Ex-presidente foi considerado culpado por cinco crimes; pena será cumprida em regime inicial fechado A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou, nesta quinta-feira (11), a pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicial fechado para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado no processo que apura a chamada trama golpista. Além da prisão, ele deverá pagar 124 dias-multa, cada um no valor de dois salários mínimos. Do total da pena, 24 anos e 9 meses correspondem à reclusão e 2 anos e 9 meses à detenção. O cálculo foi proposto pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, e acompanhado pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, formando maioria na Primeira Turma. O ministro Luiz Fux votou pela absolvição de Bolsonaro, mas ficou vencido e não participou da dosimetria. As condenações de Bolsonaro O núcleo da trama golpista Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro e outros sete ex-ministros e militares compunham o núcleo crucial da trama. O grupo teria articulado, entre 2021 e 2023, um conjunto de ações para desacreditar o sistema eleitoral, insuflar atos violentos e tentar impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As provas reunidas incluem lives, reuniões gravadas, documentos com planos golpistas e os atos violentos de 8 de janeiro de 2023, que depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. A decisão dos ministros Para a maioria da Primeira Turma, os elementos apresentados configuram uma tentativa concreta de ruptura da ordem democrática. “Não se trata de mera retórica política, mas de um plano estruturado e articulado para inviabilizar a alternância de poder”, destacou o relator Alexandre de Moraes. Os votos de Dino, Cármen Lúcia e Zanin reforçaram a visão de que Bolsonaro teve papel de liderança na organização criminosa e não pode ser tratado como figura secundária. Marco histórico A condenação é inédita: pela primeira vez um ex-presidente da República é condenado pelo Supremo por tentar abolir o Estado Democrático de Direito e articular um golpe de Estado. A decisão deve ter repercussões profundas no cenário político nacional, fortalecendo a posição do STF como guardião da Constituição, mas também alimentando debates sobre polarização, direitos políticos e o futuro da direita brasileira sem Bolsonaro no centro.
Papa Leão XIV pede evangelização na Amazônia e reacende debate sobre colonização cultural
Telegrama enviado ao Encontro de Bispos da Pan-Amazônia defende a “clareza e caridade” no anúncio de Jesus Cristo, mas especialistas alertam para riscos de apagamento das culturas indígenas. Manaus (AM) – Durante o Encontro de Bispos da Pan-Amazônia, realizado em Bogotá, na Colômbia, o Papa Leão XIV enviou um telegrama reforçando o papel da Igreja Católica na região. A mensagem, assinada pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, destacou a necessidade de anunciar Jesus Cristo “com clareza e imensa caridade entre os habitantes da Amazônia” e defendeu o cuidado da chamada “casa comum” como dever confiado por Deus. Segundo o pontífice, a missão pastoral deve se basear em três dimensões interligadas: a evangelização, a justiça social para os povos da Amazônia e a preservação ambiental. “É necessário que Jesus Cristo, em quem se recapitulam todas as coisas, seja anunciado (…) de tal forma que lhes demos o pão fresco e límpido da Boa Nova e o alimento celeste da Eucaristia”, diz o documento. O evento reúne mais de 90 bispos de 76 jurisdições eclesiásticas dos nove países amazônicos e é o primeiro grande encontro episcopal desde o Sínodo da Amazônia, realizado em 2019. O outro lado: risco de apagamento cultural Apesar do tom pastoral, o discurso do Papa reacende discussões antigas sobre a atuação da Igreja na Amazônia. Para estudiosos, lideranças indígenas e movimentos sociais, a insistência na evangelização pode representar uma ameaça direta às tradições, cosmologias e modos de vida milenares. Historicamente, a catequização esteve ligada ao processo de colonização da região, que resultou na perda de línguas, rituais e identidades. Ao defender que a salvação está unicamente no Cristo anunciado pela Igreja, abre-se espaço para a continuidade de uma narrativa que coloca culturas originárias em posição de “incompletas” ou “inferiores”. “Esse discurso de evangelizar os povos indígenas, ainda que envolto em palavras como caridade e justiça, ecoa a lógica da colonização. É uma visão que ignora que esses povos já têm suas espiritualidades, suas formas de compreender o mundo e de se relacionar com a natureza”, comenta uma pesquisadora amazonense ouvida pela reportagem. Fé, diversidade e futuro da Amazônia A Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), criada em 2021 a partir das reflexões do Sínodo, busca justamente integrar bispos, leigos, mulheres e povos originários no debate sobre o futuro da Igreja na região. No entanto, ao reforçar a evangelização como caminho central, o telegrama de Leão XIV expõe uma contradição: como conciliar o respeito à diversidade cultural com o objetivo de levar adiante uma fé universalizante? Enquanto bispos discutem novos caminhos pastorais em Bogotá, na própria floresta vozes indígenas continuam a reivindicar autonomia e respeito às suas práticas espirituais. Para eles, defender a Amazônia significa também proteger os modos de existir e acreditar que resistem há séculos, antes mesmo da chegada dos colonizadores.
Disneylândias do sexo: antros de prostituição infantil no Amazonas voltam a ser pauta nacional
Região da Amazônia Legal concentra hoje os maiores índices de abuso e exploração de crianças e adolescentes no Brasil Uma reportagem publicada em 1997 pelo jornal O Globo trouxe à tona uma realidade brutal da capital amazonense: bares-cassino conhecidos como “Disneylândias do sexo”, onde meninas entre 12 e 16 anos eram exploradas por frequentadores que iam de corretores de seguros a policiais e advogados. Quase três décadas depois, o tema volta a ganhar destaque nacional, em meio a novos dados que apontam a Amazônia Legal como a região com os piores índices de violência sexual contra crianças e adolescentes no país. O caso da menina L., então com 13 anos, ilustrou a perversidade do sistema. Durante o dia, ela brincava de amarelinha e assistia à apresentadora Angélica na televisão. À tarde, obrigada pela própria mãe, era levada a bares de Manaus para atender homens que pagavam cerca de R$ 15 por programas sexuais. A cena foi registrada por jornalistas infiltrados, que flagraram um corretor de 56 anos negociando a exploração da criança sem qualquer constrangimento. Em seguida, ele a levou para um motel, onde, por apenas R$ 5, era possível se hospedar com menores sem exigência de documentos. Na época, os bares Holanda, Natureza e Jacutinga eram símbolos de um submundo marcado por roletas, exploração de meninas e conivência policial. Relatos coletados por jornalistas mostraram crianças com cicatrizes de agressões, vítimas de abusadores que frequentemente não pagavam pelo serviço e ainda ameaçavam as menores. Muitos desses jovens eram trazidos do interior do Amazonas pelos próprios pais, em uma realidade de fome e violência doméstica. A repercussão levou a operações policiais e à prisão de alguns envolvidos, incluindo um delegado da Polícia Civil que, anos depois, chegaria a ocupar a chefia da instituição. Contudo, apesar das batidas e do fechamento de parte dos bares, a exploração sexual de crianças não foi erradicada — apenas se reinventou. Segundo o repórter Amaury Ribeiro Jr., autor do livro Poderosos pedófilos: Cidadãos de bem que roubam e exploram a infância no Brasil, lançado em 2000, a prostituição infantil migrou para a internet, onde continua sendo alimentada por redes criminosas. Amazônia concentra os piores índices Um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que seis dos dez estados com os maiores índices de violência sexual contra crianças e adolescentes estão na Amazônia Legal. Entre 2021 e 2023, a região registrou mais de 38 mil casos de estupro de vítimas de até 19 anos e quase 3 mil mortes violentas intencionais nessa faixa etária. Os números são alarmantes: somente em 2023, a Amazônia registrou uma taxa de 141,3 casos de violência sexual a cada 100 mil crianças e adolescentes — 21,4% acima da média nacional, que foi de 116,4. Os dados revelam que, apesar da comoção causada pelas reportagens nos anos 1990, a exploração sexual de menores na região segue sendo uma chaga aberta, agora com novas formas de atuação e ainda marcada pela impunidade. O problema é agravado pela combinação de vulnerabilidade social, ausência de políticas públicas eficazes e atuação de redes criminosas que se aproveitam da pobreza de famílias ribeirinhas e indígenas. Instituições como a Casa Mamãe Margarida, em Manaus, continuam sendo um dos poucos refúgios para meninas vítimas de violência, repetindo uma luta que já durava nos anos 1990. A volta do tema ao debate nacional expõe não apenas a permanência do problema, mas também a necessidade urgente de enfrentar, com ações integradas e permanentes, a exploração sexual infantil na Amazônia — uma ferida que atravessa gerações.
Janja chega a Manaus para encontros com comunidades e cientistas rumo à COP30
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, desembarcou em Manaus nesta segunda-feira (18) para cumprir uma série de compromissos ligados à preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro de 2025, em Belém (PA). Logo no primeiro dia, Janja visitou comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, entre Manaus, Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. Nas localidades de Santa Helena dos Ingleses e Tumbira, ela conheceu iniciativas de turismo comunitário, manejo sustentável da floresta e projetos de empreendedorismo feminino. Em registros publicados nas redes sociais, a primeira-dama destacou a importância das mulheres amazônidas na economia regional e o papel da cultura local no fortalecimento da identidade amazônica. “É muito forte o turismo de base comunitária aqui, com mulheres à frente de projetos que valorizam a floresta e oferecem experiências únicas para visitantes do Brasil e do mundo”, disse Janja, durante uma roda de conversa em Iranduba, que contou com a presença de moradores e comerciantes da região. Compromissos acadêmicos A partir desta terça-feira (19), a agenda da primeira-dama se volta para a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde ocorre o Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia, organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão). O evento reunirá mais de 200 pesquisadores e representantes de 40 instituições para discutir propostas voltadas à Agenda de Ação do Mutirão Global contra a Mudança do Clima (2025–2035). Os debates incluem temas como transição energética, gestão de recursos naturais e transformação agrícola. As atividades começam no Centro de Ciências do Ambiente (CCA), no setor Sul do campus, com painéis ao longo do dia 19 e uma plenária final para consolidar as recomendações. No dia seguinte (20), o encontro prossegue no auditório Eulálio Chaves, onde será apresentado oficialmente o documento final ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 no Brasil. Também participará da solenidade a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Com a visita à Amazônia, Janja reforça o protagonismo da região nos debates globais sobre mudanças climáticas e busca aproximar comunidades locais, academia e poder público na construção de soluções para o futuro.
Anitta participa de ritual sagrado durante visita a aldeia indígena no Xingu
A aldeia Kuikuro, localizada no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, recebeu neste sábado (16) a visita da cantora Anitta durante a realização do Kuarup, um dos rituais mais importantes dos povos originários da região. A cerimônia, sagrada para os indígenas do Alto Xingu, é dedicada à despedida de grandes líderes e marca o fim do luto, reunindo diferentes etnias em celebração à memória e à continuidade da cultura. Anitta acompanhou o ritual ao lado do apresentador Luciano Huck, em gravação para o programa Domingão com Huck, da TV Globo. Imagens divulgadas pelo perfil Mídia Indígena mostraram a artista junto de representantes Kuikuro e de outras comunidades presentes. Neste domingo (17), a cantora também terá um encontro com o Cacique Raoni, uma das lideranças indígenas mais reconhecidas do país e símbolo da defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários. A presença de Anitta no território Xingu tem um peso simbólico e político. Ao levar sua imagem pública para dentro da aldeia, a artista amplia a visibilidade de pautas que historicamente enfrentam invisibilidade e resistência, como a luta pela demarcação de terras e a preservação ambiental. “Cada passo nesse território é também um gesto de reconhecimento e de respeito às tradições que guardam a memória da floresta”, destaca a publicação do Mídia Indígena. A artista tem histórico de engajamento em causas ambientais e sociais. Além de apoiar organizações internacionais, já usou palcos de grande impacto, como o Global Citizen Festival, em Nova York, para denunciar violações de direitos e reforçar a centralidade da Amazônia nas discussões sobre o futuro do planeta. Em 2025, ela estará na edição do festival em Belém, no Pará, quando a região amazônica estará no centro do debate global sobre crise climática e justiça social. A visita ao Xingu, no entanto, é mais do que uma ação de visibilidade midiática: representa uma ponte entre culturas e um convite para que a sociedade brasileira valorize a resistência indígena. O Kuarup, que une espiritualidade, memória e coletividade, ganhou neste fim de semana novos olhares ao ser acompanhado por milhões de espectadores através das lentes da televisão e das redes sociais.
Os dois lados de um mesmo Brasil: crítica “No céu da pátria nesse instante”
Assistir a No Céu da Pátria Nesse Instante, novo documentário de Sandra Kogut e Henrique Landulfo, é como abrir um álbum de memórias que preferíamos ter guardado no fundo da gaveta, mas que precisamos revisitar para entender o que vivemos. São 1h45 que não se arrastam, não se perdem, cada corte, cada cena, é um passo calculado dentro de um registro que beira o cirúrgico. O filme nos leva de volta aos meses mais turbulentos da recente história política brasileira: as eleições de 2022 e o rastro que elas deixaram até o 8 de janeiro de 2023. Mas, diferente de uma cobertura jornalística tradicional, ele nos joga direto para dentro dos bastidores, das campanhas, das estratégias, do trabalho quase invisível do TSE e, sobretudo, das ruas. É o Brasil polarizado visto de todos os ângulos possíveis: capitais fervendo em militância, interiores mais cadenciados e silenciosos, mas igualmente atravessados pela desinformação e pela disputa. O mérito aqui não está apenas no registro dos fatos, mas na forma como eles são apresentados. A montagem é um personagem à parte. Conseguir costurar imagens captadas por diferentes equipes, em mais de 15 estados, sem perder qualidade técnica ou coerência narrativa, é um trabalho quase coreográfico. Cada sequência carrega uma tensão latente, um peso que quem viveu aqueles meses sente na pele. É impossível não reviver a ansiedade de cada discurso inflamado, a insegurança de cada esquina com opositores armados e a apreensão diante da ameaça à democracia. O documentário também não nos poupa da crueza dos dois lados. Observamos tanto os entusiastas da “verdade absoluta” alimentados por religião, fé e manipulação quanto os que, com medo e resistência, se lançaram à rua para defender um sistema eleitoral constantemente atacado. É um retrato de um país que não conversa consigo mesmo, e que talvez tenha perdido temporariamente essa capacidade. E aí, quando menos esperamos, no meio da contagem dos votos, três senhoras começam a cantar Vermelho, toada de Chico da Silva, hino do Boi Garantido. No Rio de Janeiro, longe de Parintins, longe do nosso Amazonas, aquela melodia ecoa carregada de paixão. Para elas, naquele momento, o vermelho era a cor da vitória política que defendiam. Para mim, foi como um abraço inesperado da minha própria identidade cultural. Foi ali que percebi que o documentário não estava apenas mostrando um Brasil dividido, estava revelando como símbolos, cores e canções carregam significados múltiplos e, muitas vezes, opostos. O final nos entrega um respiro. Há lágrimas, abraços, derrotas amargas e vitórias aliviadas. O filme não julga, mas nos lembra o que estava em jogo. E, mesmo já sabendo o desfecho, é impossível não se arrepiar com as imagens das apurações, como se estivéssemos vivendo a final de uma Copa do Mundo, só que, desta vez, com o futuro do país na balança. No Céu da Pátria Nesse Instante é, acima de tudo, um espelho. E como todo espelho, pode ser incômodo. Mas é preciso olhar.
Txai Suruí, ativista indígena de Rondônia, é escolhida para grupo global da ONU sobre mudanças climáticas
No Dia Internacional da Juventude, celebrado em 12 de agosto, a indígena brasileira Txai Suruí foi anunciada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como integrante do Grupo Consultivo de Jovens sobre Mudança Climática. A iniciativa, que passa a contar com 14 representantes de diferentes regiões do mundo, tem a missão de oferecer à liderança das Nações Unidas recomendações e perspectivas para acelerar a resposta global à crise climática. Txai, de 28 anos, pertence ao povo Paiter Suruí, de Rondônia, e é reconhecida internacionalmente por sua atuação na defesa da justiça climática e dos direitos dos povos originários. Em 2021, ganhou projeção mundial ao discursar na abertura da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), no Reino Unido. Fundadora e coordenadora do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia, ela também lidera a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé — organização que atua há mais de três décadas na proteção de territórios e culturas indígenas na Amazônia, abrangendo áreas de Rondônia, sul do Amazonas e noroeste do Mato Grosso. Formada em Direito e primeira mulher de seu povo a conquistar o diploma, Txai utiliza a formação jurídica para fortalecer a luta indígena e ambiental. A nomeação ocorre em um momento estratégico, quando países signatários do Acordo de Paris devem apresentar novos compromissos nacionais para conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C. Ao anunciar os novos membros, Guterres destacou a importância de ampliar o espaço para jovens na tomada de decisões climáticas: “Mais vozes jovens à mesa significam mais liderança e mais capacidade de moldar ações concretas para enfrentar a crise”. Além de Txai Suruí, outras 13 lideranças juvenis — representando causas e realidades diversas — passam a integrar o grupo, que terá reuniões periódicas com a ONU para contribuir com políticas e estratégias ambientais de alcance global.
9 de agosto: Índio ou indígena? Influenciadores esclarecem diferença e reforçam identidade
No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, os influenciadores e criadores de conteúdo originários de diferentes regiões do Brasil aproveitou a força das redes sociais para desmistificar um tema ainda marcado por equívocos e estereótipos: a diferença entre os termos “índio” e “indígena”. José Kaeté, do povo Tupinambá (PA), Carol Puyanawa, da Terra Indígena Mâncio Lima (AC), e Marciele Albuquerque, do povo Munduruku (PA), protagonizaram um vídeo que circulou no Instagram e no TikTok, explicando as origens e implicações de cada palavra. Segundo eles, “índio” é um termo criado no século XVI por colonizadores europeus que, acreditando ter chegado às Índias, passaram a chamar assim todos os povos que habitavam o território invadido. A expressão, além de equivocada, homogeneizou centenas de etnias e culturas distintas. Já “indígena” significa originário da terra, aquele que pertence a um povo que vivia no território antes da colonização. O termo, reforçam os influenciadores, é o mais adequado por respeitar a autodeclaração e a diversidade cultural dos povos originários. A própria Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) recomenda o uso de “indígena” justamente para evitar generalizações e estigmas históricos. 9 de agosto, data que reforça a luta e a identidade dos povos indígenas no Brasil e no mundo A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 como o Dia Internacional dos Povos Indígenas, com o objetivo de reconhecer e valorizar as culturas, tradições e contribuições desses povos para a humanidade. No Brasil, onde vivem mais de 1,6 milhão de indígenas, distribuídos em 305 etnias e falando mais de 270 línguas, a celebração também é um momento de reflexão sobre os desafios atuais. A ONU e organizações indígenas alertam que, além da preservação cultural, é urgente garantir a proteção territorial e combater ameaças como o desmatamento, a violência e a discriminação. A data, portanto, não se limita à celebração: é também um chamado à conscientização e à ação para que esses povos possam viver com autonomia e dignidade. Assim, enquanto o vídeo dos influenciadores rompe com estereótipos no ambiente digital, o Dia Internacional dos Povos Indígenas reforça a importância de transformar esse reconhecimento em políticas e práticas concretas — unindo tradição, identidade e futuro.
Suframa assegura apoio à reconstrução de fábrica destruída após incêndio em Manaus
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na tarde da última terça-feira (5), as instalações da fábrica Effa Motors, localizada na Avenida Flamboyant, no Distrito Industrial II, em Manaus. As chamas se alastraram rapidamente, destruindo grande parte da estrutura da empresa, que atua na produção de veículos utilitários, furgões e caçambas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 12h e, até a manhã desta quarta-feira (6), ainda atuava no controle do fogo. Mais de 148 militares e 26 viaturas foram mobilizados na operação de combate às chamas. A principal preocupação era evitar que o incêndio se espalhasse para áreas de mata e para outras fábricas vizinhas. Suframa acompanha o caso e promete agilidade nos trâmites para reconstrução Durante visita ao local nesta quarta-feira (6), o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, classificou o incêndio como um evento “traumático” para o setor industrial do Amazonas. Ele destacou que a autarquia acompanha o caso desde o início e está pronta para contribuir com a reconstrução da empresa. “Estamos prontos para ajudar na reconstrução da Effa, vencendo com rapidez os trâmites burocráticos. É uma fábrica estratégica para o Polo Industrial de Manaus, sendo a única que produz veículos utilitários na região”, afirmou Saraiva. Segundo ele, a Suframa já mobilizou sua equipe técnica e pretende acelerar os processos administrativos e institucionais necessários para garantir que a empresa retome suas atividades o mais breve possível. Prejuízos ainda não foram estimados De acordo com o superintendente, ainda é cedo para calcular os prejuízos causados pelo incêndio. Saraiva reforçou que o momento é de cautela e solidariedade à diretoria da empresa e aos trabalhadores afetados. “Não podemos avaliar a extensão disso. O momento agora é de cautela e de apoio à diretoria da Effa. Depois, a gente vai contabilizar os prejuízos efetivos e ajudar no que for possível”, declarou. A expectativa é de que o laudo técnico do Corpo de Bombeiros, ainda em andamento, possa apontar as causas do incêndio e fornecer mais clareza sobre os danos materiais. Fábrica vizinha também foi atingida Além da Effa Motors, a empresa Valfilm da Amazônia, especializada na produção de embalagens plásticas flexíveis, também foi atingida pelas chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os esforços se concentraram em evitar o alastramento do fogo, o que poderia comprometer ainda mais a estrutura do Distrito Industrial. Uma funcionária ferida está hospitalizada Uma funcionária da Valfilm, identificada como Letícia Gomes, de 21 anos, grávida de dois meses, ficou ferida durante o incêndio. Ela sofreu queimaduras de segundo grau e foi internada no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. De acordo com o boletim médico divulgado pelo Complexo Hospitalar Sul (CHS), Letícia está consciente, orientada e sem risco de morte. Ela segue internada em leito de enfermaria, recebendo atendimento de uma equipe multiprofissional. Apoio institucional e financeiro O superintendente da Suframa também afirmou que, além do suporte técnico e institucional, a autarquia atuará para facilitar a interlocução com o governo federal e com instituições financeiras que possam contribuir com a recuperação da Effa Motors. “As empresas do Polo Industrial já contam com incentivos fiscais. Em casos como este, é possível buscar apoio junto ao Banco da Amazônia (BASA) e à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Suframa vai atuar para garantir que esse processo ocorra com agilidade”, finalizou Saraiva. Situação atual Até o momento, o incêndio já dura quase 20 horas. O trabalho de rescaldo ainda continua e o local permanece sob monitoramento das equipes de segurança. A comunidade industrial aguarda com expectativa a conclusão dos trabalhos técnicos e o início das ações efetivas para reconstrução da fábrica.
Alta do “morango do amor” movimenta a economia em Manaus e impulsiona vendas de docerias
Nos últimos meses, um doce viralizou nas redes sociais e virou febre entre os manauaras: o Morango do Amor. Inspirado em uma releitura moderna da maçã do amor, o doce — que traz morangos frescos envoltos em brigadeiro de leite ninho e cobertos por uma calda de açúcar vermelha brilhante — conquistou o paladar (e o coração) dos consumidores, gerando uma verdadeira corrida às docerias da cidade. Com a explosão de pedidos, o reflexo direto foi sentido na economia local: o preço do morango disparou em feiras e distribuidores, mas a alta não foi suficiente para frear o apetite dos consumidores. Ao contrário, a demanda crescente aqueceu as vendas e impulsionou os lucros de quem soube aproveitar a onda — como foi o caso da empreendedora Paola Pierre, fundadora da doceria Benfeito, Feito Doceria. “Desde que lançamos o cardápio junino no começo de julho, o Morango do Amor virou um sucesso imediato. Começamos com uma equipe de dois e hoje já somos oito pessoas na produção”, contou Paola em entrevista à Update Manauara. Um fenômeno doce e repentino A Benfeito já estava preparando seu cardápio temático para o período de festas juninas, quando Paola notou que o doce estava viralizando em vídeos nas redes. Foi aí que resolveu apostar na novidade. O retorno? Rápido e avassalador. “Não tivemos nem tempo de organizar direito a logística interna. Em questão de dias, o doce se tornou um boom”, lembra. A repercussão foi tamanha que a doceria registrou aumento expressivo nas redes sociais, novos clientes e um crescimento significativo na produção. O doce está sendo vendido a R$ 18,90 a unidade — um valor que, segundo Paola, precisou ser reajustado diversas vezes por conta do aumento no preço do morango, que é a estrela da receita. “Temos um setor responsável pela precificação. Desde julho, já enfrentamos vários aumentos nos insumos, principalmente no morango, que é nosso principal ingrediente”, explica. Técnica e cuidado Apesar de parecer simples, o Morango do Amor exige técnica. O segredo, segundo Paola, está no controle da temperatura da calda de açúcar com corante vermelho. “É um processo delicado. A calda precisa atingir o ponto certo, senão pode queimar e ainda representar risco de acidentes. É preciso muito cuidado”, orienta a empresária. Sobre a doceria A Benfeito, Feito Doceria está há cinco anos no mercado de Manaus e atua exclusivamente de forma virtual. Os pedidos podem ser feitos pelo site da marca ou pelo iFood. Também é possível realizar a retirada diretamente no local de produção. “Como você consegue adquirir o melhor Morango do Amor é através do nosso site, que eu também vou deixar aqui para vocês, tá? benfeitofeitovu3.clientefiel.app E será um prazer receber o seu pedido”, finaliza Paola.


