Governo militar de Mianmar anuncia cessar-fogo temporário para ajudar os esforços contra o terremoto

O governo militar de Mianmar anunciou nesta quarta-feira um cessar-fogo temporário nas operações contra grupos armados de oposição, para ajudar nos esforços de recuperação após o terremoto de magnitude 7,7, que provocou a morte de quase 3 mil pessoas. “Para prestar simpatia às vítimas do terremoto em todo o país, para fornecer a operação de resgate e reabilitação eficazes”, a trégua duraria até 22 de abril, disse a MRTV estatal.

Três grandes grupos armados de minorias étnicas anunciaram uma pausa de um mês nas hostilidades para facilitar a distribuição de ajuda humanitária. As Forças de Defesa Popular, um grupo criado por dissidentes após o golpe militar de 2021, também já haviam anunciado um cessar-fogo parcial após o terremoto.

No comunicado, a junta alertou, no entanto, aos seus opositores que responderá a qualquer ataque de sua parte, sejam atos de sabotagem ou de “reunião, organização e expansão [do controle] de território que possam minar a paz”.

As operações de busca e salvamento ainda tentam encontrar sobreviventes cinco dias depois do tremor, quando 2.886 mortos já foram confirmados pelas autoridades — e período no qual a junta militar que tomou o poder em 2021 não interrompeu os combates com grupos rebeldes pró-democracia. Mais de 4 mil pessoas ficaram feridas e 373 continuam desaparecidas, o que significa que o número de mortos deve aumentar.

O país também está envolvido em uma guerra civil há quatro anos, desencadeada por um golpe militar sangrento e economicamente destrutivo, que viu forças da junta combaterem grupos rebeldes em todo o país. O golpe e o conflito prejudicaram a infraestrutura de saúde de Mianmar, deixando-a mal equipada para lidar com grandes desastres naturais.

Mesmo assim, na noite desta terça-feira, militares do Exército de Mianmar abriram fogo contra um comboio humanitário da Cruz Vermelha Chinesa, na região de Ommati, no norte do estado de Shan, uma das áreas afetadas pelo termor.

O porta-voz da junta militar, Zaw Min Tun, afirmou que tiros de advertência foram disparados contra um comboio de nove veículos não parou ao se aproximar de uma área de conflito. Os soldados teriam tentado usar um jogo de luz quando estava a uma distância de cerca de 200 metros para impedir a progressão dos veículos, mas ao não conseguirem, dispararam três tiros para cima.

Interlocutores do Exército de Libertação Nacional Ta’ang (TNLA), um grupo rebelde armado, disseram que as tropas do governo teriam disparado no comboio com “metralhadoras pesadas” enquanto os veículos seguiam a caminho de Mandalay. O grupo também afirma que a organização humanitária teria informado sua rota e seus planos de entrega de ajuda — o que os militares negam.

Ajuda internacional

Equipes internacionais de ajuda e resgate têm chegado a Mianmar, incluindo da China, desde o terremoto matou e deixou milhares desabrigadas. Contudo, o acesso às áreas mais atingidas tem sido dificultado por estradas destruídas, telecomunicações precárias e a violência contínua entre a junta e grupos armados incluindo relatos de bombardeios das Forças Armadas contra posições rebeldes após o terremoto.

O estado de Shan, em particular, tem sido palco de intensos combates entre a junta e grupos armados de minorias étnicas que tomaram o controle de grandes áreas do território. A junta e o TNLA têm entrado em confronto perto da vila de Ommati, segundo Zaw Min Tun, acusando que “alguns grupos” estariam “tirando vantagem política” das missões de resgate.

Três grandes grupos armados de minorias étnicas anunciaram na terça-feira uma pausa de um mês nas hostilidades para facilitar a distribuição de ajuda humanitária muito necessária. As Forças de Defesa Popular, um grupo criado por dissidentes após o golpe militar de 2021, já haviam anunciado um cessar-fogo parcial após o terremoto.

No entanto, o líder da junta, Min Aung Hlaing, respondeu que “atividades de defesa” contra “os terroristas” continuariam.

“Se alguns grupos étnicos armados não estão atualmente envolvidos em combate […], estão se organizando e treinando para realizar ataques”, disse em um comunicado na noite de terça-feira.

A enviada especial da ONU para Mianmar, Julie Bishop, pediu a todas as partes que “concentrem seus esforços na proteção de civis, incluindo trabalhadores humanitários, e na prestação de assistência”.

— Não se pode pedir ajuda com uma mão e bombardear com a outra — disse o especialista em Mianmar da Anistia Internacional, Joe Freeman.

Quando solicitado a comentar o incidente, o Ministério das Relações Exteriores da China disse a repórteres que o equipamento enviado pela Cruz Vermelha Chinesa havia chegado e que a equipe e os suprimentos estavam “seguros no momento”.

Homem é retirado de escombros de hospital em Naipidau cinco dias após terremoto — Foto: MYANMAR MILITARY INFORMATION TEAM / AFP

Fio de esperança

À medida que o tempo passa, a esperança de encontrar sobreviventes sobre os escombros vai mudando o perfil para uma operação de resgate de corpos. Contudo, alguns casos em particular continuam alimentando a esperança da população de encontrar seus entes queridos com vida.

Dois trabalhadores foram retirados dos destroços de um hospital de Naipidau, a capital do país, após cinco dias sob os escombros. Atordoado e coberto de poeira, mas consciente, um jovem de 26 anos foi retirado por uma passagem aberta entre as ruínas e resgatado em uma maca no meio da noite, segundo um vídeo divulgado pelo corpo de bombeiros.

O balanço atualizado divulgado pela junta militar é de 2.886 mortos e 4.600 pessoas feridas. O número de desaparecidos está em 373. O terremoto também provocou uma destruição generalizada no país, pobre e devastado por quatro anos de guerra civil. (Com AFP)

Redação Update

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