Subscribe for Newsletter

Edit Template

Neto de Eunice Paiva entra com o Garantido em noite marcada por luta indígena e quilombola

Na primeira noite do Festival Folclórico de Parintins, o Boi Garantido levou à arena uma apresentação marcada por força, pertencimento e ancestralidade. Mas entre os muitos momentos que tocaram o público, um gesto silencioso se destacou: Chico Rubens Paiva entrou no Bumbódromo como parte do espetáculo. Um nome que, para muitos, talvez ainda não diga muito. Mas que carrega uma história profunda — e uma herança que se conecta diretamente ao tema que o Garantido escolheu para iniciar sua jornada: a luta por território, memória e justiça.

Chico é neto de Eunice Paiva, uma das mulheres mais importantes na defesa dos direitos indígenas e quilombolas no Brasil. Advogada, militante dos direitos humanos e viúva do ex-deputado Rubens Paiva — morto pela ditadura militar nos anos 1970 — Eunice transformou o luto em ação. E fez da justiça sua forma de reconstruir não apenas a própria vida, mas a vida de comunidades inteiras que, por décadas, tiveram seu direito à terra negado.

Ela trabalhou na Funai durante os anos 1980 e 1990 e foi responsável por destravar processos de demarcação fundamentais no Maranhão, no Pará e em Rondônia. Com um trabalho jurídico de base, anulou títulos ilegais de posse, fortaleceu comunidades tradicionais e garantiu que o que estava escrito na Constituição passasse a valer na prática. Eunice, inclusive, participou diretamente da construção dos artigos que hoje protegem os direitos territoriais dos povos originários e quilombolas.

A apresentação do Garantido, neste ano, trouxe para o centro da arena o tema da terra — não como paisagem ou alegoria, mas como luta viva. Entre os destaques da noite, esteve o reconhecimento da Baixa da Xanda como território quilombola. Um ato que, feito em plena arena, transforma a festa em manifestação política e cultural de resistência. Foi nesse contexto que a presença de Chico Rubens Paiva se encaixou com tanta força: ele levou consigo o nome de uma mulher que fez dessa luta o seu caminho, e cuja memória continua ressoando nos territórios e nos corpos que resistem.

Parintins é uma celebração folclórica, mas também é um lugar onde a arte se mistura com a política, com a história, com a realidade dos povos da Amazônia. Quando o Garantido coloca Chico na arena, ele não está só homenageando a avó dele. Está reconhecendo que a cultura popular também é feita de alianças históricas. Que a justiça não se dá só nos tribunais, mas também nos terreiros, nas comunidades, nas palhas dos galpões, nas danças e nas vozes que ecoam no Bumbódromo.

Então, para quem se perguntou: quem é aquele rapaz? Ele é Chico Rubens Paiva, neto de uma mulher que ajudou a garantir o direito à terra de quem hoje canta, dança e resiste. E sua presença ali foi mais do que simbólica. Foi o corpo da memória dizendo: nós lembramos. E seguimos.

Escrito Por

Avatar photo

Lucas Cine

Redator chefe de entretenimento da Update Manauara. Crítico de cinema, apresentador do Lucas Cine Podcast e fã de terror.

Ethical Dimensions in the Digital Age

The Internet is becoming the town square for the global village of tomorrow.

Posts Populares

About Us

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, and pulvinar daHad denoting properly jointure you and occasion directly raillery. In said to of poor full.

You May Have Missed

  • All Posts
  • Amazonas
  • Brasil e Mundo
  • Ciência e Tecnologia
  • Cinema
  • Críticas
  • Destaques
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Games
  • Lucas cine
  • Luis cunha
  • Parintins
  • Política
  • Saúde
  • Séries e TV
  • Sociedade

Tags

© 2024 Created with Royal Elementor Addons