Subscribe for Newsletter

Edit Template

O “boi biônico” volta à arena: memória de 1978 emociona Garantido na segunda noite

Na segunda noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, o Boi Garantido reviveu uma de suas histórias mais marcantes. Em meio ao brilho das toadas e ao vermelho que pintou a arena, quem chamou atenção foi a entrada do “boi biônico”, guiado pelo amo do boi João Paulo Faria.

O público mais jovem pode até ter estranhado aquela estrutura de metal, mais simples que a exuberância tecnológica dos bois de hoje. Mas para quem conhece a história do festival, aquele boi significa resistência. Em 1978, o Garantido atravessava dificuldades financeiras e não tinha recursos para construir o boi de pano tradicional. Foi então que Jair Mendes, artista que transformou o festival com suas inovações, criou o que seria conhecido como “boi biônico”.

O apelido veio inspirado na série americana “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, sucesso de audiência nos anos 1970, que contava a história de um astronauta reconstruído com partes biônicas após um acidente – alguém que, mesmo com o corpo quebrado, voltava ainda mais forte. Assim como aquele homem biônico, o boi também renasceu de um momento de queda. Jair Mendes construiu uma estrutura metálica revestida em espuma, mais leve e com partes móveis. Um boi que, mesmo improvisado, parecia ter vida. Foi a primeira vez que o boi Garantido teve olhos que piscavam, orelhas que mexiam, movimentos de cauda e língua – detalhes que, naquela época, ninguém jamais tinha visto na arena.

Naquele ano, o “boi biônico” entrou para história como símbolo de coragem. Mesmo sem ter recursos, o Garantido se reinventou. E quase cinquenta anos depois, na arena de 2025, ele voltou como lembrança viva dessa força. Enquanto João Paulo conduzia o boi com passos firmes, era possível ver lágrimas nos olhos de muitos torcedores. Porque aquele boi não é apenas um objeto. Ele é o símbolo de um Garantido que, mesmo sem ter nada, inventava o possível para seguir brincando.

Em um festival cada vez mais marcado por megaestruturas, o boi biônico apareceu como um lembrete do essencial: a força que move Parintins nasce antes de qualquer tecnologia. Nasce do improviso que vira arte, da memória que atravessa gerações, do amor que faz cada brincante entrar na arena acreditando que, ali, dança muito mais do que um boi. Dança toda a história de um povo.

Escrito Por

Avatar photo

Lucas Cine

Redator chefe de entretenimento da Update Manauara. Crítico de cinema, apresentador do Lucas Cine Podcast e fã de terror.

Ethical Dimensions in the Digital Age

The Internet is becoming the town square for the global village of tomorrow.

Posts Populares

About Us

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, and pulvinar daHad denoting properly jointure you and occasion directly raillery. In said to of poor full.

You May Have Missed

  • All Posts
  • Amazonas
  • Brasil e Mundo
  • Ciência e Tecnologia
  • Cinema
  • Críticas
  • Destaques
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Games
  • Lucas cine
  • Luis cunha
  • Parintins
  • Política
  • Saúde
  • Séries e TV
  • Sociedade

Tags

© 2024 Created with Royal Elementor Addons