Nos 15 anos em que a Disney vem produzindo remakes live-action de seus clássicos animados, nenhuma das entradas de grande orçamento chegou aos cinemas com menos de US$ 58 milhões nos EUA, após o ajuste pela inflação. O filme custou pelo menos US$ 350 milhões para ser feito e comercializado (a par com “Dumbo”, após o ajuste pela inflação).
Live-action da Disney está envolto em polêmicas
Entre outros lançamentos da semana, o drama de gangsters “The Alto Knights: máfia e poder”, que custou cerca de US$ 50 milhões para ser feito, excluindo marketing, estava a caminho de arrecadar desastrosos US$ 3 milhões na bilheteria dos EUA. O filme recebeu críticas fracas.
“Branca de Neve” dividiu críticos e público. Entre os críticos, as avaliações foram apenas 44% positivas, de acordo com o site Rotten Tomatoes. Entre os espectadores, no entanto, “Branca de Neve” foi muito melhor: a “pontuação do público” foi 71% positiva no sábado (22).
Um problema após o outro
Baseado no clássico animado de 1937 “Branca de Neve e os sete anões”, o filme da Disney encontrou um problema após o outro após iniciar a produção em 2021. A pandemia do coronavírus, a greve dos atores de 2023 e extensas refilmagens resultaram em estouros de orçamento. A Disney foi criticada por decisões criativas envolvendo “os sete anões”.
E a estrela franca do filme, Rachel Zegler, que é latina, virou um para-raios. Usuários da internet (a maioria homens) e alguns veículos de mídia de direita criticaram sua escalação, alegando que uma atriz de ascendência colombiana não tinha nada a ver com Branca de Neve, e que o apoio da Disney a ela era um exemplo de iniciativas de diversidade, equidade e inclusão de Hollywood descontroladas.
Alguns desses críticos celebraram os números da bilheteria do remake. Mas analistas rejeitaram essa teoria, dizendo que “Branca de Neve” provavelmente teve dificuldades nas bilheterias porque a propriedade intelectual subjacente é antiquada. Neste ponto, a Disney refez a maioria de seus clássicos animados mais recentes e foi forçada a passar para propriedades menos populares em sua biblioteca, incluindo “Lilo & Stitch”. Sua versão live-action chega aos cinemas em maio.
Planos arquivados
O público também começou a se cansar de remakes live-action de filmes animados em geral, de acordo com analistas, que citam retornos decrescentes nas bilheterias. A Disney está ciente dessa tendência e arquivou os planos de refazer “Bambi” (1942), “A espada era a lei” (1963) e “Hércules” (1997).
Por sua vez, a Universal tem muito a ganhar com seu próximo remake live-action de “Como treinar o seu dragão” (2010).
Quando os filmes chegam a vendas de ingressos decepcionantes, os estúdios sempre dizem que estão esperançosos de que o boca a boca levará a um público maior nas semanas seguintes. No caso de “Branca de Neve”, pode não ser (apenas) uma propaganda enganosa.
— O sucesso do filme dependerá se ele conseguir o “efeito babá” (pais procurando maneiras de ocupar as crianças pequenas) e se ele for bem-sucedido por alguns meses, como “Mufasa” fez recentemente — disse David A. Gross, analista de bilheteria. — A Disney sabe como apoiar seus filmes, e esse corredor, que inclui as férias (nos EUA), é bom.