Materialização Cômica do Medo da Morte – O Macaco (2025) Critica

Oz Perkins definitivamente é um dos diretores que mais me chamam atenção no contemporâneo. Para olhares mais assépticos esperando falsas expectativas criadas pelo senso comum em volta do gênero de terror deve ser um baita balde de água fria chegar em um filme que o marketing, estrategicamente trabalhou nos nomes de Oz Perkins, pós sucesso de Longlegs, James Wan que por si só é gigante no gênero, e Stephen King, o rei dos contos, das histórias e livros de gênero. Que ao chegar no filme se depara com um filme de Terrir, sem ter medo de abraçar nenhum gênero que se propõe, em momentos completamente diferentes.

Os comentários sobre O Macaco muito se fala sobre “ser um filme bagunçado” e afins como algo pejorativo, mas aí onde, para a minha pessoa o filme brilha, brilha de uma maneira com que minhas bochechas ficaram erguidas o tempo todo com um sorrisão de satisfação de estar acompanhando alguém com tamanha criatividade, ou, nesse caso astúcia de tratar dessa maneira esse filme que, mesmo com um diálogo parental retratado em Longlegs, Blackcoats Daughter de traumas, do maléfico e do satânico em relações interpessoais passando seus medos e traumas para o próximo.

A comédia aqui é empregada de maneira satírica indo desde comentários alegóricos imagéticos de críticas armamentistas, traumas de guerra, bullying e até mesmo o senso de vida passageira que a vida tem naquele universo. Todos são erráticos, desiguais, imprevisíveis e acima de tudo, humanos. E isso traz uma comédia astuta imprimindo o quão louca e fantasiosa é aquela história. Até mesmo a maneira com que tais mortes são filmadas, o grafismo, a descolagem do crível, mas sim do excesso, da extrapolação e do movimento de câmera dando impacto a essas mortes sem que mesmo conheçamos as vítimas.

Não li o conto em que o longa se baseia, tampouco o livro em que o conto está -“tripulação de esqueletos”, e não que isso faça alguma diferença visto que são linguagens artísticas totalmente diferentes e uma não deve validar a outra. Mas com base em outras histórias que já li de Stephen King, me agrada muito todo o corpo estético desde a fonte que está no cartaz e durante o filme todo, o tom cartunesco das mortes encenadas e o encontro catastrófico de todas as narrativas em uma explosão sem sentido do mais profundo lugar comum em que poderíamos chegar. O humano por de trás da corda, a vingança barata e a escalada megalomaníaca a partir disso.

Para além de toda carga dramática trajada da linguagem cômica indo de encontro ao expositivo temos uma materializar desse discurso sobre o medo da morte, que aprisiona vidas que não vivem esperando o pior, moldando a crescente de loucura como ligação intrínseca do objeto amaldiçoado para com suas vitimas. E isso se estende até o ultimo segundo em um senso de autoconsciência lindo de assistir. Um filme em suma, fraternal em suas entrelinhas do medo da morte e o alivio do sentimento de perda como quase decupagem para isso.

Tirando toda a casca cômica e cruel das mortes cada vez mais usando o corpo para causar incomodo e risadas de situações tão mundanas e criveis, que faz com que toda a brincadeira das mortes, da ressignificação delas e como elas ao mesmo tempo que são importantes, acabam que no final são apenas trilhas no caminho do vilão. Vilão esse construído a partir da quase não aparição demostrando uma certo cuidado a imagem dele e o quanto ele é a personificação de tudo que o filme trata e mostra durante toda sua duração.

Em comparação direta podemos por Premonição como esse lugar comum de onde podemos ir de primeira com a contagem de corpos e um inimigo invisível que pode vir de todos os lados, todos os objetos e de qualquer maneira mortal possível para que o desejo dele seja sanado. Um filme que esbanja inquietude estruturada no seu ambiente e sua fragilidade, que ao mesmo tempo desarticula a complexidade humana de seus personagens para serem peões perfeitos no jogo macabro da morte. Ou seja qual for a entidade dentro do Macaco.

A sacada de termos um vilão sem planos aparentes agindo de forma completamente infantil e verborrágica como uma criança birrenta é uma das melhores escolhas para esse filme. Afinal, é um filme sobre as varias maneiras de se lidar com um luto e como aquilo vai perdurar sua vida, mesmo que amaldiçoada. Oz Perkins soube trabalhar como ninguém todas essas amalgamas de temas e narrativas mesclando com tom e abordagem, usando da estilização para aquilo tudo ter estofo cênico pondo em crise todo Niilismo através de mortes brutais.

Mais que tudo, O Macaco é um filme que dobra suas apostas quando elas já estão postas totalmente sobre a mesa, tirando a passividade da linguagem narrativa em prol da frontalidade de temas como o medo da morte, luto, a instantaneidade do desfalecer do corpo humano e o quanto somos passageiros por aqui.

Lucas Cine

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