A AFP acompanha o início de sua jornada, denominada “Operação Arca de Noé”, na qual Yoko será acompanhado por seu veterinário.
Primeiro, uma aeronave da Força Aérea colombiana o levará até Bogotá. Em seguida, será transportado em um avião de carga até o Brasil, onde especialistas esperam que consiga ser aceito pelos outros primatas e se relacione com eles.
Yoko era o último grande primata vivendo em cativeiro na Colômbia. Sua partida “é profundamente simbólica (…) Estes grandes símios não têm porque estar no nosso país”, disse à AFP a senadora ambientalista Andrea Padilla, que o apadrinhou.
Desde 2018, Yoko vivia no Bioparque Ukumarí de Pereira, aonde chegou após ser apreendido pela polícia enquanto era levado para a Venezuela. Ainda filhote, foi adquirido no mercado ilegal por um narcotraficante.
Em 2023, Chita e Pancho, uma fêmea e um macho, fugiram deste zoológico e foram sacrificados pela força pública a tiros devido ao risco que representavam para as comunidades vizinhas. Estes fatos motivaram protestos de defensores dos direitos dos animais.
Por ter sido criado como um ser humano e adquirir hábitos como assistir à televisão, Yoko tinha dificuldades de socializar com outros chimpanzés, contam seus cuidadores.
No entanto, tinha uma relação próxima com Chita, e por isso perdeu o vinculo com a própria espécie após sua morte.
Ainda não está claro se Yoko foi adquirido em um criadouro ilegal na Colômbia ou se foi tirado de seu hábitat, na África.
O chimpanzé é considerado uma espécie “em risco” de extinção pela UICN (União para a Conservação da Natureza). Os territórios em que habita ficam sobretudo em Guiné, Costa do Marfim e República Democrática do Congo.
Por excentricidade, chefões do tráfico colombianos adquiriram todo tipo de animais exóticos como animais de estimação ou para ter seus próprios zoológicos.
O caso mais conhecido foi o de Pablo Escobar, que chegou a ter elefantes, girafas, rinocerontes e cangurus, entre outros animais, em sua famosa Fazenda Nápoles.
Atualmente, os descendentes de um casal de hipopótamos que o barão da cocaína comprou se reproduzem sem controle em uma região do norte e do centro do país, e representam uma ameaça para os ecossistemas, segundo especialistas.