Por mais que Deadpool e Wolverine tente incessantemente pegar o publico pela nostalgia e pelas piadas na qual o personagem se segura, é como se tivessem aberto mão do roteiro e deixado apenas um fluxo de acontecimentos que muito provavelmente julgaram ser pra lá de especiais mas que na prática é apenas algo enlatado e direcionado pensando em um público muito especifico. O diretor da vez é o Shawn Levy que consegue deixar um filme completamente sem tato algum seja de logica narrativa, quanto de timing cômico e de um argumento palpável para que a existência do filme seja defensável ou até mesmo explicável, coisa que aqui é quase impossível, para além da falta de tesão em filmar esses personagens, é tudo tão pasteurizado e cínico que vezes dá até gastura em acompanhar uma trama que vai de set em set sem dizer exatamente NADA. A logica por de trás de ”filme do Deadpool” é quase nula pois para além de um drama já trabalhado nos outros dois filmes anteriores do anti-herói, a adição do Wolverine fica carecendo de um olhar sob ele, uma trama pra chamar de sua e desenvolvimento para que ele consiga ter momentos para brilhar. E isso não é um problema de elenco, pois todos estão bem em seus papeis, desde Ryan Reynolds como Deadpool, até Emma Corrin (The Crown) como a vilã Cassandra Nova, irmã de Charles Xavier, que acaba por cair no mesmo deslize que tantos outros vilões sofrem na Marvel; Vilões fortes com múltiplos poderes e um leque de tantas maneiras de se trabalhar tal personagem que acaba virando apenas uma amostragem de seus poderes em momentos específicos, na maioria das vezes decisivos. Mas nem tudo é de todo mal. O pensamento por de trás disso tudo que apesar muito verbalizado, nada se faz com isso diretamente, seja pela falta de sentido, quanto por isso acabar por não carregar por si só alguma linguagem cinematográfica pertinente a trama, é a abordagem sobre a venda da Fox, sobre os heróis dela, sobre esquecimento, só que até ai, pensando agora, parece uma logica errática a partir do momento em que a Disney está fazendo esse filme como se ela desse uma batidinha na costa da Fox, com uma ”homenagem” de muito do seu mau gosto. Aqui temos um filme que por mais que tente muito ser autoconsciente e diferente, acaba por ser totalmente formulaico e batido, na sua própria narrativa e escolhas de como vai ser contada essa historia que pouco se tem a oferecer. Um verdadeiro enterro da Fox da pior forma e mais cínica possível o quanto eles conseguiram, as tais aparições bombásticas pouco se tem e são usadas em um cenário pobre e cheio de problemas, que não faz nem jus aos filmes da Fox que em retrospecto a esse, nossa senhora… Deadpool e Wolverine diverte em momentos bem específicos mais trabalhando com essa dinâmica de multiverso que tanto fez mal pra própria fórmula já batida da Marvel faz com que para além de ser uma produção que se diferencia muito das outras, não por mérito próprio, mas sim pelo diretor infelizmente ter essa identidade com falsa complexidade e falta de tato para com timing cômico é bizarro como Deadpool e Wolverine causa cansaço demais com momentos pontuais que você pensa “agora vai” mas nunca vai de fato.
Revisão Corra! (Get Out, 2017)
Em 2016 temos a premiere e primeira temporada da série de Donald Glover Atlanta, um drama cômico sobre arte, cultura, e comentários raciais pontuais de acordo com toda uma vivencia cultura de Childish Gambino, encarnado no seu personagem Earn, da série. Aqui em Get Out, Jordan Peele segue quase que a mesma logica, mas aqui vindo de Key and Pelle (2012-2015) série de esquetes cheias de criticas sociais, verborrágicas e muito criativas. Como sendo seu primeiro trabalho na direção, Peele dirigi e roteiriza o longo integralmente e veio a ser um dos destaques do seu ano, tendo até uma surpreendente indicação ao Oscar por ser filme de gênero. Esse texto está sendo redigido por conta de uma revisão feita 7 anos após a estreia de tal. Lembro que quando o filme marcado na memoria por conta de seu grande “plot twist” e o filme foi acabando por ficar na minha memoria apenas com a virada dele sem que a construção até lá se fizesse efetiva. Claro, eu lembrava de cenas, alguns diálogos e piadas pontuais, mas com uma cabeça totalmente diferente, fez bem mais sentido e ficou claro um sentimento que eu sempre tinha ao pensar nesse filme. Por mais que o filme seja dinâmico na sua narrativa e vezes fluido, nessa segunda visita acabei por sentir uma certa sensação de pausa na virada do segundo para o terceiro ato como se o filme acontecesse toda uma tensão continua no primeiro ato e na hora de costurar o detonante para que o Clímax venha como um soco no estomago, ao meu ver ele fica no meio do caminho e até mesmo não tendo grande impacto a virada no roteiro por si só, mas sim pela criatividade do que fora criado a partir da tensão e mistérios. Isso não diz respeito a qualidade cinematográfica do longa, mas sim um vicio e até mesmo lugar comum que o diretor viera, sendo ele as esquetes. Eu penso nesse filme como algo blocado que você sente bastante esse peso na construção de atos e como os interliga para com a construção da trama inteira, fazendo com que tenha vários momentos entre um ato e outro que você simplesmente não sente nada e tampouco se lembra. Para além, consigo enxergar, na mesma logica de que ele estava com a cabeça vinculada as esquetes (que ele mesmo protagonizava com Keegan-Michael Key, um personagem espelhado em uma realidade fantasiosa que Peele já deixava claro quais eram suas inspirações fantásticas e em como ele enxerga os personagens dele como ele mesmo, ou até mesmo como um personagem “orelha” que muito tem a se dizer quando você sobrepõe a visão de de alguém que pode estar influenciado ou não sobre a logica mercadológica em que Peele está. Que mesmo com os olhos abertos, pode ter sua realidade influenciada e tornando ainda mais vivido o roteiro de Get Out como um recado para ele mesmo, dado seus próximos trabalhos. Corra! não deixa de ser um ótimo filme, que catapultou o nome de Peele para um hall de diretores estrelados e que muito se tem a esperar dada a criatividade e a maneira com que ele flerta com vários gêneros da maneira mais orgânica possível. E por mais que eu tenha uma experiência agradável com o longa, ao final fiquei com uma sensação de fadiga como se o filme durasse até mesmo mais do que sua pequena duração de 1hr44m. Cômico e criativo. Memorável, mas pelo motivo errado.


