No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, os influenciadores e criadores de conteúdo originários de diferentes regiões do Brasil aproveitou a força das redes sociais para desmistificar um tema ainda marcado por equívocos e estereótipos: a diferença entre os termos “índio” e “indígena”. José Kaeté, do povo Tupinambá (PA), Carol Puyanawa, da Terra Indígena Mâncio Lima (AC), e Marciele Albuquerque, do povo Munduruku (PA), protagonizaram um vídeo que circulou no Instagram e no TikTok, explicando as origens e implicações de cada palavra. Segundo eles, “índio” é um termo criado no século XVI por colonizadores europeus que, acreditando ter chegado às Índias, passaram a chamar assim todos os povos que habitavam o território invadido. A expressão, além de equivocada, homogeneizou centenas de etnias e culturas distintas. Já “indígena” significa originário da terra, aquele que pertence a um povo que vivia no território antes da colonização. O termo, reforçam os influenciadores, é o mais adequado por respeitar a autodeclaração e a diversidade cultural dos povos originários. A própria Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) recomenda o uso de “indígena” justamente para evitar generalizações e estigmas históricos. 9 de agosto, data que reforça a luta e a identidade dos povos indígenas no Brasil e no mundo A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 como o Dia Internacional dos Povos Indígenas, com o objetivo de reconhecer e valorizar as culturas, tradições e contribuições desses povos para a humanidade. No Brasil, onde vivem mais de 1,6 milhão de indígenas, distribuídos em 305 etnias e falando mais de 270 línguas, a celebração também é um momento de reflexão sobre os desafios atuais. A ONU e organizações indígenas alertam que, além da preservação cultural, é urgente garantir a proteção territorial e combater ameaças como o desmatamento, a violência e a discriminação. A data, portanto, não se limita à celebração: é também um chamado à conscientização e à ação para que esses povos possam viver com autonomia e dignidade. Assim, enquanto o vídeo dos influenciadores rompe com estereótipos no ambiente digital, o Dia Internacional dos Povos Indígenas reforça a importância de transformar esse reconhecimento em políticas e práticas concretas — unindo tradição, identidade e futuro.
Suframa assegura apoio à reconstrução de fábrica destruída após incêndio em Manaus
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na tarde da última terça-feira (5), as instalações da fábrica Effa Motors, localizada na Avenida Flamboyant, no Distrito Industrial II, em Manaus. As chamas se alastraram rapidamente, destruindo grande parte da estrutura da empresa, que atua na produção de veículos utilitários, furgões e caçambas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 12h e, até a manhã desta quarta-feira (6), ainda atuava no controle do fogo. Mais de 148 militares e 26 viaturas foram mobilizados na operação de combate às chamas. A principal preocupação era evitar que o incêndio se espalhasse para áreas de mata e para outras fábricas vizinhas. Suframa acompanha o caso e promete agilidade nos trâmites para reconstrução Durante visita ao local nesta quarta-feira (6), o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, classificou o incêndio como um evento “traumático” para o setor industrial do Amazonas. Ele destacou que a autarquia acompanha o caso desde o início e está pronta para contribuir com a reconstrução da empresa. “Estamos prontos para ajudar na reconstrução da Effa, vencendo com rapidez os trâmites burocráticos. É uma fábrica estratégica para o Polo Industrial de Manaus, sendo a única que produz veículos utilitários na região”, afirmou Saraiva. Segundo ele, a Suframa já mobilizou sua equipe técnica e pretende acelerar os processos administrativos e institucionais necessários para garantir que a empresa retome suas atividades o mais breve possível. Prejuízos ainda não foram estimados De acordo com o superintendente, ainda é cedo para calcular os prejuízos causados pelo incêndio. Saraiva reforçou que o momento é de cautela e solidariedade à diretoria da empresa e aos trabalhadores afetados. “Não podemos avaliar a extensão disso. O momento agora é de cautela e de apoio à diretoria da Effa. Depois, a gente vai contabilizar os prejuízos efetivos e ajudar no que for possível”, declarou. A expectativa é de que o laudo técnico do Corpo de Bombeiros, ainda em andamento, possa apontar as causas do incêndio e fornecer mais clareza sobre os danos materiais. Fábrica vizinha também foi atingida Além da Effa Motors, a empresa Valfilm da Amazônia, especializada na produção de embalagens plásticas flexíveis, também foi atingida pelas chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os esforços se concentraram em evitar o alastramento do fogo, o que poderia comprometer ainda mais a estrutura do Distrito Industrial. Uma funcionária ferida está hospitalizada Uma funcionária da Valfilm, identificada como Letícia Gomes, de 21 anos, grávida de dois meses, ficou ferida durante o incêndio. Ela sofreu queimaduras de segundo grau e foi internada no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. De acordo com o boletim médico divulgado pelo Complexo Hospitalar Sul (CHS), Letícia está consciente, orientada e sem risco de morte. Ela segue internada em leito de enfermaria, recebendo atendimento de uma equipe multiprofissional. Apoio institucional e financeiro O superintendente da Suframa também afirmou que, além do suporte técnico e institucional, a autarquia atuará para facilitar a interlocução com o governo federal e com instituições financeiras que possam contribuir com a recuperação da Effa Motors. “As empresas do Polo Industrial já contam com incentivos fiscais. Em casos como este, é possível buscar apoio junto ao Banco da Amazônia (BASA) e à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Suframa vai atuar para garantir que esse processo ocorra com agilidade”, finalizou Saraiva. Situação atual Até o momento, o incêndio já dura quase 20 horas. O trabalho de rescaldo ainda continua e o local permanece sob monitoramento das equipes de segurança. A comunidade industrial aguarda com expectativa a conclusão dos trabalhos técnicos e o início das ações efetivas para reconstrução da fábrica.
Alta do “morango do amor” movimenta a economia em Manaus e impulsiona vendas de docerias
Nos últimos meses, um doce viralizou nas redes sociais e virou febre entre os manauaras: o Morango do Amor. Inspirado em uma releitura moderna da maçã do amor, o doce — que traz morangos frescos envoltos em brigadeiro de leite ninho e cobertos por uma calda de açúcar vermelha brilhante — conquistou o paladar (e o coração) dos consumidores, gerando uma verdadeira corrida às docerias da cidade. Com a explosão de pedidos, o reflexo direto foi sentido na economia local: o preço do morango disparou em feiras e distribuidores, mas a alta não foi suficiente para frear o apetite dos consumidores. Ao contrário, a demanda crescente aqueceu as vendas e impulsionou os lucros de quem soube aproveitar a onda — como foi o caso da empreendedora Paola Pierre, fundadora da doceria Benfeito, Feito Doceria. “Desde que lançamos o cardápio junino no começo de julho, o Morango do Amor virou um sucesso imediato. Começamos com uma equipe de dois e hoje já somos oito pessoas na produção”, contou Paola em entrevista à Update Manauara. Um fenômeno doce e repentino A Benfeito já estava preparando seu cardápio temático para o período de festas juninas, quando Paola notou que o doce estava viralizando em vídeos nas redes. Foi aí que resolveu apostar na novidade. O retorno? Rápido e avassalador. “Não tivemos nem tempo de organizar direito a logística interna. Em questão de dias, o doce se tornou um boom”, lembra. A repercussão foi tamanha que a doceria registrou aumento expressivo nas redes sociais, novos clientes e um crescimento significativo na produção. O doce está sendo vendido a R$ 18,90 a unidade — um valor que, segundo Paola, precisou ser reajustado diversas vezes por conta do aumento no preço do morango, que é a estrela da receita. “Temos um setor responsável pela precificação. Desde julho, já enfrentamos vários aumentos nos insumos, principalmente no morango, que é nosso principal ingrediente”, explica. Técnica e cuidado Apesar de parecer simples, o Morango do Amor exige técnica. O segredo, segundo Paola, está no controle da temperatura da calda de açúcar com corante vermelho. “É um processo delicado. A calda precisa atingir o ponto certo, senão pode queimar e ainda representar risco de acidentes. É preciso muito cuidado”, orienta a empresária. Sobre a doceria A Benfeito, Feito Doceria está há cinco anos no mercado de Manaus e atua exclusivamente de forma virtual. Os pedidos podem ser feitos pelo site da marca ou pelo iFood. Também é possível realizar a retirada diretamente no local de produção. “Como você consegue adquirir o melhor Morango do Amor é através do nosso site, que eu também vou deixar aqui para vocês, tá? benfeitofeitovu3.clientefiel.app E será um prazer receber o seu pedido”, finaliza Paola.
Moraes classifica atuação pró-tarifaço como “covarde e traiçoeira”
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez nesta sexta-feira (1º) um duro pronunciamento contra o que classificou como uma “organização criminosa” composta por brasileiros que estariam agindo de forma “covarde e traiçoeira” para desestabilizar o Judiciário e comprometer a soberania nacional. A fala ocorreu na primeira sessão do STF após o governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, aplicar contra Moraes a Lei Magnitsky — uma sanção inédita contra um ministro de Suprema Corte no mundo democrático. Sem citar nomes, Moraes chamou de “pseudo-patriotas” os envolvidos na articulação com autoridades estrangeiras para tentar interferir nas decisões do Supremo, principalmente no julgamento da suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. “Temos visto diversas condutas dolosas e conscientes de uma organização criminosa que age de maneira covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do STF ao crivo de autoridade estrangeira”, disse Moraes. “Covarde porque esses brasileiros se encontram foragidos e escondidos fora do território nacional. Não tiveram coragem de permanecer no país.” De acordo com o ministro, há provas de que esses grupos buscaram apoio externo para atacar a legitimidade do STF e pressionar por decisões favoráveis a Bolsonaro, inclusive com o objetivo de garantir anistia em caso de condenação. “São negociações espúrias, vis, traiçoeiras. Auxílio ativo para que se pratiquem atos hostis à economia do Brasil e ao Estado Democrático de Direito”, completou. Moraes é relator dos principais processos que investigam a tentativa de golpe de 2022. Ele tem sido alvo constante de ataques do bolsonarismo, tanto no Brasil quanto no exterior. A aplicação da Lei Magnitsky, que bloqueia ativos e impede transações financeiras nos EUA, foi anunciada dias antes da reabertura do semestre judiciário. Moraes, no entanto, não possui bens nem contas em território americano. A sanção foi interpretada como uma tentativa política de deslegitimar o ministro e favorecer Bolsonaro. A articulação é atribuída a Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos EUA, e ao youtuber Paulo Figueiredo, aliado do deputado federal. Em pronunciamento recente, Figueiredo afirmou que outros ministros do STF também podem ser incluídos na lista de sanções. Mesmo diante do ataque inédito, Moraes reafirmou o compromisso com a Constituição e a independência do Poder Judiciário. “Não nos intimidaremos. A Justiça brasileira não se submete a pressões externas nem a traições internas disfarçadas de patriotismo”, concluiu.
Manaus terá manifestação de movimentos sociais contra tarifaço dos EUA nesta sexta-feira
Movimentos sociais, sindicatos e frentes populares de Manaus irão às ruas nesta sexta-feira (1º) em protesto contra o chamado “tarifaço de Trump” — pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve atingir diretamente setores estratégicos da economia brasileira, como o de madeira e ferro-gusa. O ato está marcado para às 16h, na Praça da Polícia, no Centro de Manaus, em frente ao Palacete Provincial, local simbólico de resistência histórica na capital amazonense. A manifestação integra uma mobilização nacional convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de diversas organizações sociais e sindicais em todo o país. Além da capital amazonense, os protestos ocorrerão em pontos estratégicos como os consulados dos EUA em São Paulo e no Rio de Janeiro, e na embaixada americana em Brasília. Outras capitais como Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis também confirmaram participação. Tarifaço adiado, mas protesto mantido Inicialmente previsto para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º), o tarifaço foi adiado para o próximo dia 6 de agosto, segundo decreto assinado por Trump na última quarta-feira (30). Ainda assim, os atos foram mantidos como forma de resposta política à medida, considerada por lideranças sindicais como uma agressão à soberania brasileira. “É uma interferência no judiciário e na soberania nacional. O único país que teve motivação política nas tarifas foi o Brasil. Isso não é só uma questão comercial”, afirmou Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, em entrevista à Agência Brasil. Efeitos econômicos e riscos trabalhistas Os principais setores afetados pelo tarifaço, de acordo com a CUT, são o da madeira e o de ferro-gusa, que têm como principal mercado de exportação os Estados Unidos. A preocupação é com possíveis impactos imediatos, como demissões e paralisações. Entretanto, Sérgio Nobre afirmou que há mecanismos suficientes para preservar os empregos nas áreas mais atingidas, como férias coletivas, antecipações de feriados e até layoff — modalidade de suspensão ou redução da jornada de trabalho. “Até agora, nenhuma empresa comunicou intenção de demitir. As conversas com sindicatos têm sido no sentido de buscar saídas negociadas”, reforçou o dirigente. Pautas locais e nacionais Além do repúdio ao tarifaço, a manifestação em Manaus e nas demais cidades também irá pautar reivindicações locais e nacionais: o fim da escala 6×1, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, taxação de grandes fortunas, redução da jornada de trabalho, oposição ao PL da devastação ambiental, combate à pejotização e denúncia ao genocídio em Gaza.
Jovem de Parintins é eleito delegado para Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial
O jovem parintinense Joneuber Vasconcelos foi eleito delegado para a 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), prevista para acontecer em Brasília ainda este ano. A escolha aconteceu durante a Conferência Temática da Juventude Negra, realizada na última terça-feira (29/07), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com o tema central “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, a CONAPIR é um dos principais espaços de formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo e à promoção da equidade no país. Representando o Amazonas Joneuber foi um dos três representantes amazonenses no encontro no Rio de Janeiro, indicado pelo Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (CEPIR-AM). Ao lado de cerca de 90 lideranças juvenis negras de todas as regiões do Brasil, ele contribuiu com propostas e pautas voltadas especialmente à juventude preta e indígena da região Norte. Durante a plenária, defendeu políticas de reparação histórica, justiça social e valorização da identidade amazônida, destacando a importância de uma juventude atuante nas decisões que impactam seus territórios. Escola Afro-Amazônica e luta por letramento racial Durante sua participação, Joneuber apresentou materiais produzidos pela Escola Afro-Amazônica, projeto antirracista que coordena na região. A iniciativa tem foco no letramento racial, na educação decolonial e na formação de jovens e educadores da Amazônia. Reconhecida nacionalmente, a Escola Afro-Amazônica atua com formações, oficinas e produção de conteúdos educativos que dialogam com a realidade dos povos pretos, indígenas e periféricos da região, promovendo o enfrentamento ao racismo estrutural por meio da educação. Presença ao lado de grandes nomes da luta antirracista Joneuber também teve a oportunidade de dialogar com referências nacionais na luta por igualdade racial, como a ministra Anielle Franco (Ministério da Igualdade Racial) e a deputada federal Benedita da Silva, primeira mulher negra a governar um estado no Brasil. Na foto registrada durante o evento, ele aparece ao lado das duas, marcando simbolicamente a presença da juventude preta amazônida nesse espaço de construção de políticas públicas. Voz da juventude amazônida “Representar minha cidade e meu povo num espaço como esse é uma grande responsabilidade. Lutamos por políticas públicas que valorizem nossa história, nossas raízes e nosso direito de existir com dignidade”, afirmou Joneuber. Com sua eleição para a etapa nacional, o jovem se prepara para levar novamente a voz da juventude preta, periférica e amazônida aos espaços de decisão em Brasília. Quem é Joneuber Vasconcelos Além de delegado da CONAPIR, o jovem parintinense acumula diversas frentes de atuação:
Seis dos oito deputados do Amazonas votam a favor do ‘PL da Devastação’: entenda o que muda
Seis dos oito deputados federais do Amazonas votaram a favor do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido por organizações socioambientais como “PL da Devastação”. A proposta, que flexibiliza o processo de licenciamento ambiental no Brasil, foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (17) por 267 votos a favor e 116 contra. Votaram “sim” os deputados amazonenses Adail Filho (Republicanos), Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Fausto Júnior (União), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos). O único a votar contra o texto foi Amom Mandel (Cidadania). Já Pauderney Avelino (União) estava ausente da sessão no momento da votação. O texto aprovado incorpora emendas do Senado, incluindo a criação de uma nova modalidade chamada Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que poderá acelerar projetos de grande impacto ambiental sem as exigências que existem atualmente. Outra mudança criticada é a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite o autolicenciamento de empreendimentos apenas com base em autodeclarações dos responsáveis, sem análise técnica prévia de impacto ambiental. A proposta também fragiliza o papel de órgãos como o Ibama, o ICMBio e o Conama, retirando sua obrigatoriedade em processos de licenciamento, inclusive em áreas protegidas como Unidades de Conservação. Além disso, retira salvaguardas de territórios indígenas e quilombolas ainda em processo de demarcação — o que abre caminho para a atuação de grandes empreendimentos, como a mineração e o agronegócio, sobre essas áreas. Especialistas e entidades ambientais classificaram a aprovação como um dos maiores retrocessos ambientais das últimas décadas. Para Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, a medida representa o enfraquecimento da principal ferramenta de prevenção de danos prevista na Política Nacional do Meio Ambiente. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente alertou que o PL ameaça a segurança ambiental e social do país e afronta a Constituição Federal. Agora, o projeto segue para sanção ou veto do presidente Lula (PT), que poderá aprovar o texto na íntegra, vetá-lo total ou parcialmente. A decisão final pode impactar diretamente o futuro da Amazônia e os mecanismos de proteção ambiental no Brasil.
PIM movimenta R$ 93 bilhões até maio e impulsiona empregos no Amazonas
Em continuidade aos bons resultados no primeiro semestre de 2025, o Polo Industrial de Manaus (PIM) fechou o período de janeiro a maio com faturamento de R$ 93,34 bilhões, o que representa crescimento de 14,08% em relação a igual intervalo do ano passado (R$ 81,82 bilhões). Em dólar, o faturamento no mesmo período atingiu o montante de US$ 16.21 bilhões. Em maio, o PIM empregou um total de 130.462 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. O quantitativo indica crescimento de 7,82% na comparação com o resultado obtido em maio de 2024 (120.995 trabalhadores). A média mensal de empregos do PIM em 2025, até maio, é de 131.550 trabalhadores. Os subsetores do PIM que contribuíram de forma mais ampla para o aumento do faturamento global no período de janeiro a maio incluem Bens de Informática (participação de 21,83%), Duas Rodas (20,15%), Eletroeletrônico (16,05%), Químico (10,13%), Mecânico (9,43%), Termoplástico (8,37%) e Metalúrgico (7,91%). Em termos de crescimento na comparação com o mesmo período do ano passado, pode-se destacar o desempenho do Polo de Duas Rodas (aumento de 21,02%), Metalúrgico (aumento de 30,59%) e Mecânico (aumento de 32,49%). Entre os principais produtos do Polo Industrial de Manaus, os itens com linhas de produção mais aquecidas no período de janeiro a maio de 2025, em comparação com o mesmo intervalo do ano passado, incluíram os condicionadores de ar do tipo split system, com 2.708.982 unidades produzidas e crescimento de 20,27%; motocicletas, motonetas e ciclomotos, com 902.842 unidades e aumento de 13,88%; televisores com tela de LCD e OLED, com 6.095.146 unidades e aumento de 6,30%; monitores com tela de LCD, para uso em informática, com 1.514.197 unidades e aumento de 27,6%; relógios de pulso e de bolso, com 3.394.622 unidades e aumento de 30,36%; e bicicletas, inclusive, elétricas, com 212.257 unidades e aumento de 32,8%. Avaliação De acordo com o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, o crescimento de 14,08% no faturamento do PIM, atingindo R$ 93,34 bilhões até maio, aliado à geração de mais de 130 mil postos de trabalho diretos, sinaliza a robustez da Zona Franca de Manaus. “Os dados confirmam a eficácia do modelo em impulsionar a economia regional e nacional, com destaque para os indicadores de empregabilidade e o crescimento de setores importantes como Duas Rodas, Metalúrgico e Mecânico. A Suframa seguirá monitorando e aprimorando os mecanismos que garantem a competitividade e a sustentabilidade do PIM”, afirmou Saraiva.
Justificativas de jurados do Festival de Parintins 2025 circulam na internet e reacendem debates
Alguns trechos de justificativas atribuídas aos jurados do Festival Folclórico de Parintins 2025 começaram a circular nas redes sociais na noite desta sexta-feira (11). O material, no entanto, não foi publicado oficialmente, e segue sendo compartilhado de maneira informal, com trechos isolados referentes a itens, datas e jurados diferentes. Entre os conteúdos que mais repercutiram está a nota atribuída ao item Cunhã-Poranga, com avaliação feita pela jurada Hylnara Vidal. Segundo o conteúdo compartilhado, a Cunhã-Poranga do Caprichoso recebeu nota 9,9, com a seguinte justificativa: “Chegada triunfal, belíssima, boa interpretação, domínio total da indumentária, encantadora, fluxo e energia. Mudanças de emoções, guardiã. Teve uma quebra de presença na troca de indumentária.” Já a Cunhã-Poranga do Garantido teria recebido nota 10: “Chegada triunfal e santa. Poder / Majestade / GUARDIA. Verticalização do corpo no espaço cênico, expressão corporal. Alegria perfeita. Movimentos e interpretação surpreende com indumentária. SABE MUITO.” As notas referem-se à avaliação da terceira e última noite do festival, realizada no dia 29 de junho. Outro item com justificativas compartilhadas foi o da Sinhazinha da Fazenda, avaliadas na segunda noite do festival (27/06). De acordo com os trechos que circulam nas redes: “Faltou graça e leveza, pouco domínio da espacialidade cênica.” “Demonstrou graça, leveza, dança, performance e boa movimentação pelo espaço cênico. Consciência dos movimentos e gestos corporais com interpretação.” Já no item Amo do Boi, que também se refere à última noite do festival (29/06), duas avaliações foram compartilhadas. O destaque ficou para a pontuação recebida por João Paulo Farias, do Boi Garantido, que teria sido 0,1 ponto abaixo de Caetano Medeiros, do Caprichoso. “Atendeu adequadamente aos critérios avaliativos.” “Ocorreram problemas de afinação durante a apresentação.” Entre torcedores do Boi Garantido, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de a avaliação ter considerado apenas o critério de afinação vocal, sem levar em conta o conteúdo e a interpretação dos versos — parte importante do desempenho do item. Também aparecem entre as justificativas extraoficiais aquelas referentes ao item 1 – Apresentador: Assim como os demais documentos, essas justificativas também não foram oficialmente publicadas ou confirmadas até o momento desta reportagem. Vale lembrar que o Festival Folclórico de Parintins adota um sistema rígido e sigiloso de apuração, com critérios técnicos definidos por edital e avaliação feita por jurados de fora do estado. A divulgação oficial das justificativas costuma ocorrer após o encerramento do festival, em momento definido pela comissão organizadora. Até a publicação desta matéria, a direção do Festival, bem como os bois Caprichoso e Garantido, ainda não se pronunciaram sobre a veracidade do conteúdo que circula nas redes. A equipe da Update Manauara segue acompanhando o caso e mantém o espaço aberto para atualizações e manifestações oficiais.
Superintendente da SUFRAMA, Bosco Saraiva, comenta possível tarifa dos EUA e pede confiança na negociação
O superintendente da SUFRAMA, Bosco Saraiva, reforçou nesta quinta-feira (10) o compromisso da autarquia com “o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” em reação à recente taxação decretada pelos Estados Unidos. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que, apesar do impacto econômico direto ser “quase insignificante” para o Polo Industrial de Manaus, a orientação “deve ser a cautela e a prudência” . Saraiva destacou a confiança na capacidade de negociação do governo brasileiro e do seu ministro, reiterando que a SUFRAMA não foge ao tom diplomático adotado pelo presidente Lula. “O nosso posicionamento é o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva… Evidentemente que a cautela e a prudência nesse momento deve ser o norte do nosso comportamento. Assim será aqui na SUFRAMA”, afirmou (). A SUFRAMA, órgão estratégico que administra a Zona Franca de Manaus e contribui significativamente para o desenvolvimento do Norte do país, ressalta que seu faturamento — regularmente divulgado — não sofrerá grande impacto com as medidas anunciadas pelos EUA. Tensão internacional Lula x Trump Nos últimos dias, o presidente Donald Trump elevou a pressão sobre o Brasil ao anunciar uma tarifa de 50% para importações brasileiras, com início previsto para 1º de agosto, uma escalada em relação aos 10% anteriores . A decisão ocorre num momento de clara tensão política, que envolveu trocas de críticas entre Trump — que qualificou Lula como “imperador” — e o presidente brasileiro, que rebateu afirmando que o Brasil “não quer um imperador” . A cúpula do BRICS, realizada esta semana no Rio de Janeiro, foi palco de fortes críticas às medidas comerciais de Trump. No encontro, Lula afirmou que o bloco não busca confronto, mas advoga por uma reorganização global mais justa e menor dependência do dólar . Especialistas alertam que a inclusão de tarifas punitivas contra membros do BRICS pode agravar ainda mais as relações comerciais e instigar um sentimento protecionista global .


