Uma análise sobre Abebe Bikila, durante a apresentação do #SouManaus2025.
Escrito por Hariel Fontenelle.
Etiópia, Rio de Janeiro e Manaus. Vamos traçar essa tríade para tentar explicar isso. Abebe Bikila, o maior maratonista da Etiópia e um dos maiores de todos os tempos, que tal iniciarmos por ele primeiro?
O primeiro negro a vencer uma medalha de ouro olímpica, e detalhe, descalço.

“Nome de vencedor, mamãe sabia o que eu seria”
Bk’ – Continuação de um sonho – Icarus (2022)
Foram 42 km e a história foi feita. O atleta nos deixou em 1973, e 16 anos depois em 1989 nasceria aquele que ditaria uma nova fase do rap nacional.
Um detalhe importante (talvez eu seja meio louco por cogitar isso) mas são 16 anos de diferença entre Abebe (atleta) e Abebe (artista) certo?
1+6 = 7
Bloco 7, Pirâmide Perdida Vol. 7
“Faz o 7, joga o paco, KGL, só os cria!”
Bk’ – Bloco 7 – O líder em movimento (2020)
Enfim, devaneios…
O que é rap pra você?

Essa relação é fundamental para entender a importância do BK na cena atual. O cara que vence, descalço apesar das adversidades sociais. Isso tudo é relevante.
E quando um artista desse calibre, pisa em solo amazonense pela segunda vez, a expectativa se torna protagonista.
Bk é aquele artista que te conquista de alguma forma. Uma pessoa que você ficou em um fim de noite, uma memória, uma saudade, um relacionamento, um término explosivo, um reencontro amigável ou nenhum desses cenários.
A questão é que as letras traduzem situações cotidianas. E como não simpatizar?
Nunca dedicou “Planos” para alguém? Ou teve que ouvir um “Música de amor nunca mais” depois de se iludir? Ou melhor, simplesmente tacou o dane-se e “Dispiei” da melhor forma?
São cenários que quase toda uma geração já passou. Um dia penso em escrever sobre cada álbum dele, vai ficar aí na nuvem.
A apresentação foi incrível. Histórica e posso até dizer que em alguns momentos foram apoteóticos.
Focado no DLRE (Diamantes, Lágrimas e Rostos pra esquecer), a apresentação foi direcionada totalmente para exaltação da cultura brasileira.

Abebe sempre resgatou suas referências em suas obras. De uma maneira genial, exaltou Evinha, Fat Family, Milton Nascimento, Djavan entre outros artistas que marcaram época.
Isso pra mim é ter um leque variado de qualidade, identidade, resistência e cultura. Imagina quantas pessoas são atingidas por frases?
Assistir esse álbum ao vivo, só confirmou o que eu já sabia. Vocais, presença de palco, interação com o público e os feats, fizeram a apresentação ser um espetáculo.
Encontro de gerações distintas que carregam o mesmo sentimento.
“Eu quero ser maior que essas muralhas, que eles construíram ao meu redor”
BK’ – Titãs – Gigantes (2018)
Abebe dita e continua essa maratona até o fim dela. E o mais importante, ele te convida a correr com ele, ou melhor: Correr pra você mesmo. Vença essa corrida.







