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Crítica – Animais Perigosos: Quando o humano é o maior vilão

Alguns anos atrás, Sean Byrne já havia me conquistado com Entes Queridos, obra que transformava uma única locação em terreno fértil para a escalada de loucura e violência. Em Animais Perigosos, o diretor retoma essa mesma pulsão de levar a tensão até o limite, mas agora em um filme que dialoga com o slasher, com a onda de serial killers em alta e com a pós-ironização contemporânea. Tudo isso é encarnado em Jai Courtney, que entrega um personagem fascinante justamente porque é desconfortável: um sujeito cuja psique destroçada cria um universo paralelo, exposto na tela através da brutalidade.

Se Courtney encarna o delírio, Hassie Harrison traz o contraponto essencial. Mais do que a típica “final girl”, ela assume a função de coração narrativo — algo próximo do que Blake Lively faz em Águas Rasas. É através dela que o espectador se ancora no desejo de sobrevivência, equilibrando a estranheza excêntrica do protagonista.

Byrne ainda mostra segurança visual em planos que flertam com o fantástico, acompanhados por uma trilha sonora que amplia a sensação de imersão. O resultado cria passagens quase oníricas, lembrando em certa medida a estilização de Terror na Água 3D (2011), mas sempre adaptadas ao espírito do tempo e à lógica interna desse novo trabalho.

Assim como Zach Cregger em Noites Brutais, Byrne também brinca com a dinâmica das fitas de vítimas, um recurso que expõe não só o tempo de atividade do assassino, mas que torna sua construção ainda mais complexa e interessante. Esses fragmentos dão ao espectador a noção de que o horror não começa nem termina com a trama que vemos, mas que se estende para um passado assombroso.

A encenação de Byrne encontra na água escura não apenas o habitat do tubarão, mas um espaço simbólico de onde emergem múltiplas possibilidades de horror. O monstro não é o único perigo: a violência se materializa em diferentes frentes, sempre filtrada pelo olhar perturbado do assassino. Aqui, a criatura marinha assume um caráter quase místico, evocando inevitavelmente Tubarão, de Spielberg — mas Byrne a reposiciona com tons tragicômicos, mesclando romance, serial killer e uma homenagem sincera ao clássico que redefiniu o cinema de suspense.

E é no voyeurismo que Animais Perigosos encontra sua camada mais instigante. O assassino, vivido por Jai Courtney, transforma a violência em espetáculo, brincando com a aura psicológica das vítimas e, por consequência, também com a nossa enquanto espectadores. O humano, afinal, sempre será o maior vilão de si mesmo — e Byrne sabe bem como explorar essa ferida que não se fecha.

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Lucas Cine

Redator chefe de entretenimento da Update Manauara. Crítico de cinema, apresentador do Lucas Cine Podcast e fã de terror.

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