão uma alíquota mínima de 10% aos seus parceiros comerciais. Entenda o “tarifaço” de Trump Chamada pelo republicano de “Dia da Libertação”, esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas — que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros. “Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história americana. É nossa Declaração de independência econômica”, afirmou o presidente norte-americano. Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos. Além das tarifas recíprocas, outras taxas já anunciadas por Trump também passaram a valer nesta quarta-feira (2), como a cobrança de 25% sobre carros importados pelos EUA e as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países), por exemplo. As incertezas sobre como essas taxas devem funcionar e quais os impactos podem ter nas economias do mundo têm impactado o mercado financeiro nas últimas semanas e causado uma série de reações de diferentes países. No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros. O projeto recebeu apoio amplo do Congresso e do governo, e veio após Trump citar o Brasil como exemplo de um país que deve ser taxado.
Max: confira as novidades que chegam ao catálogo em abril de 2025
Chegamos ao quarto mês do ano com uma série de novidades nos catálogos dos serviços de streaming. Desta vez, a Max revelou o que chegará à sua plataforma ao longo deste mês de abril de 2025. Dentre os destaques da vez estão a segunda temporada de The Last of Us, a chegada de Os Colonos e A Herança direto do Cinema para Max, a quarta temporada de Hacks e muito mais. Confira o calendário completo abaixo: Filmes: Series: Documentários:
De cão robô a drone com fuzil: conheça as principais novidades da maior feira militar do país
Entre os novos produtos apresentados ao mercado nacional nesta terça-feira está o robô spot, fabricado pela americana Boston Dynamics e que será comercializado no país pela Radeco. Com quatro patas, o robô, que se assemelha a um cachorro, pode ser customizado com diferentes equipamentos a depender da necessidade do comprador, segundo a Radeco. O robô levado à feira contava com uma câmera que registra imagens em 360 graus na traseira e uma mão robótica. Por ser customizável, ele pode ser equipado com outros itens, como armas. De acordo com a fabricante, as utilidades do robô vão desde a detecção de materiais perigosos e investigação de objetos suspeitos a situações que envolvem reféns, nas quais podem ajudar a colher informações da cena. Outra novidade apresentada foi um protótipo de drone armado da Taurus. Com quatro hélices, a aeronave da empresa brasileira pode ser equipada com fuzis e metralhadoras em voos de curto alcance. A ideia é que o equipamento seja comercializado tanto para forças policiais quanto militares. No mesmo dia em que apresentou o novo drone, a Taurus anunciou ter assinado um Memorando de Entendimento para a possível aquisição da Mertsav, da Turquia. Segundo a companhia brasileira, a eventual compra da empresa turca “permitirá um salto no patamar do portfólio” da Taurus. A Mertsav produz rifles, lançadores de granada e metralhadoras. A fabricante Xmobots, de São Carlos, também apresentou uma novo modelo de drone, o Nauru 100. Menor que outros produzidos pela empresa, que tem entre os seus clientes o Exército brasileiro, ele é transportado em duas mochilas e pode ser lançado ao ar mais rapidamente. Ainda em fase de testes, a ideia da empresa é equipá-lo com câmeras ou morteiros. A empresa já está em conversas com ao menos uma das Forças Armadas do Brasil para vender o equipamento: — Ele é um equipamento extremamente prático. A partir do momento que você chega no campo, em três minutos ele já está voando — disse Thatiana Miloso, chefe de vendas (CSO) da Xmobots. — Ele vai estar a 100 metros de altura e a um quilômetro do alvo e vai conseguir fazer uma leitura de placa e um reconhecimento facial. Ele tem um design, uma tecnologia de cores que o faz ser furtivo. Ou seja, você não consegue nem ver nem ouvir. A gente chama de soldado invisível. Ainda segundo a empresa, a expectativa é que até o início de 2026 outro drone da empresa, o Nauru-1000C, finalize o processo de integração com mísseis. Com isso, ele será o primeiro drone armado do Exército brasileiro. O Edge Group, empresa dos Emirados Árabes, também anunciou o lançamento na LAAD da tecnologia de cibersegurança UNMASK. O sistema tem como objetivo ajudar forças de segurança pública a identificar e combater atividades criminosas cometidas de forma anônima na internet. “A solução capacita as agências com ferramentas avançadas para identificar criminosos na deep web, rastrear atividades clandestinas e neutralizar ameaças cibernéticas emergentes com rapidez e precisão”, explica o Edge Group. — UNMASK foi projetado para atender a uma necessidade crítica e crescente no cenário atual de segurança digital. Ao apoiar agências com maior visibilidade em ambientes online complexos, estamos possibilitando respostas mais rápidas e informadas ao crime digital, ao mesmo tempo em que mantemos os mais altos padrões de responsabilidade e segurança — afirmou Rogério Lemos, CEO da ORYXLABS, subsidiária do Edge Group.
Governo militar de Mianmar anuncia cessar-fogo temporário para ajudar os esforços contra o terremoto
O governo militar de Mianmar anunciou nesta quarta-feira um cessar-fogo temporário nas operações contra grupos armados de oposição, para ajudar nos esforços de recuperação após o terremoto de magnitude 7,7, que provocou a morte de quase 3 mil pessoas. “Para prestar simpatia às vítimas do terremoto em todo o país, para fornecer a operação de resgate e reabilitação eficazes”, a trégua duraria até 22 de abril, disse a MRTV estatal. Três grandes grupos armados de minorias étnicas anunciaram uma pausa de um mês nas hostilidades para facilitar a distribuição de ajuda humanitária. As Forças de Defesa Popular, um grupo criado por dissidentes após o golpe militar de 2021, também já haviam anunciado um cessar-fogo parcial após o terremoto. No comunicado, a junta alertou, no entanto, aos seus opositores que responderá a qualquer ataque de sua parte, sejam atos de sabotagem ou de “reunião, organização e expansão [do controle] de território que possam minar a paz”. As operações de busca e salvamento ainda tentam encontrar sobreviventes cinco dias depois do tremor, quando 2.886 mortos já foram confirmados pelas autoridades — e período no qual a junta militar que tomou o poder em 2021 não interrompeu os combates com grupos rebeldes pró-democracia. Mais de 4 mil pessoas ficaram feridas e 373 continuam desaparecidas, o que significa que o número de mortos deve aumentar. O país também está envolvido em uma guerra civil há quatro anos, desencadeada por um golpe militar sangrento e economicamente destrutivo, que viu forças da junta combaterem grupos rebeldes em todo o país. O golpe e o conflito prejudicaram a infraestrutura de saúde de Mianmar, deixando-a mal equipada para lidar com grandes desastres naturais. Mesmo assim, na noite desta terça-feira, militares do Exército de Mianmar abriram fogo contra um comboio humanitário da Cruz Vermelha Chinesa, na região de Ommati, no norte do estado de Shan, uma das áreas afetadas pelo termor. O porta-voz da junta militar, Zaw Min Tun, afirmou que tiros de advertência foram disparados contra um comboio de nove veículos não parou ao se aproximar de uma área de conflito. Os soldados teriam tentado usar um jogo de luz quando estava a uma distância de cerca de 200 metros para impedir a progressão dos veículos, mas ao não conseguirem, dispararam três tiros para cima. Interlocutores do Exército de Libertação Nacional Ta’ang (TNLA), um grupo rebelde armado, disseram que as tropas do governo teriam disparado no comboio com “metralhadoras pesadas” enquanto os veículos seguiam a caminho de Mandalay. O grupo também afirma que a organização humanitária teria informado sua rota e seus planos de entrega de ajuda — o que os militares negam. Ajuda internacional Equipes internacionais de ajuda e resgate têm chegado a Mianmar, incluindo da China, desde o terremoto matou e deixou milhares desabrigadas. Contudo, o acesso às áreas mais atingidas tem sido dificultado por estradas destruídas, telecomunicações precárias e a violência contínua entre a junta e grupos armados incluindo relatos de bombardeios das Forças Armadas contra posições rebeldes após o terremoto. O estado de Shan, em particular, tem sido palco de intensos combates entre a junta e grupos armados de minorias étnicas que tomaram o controle de grandes áreas do território. A junta e o TNLA têm entrado em confronto perto da vila de Ommati, segundo Zaw Min Tun, acusando que “alguns grupos” estariam “tirando vantagem política” das missões de resgate. Três grandes grupos armados de minorias étnicas anunciaram na terça-feira uma pausa de um mês nas hostilidades para facilitar a distribuição de ajuda humanitária muito necessária. As Forças de Defesa Popular, um grupo criado por dissidentes após o golpe militar de 2021, já haviam anunciado um cessar-fogo parcial após o terremoto. No entanto, o líder da junta, Min Aung Hlaing, respondeu que “atividades de defesa” contra “os terroristas” continuariam. “Se alguns grupos étnicos armados não estão atualmente envolvidos em combate […], estão se organizando e treinando para realizar ataques”, disse em um comunicado na noite de terça-feira. A enviada especial da ONU para Mianmar, Julie Bishop, pediu a todas as partes que “concentrem seus esforços na proteção de civis, incluindo trabalhadores humanitários, e na prestação de assistência”. — Não se pode pedir ajuda com uma mão e bombardear com a outra — disse o especialista em Mianmar da Anistia Internacional, Joe Freeman. Quando solicitado a comentar o incidente, o Ministério das Relações Exteriores da China disse a repórteres que o equipamento enviado pela Cruz Vermelha Chinesa havia chegado e que a equipe e os suprimentos estavam “seguros no momento”. Fio de esperança À medida que o tempo passa, a esperança de encontrar sobreviventes sobre os escombros vai mudando o perfil para uma operação de resgate de corpos. Contudo, alguns casos em particular continuam alimentando a esperança da população de encontrar seus entes queridos com vida. Dois trabalhadores foram retirados dos destroços de um hospital de Naipidau, a capital do país, após cinco dias sob os escombros. Atordoado e coberto de poeira, mas consciente, um jovem de 26 anos foi retirado por uma passagem aberta entre as ruínas e resgatado em uma maca no meio da noite, segundo um vídeo divulgado pelo corpo de bombeiros. O balanço atualizado divulgado pela junta militar é de 2.886 mortos e 4.600 pessoas feridas. O número de desaparecidos está em 373. O terremoto também provocou uma destruição generalizada no país, pobre e devastado por quatro anos de guerra civil. (Com AFP)
Diagnóstico precoce do autismo facilita alfabetização e inclusão escolar
Moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, a neurocientista e biomédica Emanoele Freitas começou a perceber que o filho, Eros Micael, tinha dificuldades para se comunicar quando ele tinha 2 anos. “Foi, então, que veio o diagnóstico errado de surdez profunda. Só com 5 anos, com novos exames, descobriu-se que, na realidade, ele ouvia bem, só que ele tinha outra patologia. Fui encaminhada para a psiquiatra, e ela me deu o diagnóstico de autismo. Naquela época, não se falava do assunto”, diz a mãe do jovem, que hoje tem 21 anos. Ser de um grau menos autônomo do espectro autista, também chamado de nível 3 de suporte, trouxe muitas dificuldades na vida escolar, que Eros frequentou até o ensino fundamental, com quase 15 anos. “O Eros iniciou na escola particular e, depois, eu o levei para a escola pública, que foi onde eu realmente consegui ter uma entrada melhor, ter uma aceitação melhor e ter profissionais que estavam interessados em desenvolver o trabalho”, acrescenta Emanoele. “Ele não conseguia ficar em sala de aula e desenvolver a parte acadêmica. Ele tem um comprometimento cognitivo bem acentuado. Naquele momento, vimos que o primordial era ele aprender a ser autônomo. Ele teve mediador, o professor que faz sua capacitação em mediação escolar. Meu filho não tinha condições de estar em uma sala de aula regular, e ele ficava em uma sala multidisciplinar”. A inclusão escolar e a alfabetização de crianças e adolescentes do espectro autista estão entre os desafios para a efetivação de direitos dessa população, que tem sua existência celebrada nesta quarta-feira, 2, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para difundir informações sobre essa condição do neurodesenvolvimento humano e combater o preconceito. Diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, a psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites explica que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos, com interesses restritos. Características comuns no autismo são pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, manias e rituais, entre outros. “Por volta dos 2 anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior”, diz Luciana. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês) estabelece atualmente que as nomenclaturas mais adequadas para identificar as diferentes apresentações do TEA são nível 1 de suporte, nível 2 de suporte e nível 3 de suporte, sendo maior o suporte necessário quanto maior for o nível. Aprendizado A psicopedagoga ressalta que os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não impedem que ele ocorra na maioria das vezes. “É possível a inserção do autista no ensino regular. A questão da inclusão é um grande desafio para qualquer escola, porque estamos falando de uma qualificação maior para os nossos professores”. Segundo Luciana, o mais importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento pedagógico, fazendo as adaptações necessárias. “Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com autismo são, por exemplo, com sílabas, em que você escolhe uma palavra e estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra. Outra dica são os fonemas, direcionando a atenção da criança aos sons que compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem”. A psicopedagoga acrescenta que as crianças autistas podem ter facilidade na identificação direta das palavras, ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto. “A inclusão é possível, mas a realidade, hoje, do professor, é que muitas vezes ele não dá conta do aluno típico, quem dirá dos atípicos. Trabalhar a detecção precoce é muito importante para se conseguir fazer a inserção de uma forma mais efetiva. É muito importante o sistema de saúde, junto com o sistema de educação, olhar para essa primeira infância para fazer essa detecção do atraso na cognição social. Por isso, é muito importante o trabalho da escola com o posto de saúde”, afirma Luciana. A especialista destaca que a inclusão é um tripé e depende de famílias, escolas e profissionais de saúde. “Professor, sozinho, não faz inclusão. Tudo começa na capacitação do professor e do profissional de saúde. É na escola que, muitas vezes, são descobertos os alunos com algum transtorno e encaminhados para equipes multidisciplinares do município”. Mãe em tempo integral Moradora da Ilha do Governador, na zona norte do Rio de Janeiro, a dona de casa Isabele Ferreira da Silva Andrade é mãe de duas crianças do espectro autista, Pérola, de 7 anos, e Ângelo, de 3 anos. Ela explica que o menino tem “autismo moderado”, ou nível 2 de suporte com atrasos cognitivos e hiperatividade. Já a filha, mais velha, tem “autismo leve”, nível 1 de suporte, e epilepsia. “Eu a levei no pediatra porque ela já tinha 2 anos e estava com o desenvolvimento atrasado, não falava muito. Ela falava uma língua que ninguém entendia. Vivia num mundo só dela, não brincava, não ria. Comecei a desconfiar. O pediatra me explicou o que era autismo e disse que ela precisava de acompanhamento. Eu a levei para o neurologista, para psicólogo, fonoaudióloga. Fiz alguns exames que deram alteração”, lembra Isabele. “Já meu filho foi muito bem até 1 ano de idade. Depois de1 ano, começou a regredir. Parou de comer, parou de brincar, não queria mais andar. Chorava muito. Comecei a achar estranho. Ele foi encaminhado ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da prefeitura. Fizeram a avaliação dele lá, por uma equipe multidisciplinar. Tentei continuar trabalhando, mas com as demandas da Pérola e do Ângelo, tive que parar de trabalhar para levar para as terapias. O cuidado é integral. Parei minha vida. Eu era caixa de lotérica”, conta a dona de casa. O filho menor está matriculado em uma creche municipal


