Movimentos sociais, sindicatos e frentes populares de Manaus irão às ruas nesta sexta-feira (1º) em protesto contra o chamado “tarifaço de Trump” — pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve atingir diretamente setores estratégicos da economia brasileira, como o de madeira e ferro-gusa.
O ato está marcado para às 16h, na Praça da Polícia, no Centro de Manaus, em frente ao Palacete Provincial, local simbólico de resistência histórica na capital amazonense. A manifestação integra uma mobilização nacional convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de diversas organizações sociais e sindicais em todo o país.
Além da capital amazonense, os protestos ocorrerão em pontos estratégicos como os consulados dos EUA em São Paulo e no Rio de Janeiro, e na embaixada americana em Brasília. Outras capitais como Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis também confirmaram participação.
Tarifaço adiado, mas protesto mantido
Inicialmente previsto para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º), o tarifaço foi adiado para o próximo dia 6 de agosto, segundo decreto assinado por Trump na última quarta-feira (30). Ainda assim, os atos foram mantidos como forma de resposta política à medida, considerada por lideranças sindicais como uma agressão à soberania brasileira.
“É uma interferência no judiciário e na soberania nacional. O único país que teve motivação política nas tarifas foi o Brasil. Isso não é só uma questão comercial”, afirmou Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, em entrevista à Agência Brasil.
Efeitos econômicos e riscos trabalhistas
Os principais setores afetados pelo tarifaço, de acordo com a CUT, são o da madeira e o de ferro-gusa, que têm como principal mercado de exportação os Estados Unidos. A preocupação é com possíveis impactos imediatos, como demissões e paralisações.
Entretanto, Sérgio Nobre afirmou que há mecanismos suficientes para preservar os empregos nas áreas mais atingidas, como férias coletivas, antecipações de feriados e até layoff — modalidade de suspensão ou redução da jornada de trabalho.
“Até agora, nenhuma empresa comunicou intenção de demitir. As conversas com sindicatos têm sido no sentido de buscar saídas negociadas”, reforçou o dirigente.
Pautas locais e nacionais
Além do repúdio ao tarifaço, a manifestação em Manaus e nas demais cidades também irá pautar reivindicações locais e nacionais: o fim da escala 6×1, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, taxação de grandes fortunas, redução da jornada de trabalho, oposição ao PL da devastação ambiental, combate à pejotização e denúncia ao genocídio em Gaza.









