De dezembro a maio, os ouriços de castanha, como são chamados os frutos das castanheiras da Amazônia, caem das árvores e atraem extrativistas que coletam, separam e organizam o que é o segundo produto de extração mais vendido do bioma do Norte do país (atrás apenas do açaí). Neste ano, porém, o ciclo não deve se repetir. A castanha não vai dar “nem para o leite”, como dizem os ribeirinhos, acostumados a usar o líquido do fruto para cozinhar peixes e caças. Diante da seca histórica na região em 2024, estima-se que a safra atual seja a pior já registrada. O resultado deve superar negativamente o do período de 2016 a 2017, quando a produção recuou 70% em relação ao biênio anterior. Oito anos depois, o problema se repete e se agrava, o que evidencia o impacto das mudanças climáticas, alertam especialistas. Agora, os eventos extremos acontecem de forma cada vez mais intensa e frequente. Na Terra do Meio, área que abrange três reservas extrativistas — Rio Iriri, Riozinho do Anfrísio e Rio Xingu — entre Altamira e São Félix do Xingu (PA), há 332 famílias que dependem da castanha para alimentação e geração de renda. Neste ano, já esperavam uma safra fraca. Mas o resultado foi pior do que o previsto. — Foi uma safra sem nenhuma entrega, como eu nunca tinha visto. Não existe castanha na Terra do Meio nem para alimentação — lamenta Francisco de Assis Porto, presidente da Rede Terra do Meio, que reúne os extrativistas da região e no ano passado movimentou R$ 2 milhões no comércio de produtos da floresta, dos quais R$ 500 mil só com a castanha. — Me articulei com parceiros para termos mantimentos e comida e não sofrermos um impacto ainda maior. E até para a comunidade não ir embora. Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), considerando a média de estiagem em todo o 2024 na Amazônia, 70% dos municípios da região (414 de 591) tiveram um ano de seca. Vários rios foram rebaixados aos menores níveis já vistos, como os principais de Altamira, o Xingu e o Iriri. A estiagem comprometeu a fisiologia das castanheiras e a reprodução das abelhas, que são as responsáveis por polinizar as flores. Sem vendas A Rede Terra do Meio existe há pouco mais de dez anos e, pela primeira vez, não há expectativas de venda relevante de castanha. Até o momento, menos de cem caixas de 20 litros de volume foram coletadas, o que corresponde a 2 metros cúbicos. Coordenadora do Instituto Socioambiental (ISA) na Terra do Meio, Fabíola Moreira lembra que a renda gerada no ciclo da castanha é essencial para o sustento das famílias durante o ano inteiro. — Sem a venda da castanha, as famílias têm mais dificuldades para comprar itens da cidade e cuidar da saúde. As comunidades vivem na pele os reflexos da crise climática. Não é mais algo do futuro, mas o presente deles. É necessário que políticas públicas sejam pensadas a fim de minimizar os impactos e dar condições de adaptação às mudanças — cobra Moreira, que critica a demora na decretação de situação de calamidade pública para a região, que facilita o acesso a doações. — Às vezes, quando sai o decreto, o rio já secou e não permite a navegação para entrega das cestas. A Resex Riozinho do Anfrísio chegou a ficar isolada em 2024, com poucos pontos possíveis de navegação. Em algumas comunidades da Terra do Meio, os moradores estão comprando ou trocando alimentos com os vizinhos, conta Moreira. Além disso, os pontos de abastecimento receberam produtos doados como farinha, borracha e sementes, para facilitar as trocas. Ciclo de três anos Os ciclos da castanha se repetem a cada três anos, explica Luiz Brasi Filho, gerente da rede Origens Brasil do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). A safra é muito boa no primeiro ano e declina até o terceiro, quando o ciclo se reinicia. O período de 2024 a 2025 já seria o de menor safra neste intervalo, mas não se esperava algo tão ruim. — Estamos colhendo os frutos da seca histórica. Não é só na Terra do Meio, está acontecendo em todos os estados — frisa Brasi, que aproxima empresas de comunidades tradicionais em todos os estados amazônicos. — Em Rondônia, a Embrapa divulgou uma nota técnica estimando a redução de 85% no volume de castanha na Terra Indígena Rio Branco. Brasi trabalha com castanhas há dez anos e só havia visto uma situação similar no período de 2016 e 2017, quando a Embrapa apontou uma redução de 70% na produção. Ainda não há dados consolidados sobre a safra atual, e as estatísticas de extração sofrem com falta de padronização. Mas o cálculo é que esse recorde negativo deve ser superado. — Os eventos drásticos estão acontecendo com frequência maior, e são cada vez mais intensos — alerta Brasi. — Isso afeta o mercado. Os preços da castanha já estão muito altos, assim como acontece com o café e o ovo. Muitas vezes o mercado substitui a castanha da Amazônia pela de caju ou uma internacional. Mas aqui a diferença é que as comunidades são extremamente impactadas. Em uma nota técnica publicada na semana passada, a Embrapa Rondônia reconheceu que as altas temperaturas resultaram na falta do produto em todas as regiões da Amazônia. Mas a empresa vinculada ao Ministério da Agricultura destacou que há uma forte possibilidade de recuperação da produção na safra de 2025 e 2026. Com essa perspectiva, a Embrapa recomenda que sejam mantidas as linhas de produção, a gestão dos estoques, a flexibilização de contratos e negociações, o apoio a financiamentos e a informação transparente ao mercado para enfrentar a quebra da safra. Questionado sobre a crise da castanha, o Ministério do Meio Ambiente informou que atua para mitigar os impactos da seca da Amazônia e citou medidas emergenciais. Entre elas, o reforço do Programa Bolsa Verde, que atende mais de 53 mil famílias, e
Chegam à Venezuela 199 deportados dos EUA
O ministro lembrou que este é o quarto voo com venezuelanos deportados dos Estados Unidos. Os dois primeiros partiram de El Paso, Texas, em 10 de fevereiro. Depois, houve outro voo com 177 migrantes que estavam detidos na prisão de Guantánamo, em Cuba, e posteriormente foram repatriados via Honduras. – Os voos estão sendo retomados – afirmou Cabello: – As viagens tiveram pouca regularidade, não por culpa da Venezuela. Estamos prontos para receber os venezuelanos onde quer que estejam – garantiu. A chegada desse grupo ocorre uma semana após a deportação de 238 venezuelanos para o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), uma prisão de segurança máxima em El Salvador, o que o presidente Nicolás Maduro classificou como um sequestro. O ritmo das deportações, acordadas após a visita a Caracas, em 31 de janeiro, de Richard Grenell, enviado especial de Trump, foi criticado pelo presidente dos EUA. Como retaliação, Trump revogou a licença que permitia à petrolífera norte-americana Chevron operar na Venezuela. Por sua vez, Caracas denunciou que o Departamento de Estado dos EUA estava “bloqueando” os voos de repatriação. Venezuela e Estados Unidos romperam relações diplomáticas em 2019, durante o primeiro governo de Trump, que impôs um embargo petrolífero ao país sul-americano após considerar fraudulenta a primeira reeleição de Maduro, em maio de 2018. Washington também não reconheceu a proclamação de Maduro para um terceiro mandato após as eleições de 28 de julho de 2024. A oposição denunciou fraude e reivindicou a vitória do ex-embaixador Edmundo González Urrutia, exilado desde setembro passado. Os Estados Unidos alegam que os venezuelanos enviados para El Salvador em 16 de março pertencem à temida gangue Tren de Aragua, surgida na Venezuela e declarada organização terrorista por Trump. Caracas denuncia uma campanha de criminalização contra os migrantes. Desde 2014, quase 8 milhões de venezuelanos deixaram o país, sufocados pela redução de 80% da economia – que começou a se recuperar em 2021 – e por uma inflação descomunal, que o governo venezuelano atribui às sanções dos EUA. Para as deportações de migrantes a El Salvador, Washington invocou uma lei de 1798 que permite a expulsão sem julgamento de “inimigos estrangeiros”, medida que Caracas classifica como “anacrônica”.
Colômbia envia último chimpanzé em cativeiro para santuário no Brasil
A AFP acompanha o início de sua jornada, denominada “Operação Arca de Noé”, na qual Yoko será acompanhado por seu veterinário. Primeiro, uma aeronave da Força Aérea colombiana o levará até Bogotá. Em seguida, será transportado em um avião de carga até o Brasil, onde especialistas esperam que consiga ser aceito pelos outros primatas e se relacione com eles. Yoko era o último grande primata vivendo em cativeiro na Colômbia. Sua partida “é profundamente simbólica (…) Estes grandes símios não têm porque estar no nosso país”, disse à AFP a senadora ambientalista Andrea Padilla, que o apadrinhou. Desde 2018, Yoko vivia no Bioparque Ukumarí de Pereira, aonde chegou após ser apreendido pela polícia enquanto era levado para a Venezuela. Ainda filhote, foi adquirido no mercado ilegal por um narcotraficante. Em 2023, Chita e Pancho, uma fêmea e um macho, fugiram deste zoológico e foram sacrificados pela força pública a tiros devido ao risco que representavam para as comunidades vizinhas. Estes fatos motivaram protestos de defensores dos direitos dos animais. Por ter sido criado como um ser humano e adquirir hábitos como assistir à televisão, Yoko tinha dificuldades de socializar com outros chimpanzés, contam seus cuidadores. No entanto, tinha uma relação próxima com Chita, e por isso perdeu o vinculo com a própria espécie após sua morte. Ainda não está claro se Yoko foi adquirido em um criadouro ilegal na Colômbia ou se foi tirado de seu hábitat, na África. O chimpanzé é considerado uma espécie “em risco” de extinção pela UICN (União para a Conservação da Natureza). Os territórios em que habita ficam sobretudo em Guiné, Costa do Marfim e República Democrática do Congo. Por excentricidade, chefões do tráfico colombianos adquiriram todo tipo de animais exóticos como animais de estimação ou para ter seus próprios zoológicos. O caso mais conhecido foi o de Pablo Escobar, que chegou a ter elefantes, girafas, rinocerontes e cangurus, entre outros animais, em sua famosa Fazenda Nápoles. Atualmente, os descendentes de um casal de hipopótamos que o barão da cocaína comprou se reproduzem sem controle em uma região do norte e do centro do país, e representam uma ameaça para os ecossistemas, segundo especialistas.
Parintins 2025: ensaios dos Bumbás começam neste sábado em Manaus
A contagem regressiva para o 58º Festival de Parintins já começou. A 100 dias do maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo, o Governo do Amazonas iniciou os preparativos e ações para promover uma festa segura e inesquecível para os brincantes dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido. Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, o festival preserva e manifesta a identidade cultural do folclore amazônico, além de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e cultural da região. Segundo o secretário de Cultura e Economia Criativa, Caio André Oliveira, todos os esforços estão voltados, nesse momento, para a execução de um grande trabalho no município de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus) nos próximos meses e, na capital, com os eventos bovinos apoiados pelo Estado. Ensaios no Sambódromo Marcando o início da contagem regressiva dos 100 dias, os Ensaios dos Bumbás vão movimentar os sábados no Sambódromo de Manaus. O evento, incentivado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, tem entrada gratuita. O primeiro ensaio acontece no dia 29 de março e terá apresentação com os elencos dos dois bois-bumbás. Após a estreia, a temporada de ensaios no Sambódromo segue, em revezamento, todos os sábados, até a Festa da Vitória, parando apenas no fim de semana do Festival de Parintins, que acontece nos dias 27, 28 e 29 de junho. A festa da vitória em Manaus está programada para o dia 5 de julho. Acompanhe os eventos que antecedem o 58º Festival de Parintins, pelas redes sociais @culturadoam e no Portal da Cultura (www.cultura.am.gov.br) Preparativos dos bumbás Com o tema ‘É Tempo de Retomada’, o boi-bumbá Caprichoso vai para o 58º Festival de Parintins em busca do seu tetracampeonato. A proposta do tema faz referência a um manifesto pela cultura popular e o apelo para a retomada de tradições e saberes populares. Segundo o presidente do Caprichoso, Rossy Amoêdo, a ideia é levar uma apresentação ainda mais competitiva para o bumbódromo. “Já viemos, ao longo dos meses, seguindo o planejamento anual do Boi com toda a equipe trabalhando no processo alegórico, criação, desenvolvimento de figurinos, momentos, quadros e cenas do Boi em relação ao que se trata de apresentação de arena”, disse. No lado vermelho e branco da festa, o Boi Garantido defende, este ano, o tema ‘Boi do Povo, Boi do Povão’, fazendo referência ao slogan criado, na década de 80, pelo antigo apresentador do bumbá, Paulinho Faria. Para o presidente do Garantido, Fred Góes, a expectativa para a apresentação deste ano é alta. “Com uma visão antecipada, estamos trabalhando arduamente nas idealizações e no desenvolvimento do nosso espetáculo. O Boi já está praticamente pronto. Estamos dedicando nossos esforços para que ele represente, com toda sua grandiosidade, a tradição e a excelência da Associação Folclórica Boi Garantido”, falou.
França adota teste de saliva para endometriose com 96% de precisão
Um teste de saliva que permite diagnosticar a endometriose começou a ser reembolsado pelo governo francês para 25 mil pacientes acima dos 18 anos este mês, ainda em estágio experimental para que a sua utilidade clínica seja comprovada. A tecnologia está disponível em 80 hospitais participantes de um estudo, e fornece o resultado em 10 dias ao custo de 839 euros (cerca de R$ 5.100). A Autoridade Nacional de Saúde Francesa emitiu o parecer para o reembolso com base em resultados clínicos que mostraram um bom desempenho diagnóstico da tecnologia —uma sensibilidade de 96% e uma especificidade de 95%—, considerada inovadora por especialistas, que, no entanto, fazem algumas ressalvas. A endometriose é uma doença cujo tempo médio de diagnóstico é de nove anos, e, por isso, um teste rápido, confiável e não invasivo seria um grande avanço. A doença é caracterizada pelo crescimento do tecido endometrial fora do útero, o que pode levar a sintomas como cólicas intensas, dores abdominais e pélvicas, além de dores nas relações sexuais, dentre outros. Apesar de a incidência ser considerada alta —estima-se que uma a cada dez mulheres—, a inespecificidade da doença, a normalização de dores por parte das mulheres e a falta de investimentos em pesquisas são barreiras que dificultam a vida das pacientes. Hoje, as ultrassonografias e a ressonância magnética são as ferramentas usadas para o diagnóstico. O Endotest, da biofarmacêutica Ziwig, poderia funcionar como uma terceira linha, após exames clínicos e de imagem. O teste foi possível após a descoberta de uma assinatura molecular da doença, de microácido ribonucleico (microRNA) baseada em saliva, em 2022, com a ajuda de inteligência artificial. Em estudo publicado pela revista New England Journal of Medicine Evidence (NEJM Evidence) no ano seguinte, os pesquisadores analisaram 200 pacientes, com diagnóstico ou suspeita de endometriose, e conseguiram identificar a doença com 97% de certeza nas que tinham e distinguir aquelas com dor pélvica que não tinham endometriose. Por ser um teste feito com base em microRNAs, no entanto, a falta na variedade de etnias das pacientes pode comprometer os dados sobre a eficácia geral da tecnologia, uma vez que há uma variação de microRNAs conforme a etnia. Essa é uma das limitações do estudo, afirma Márcia Mendonça Carneiro, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Para a validação desse teste, seria importante, então, ampliar o número de pessoas estudadas. Das 25 mil pacientes que podem acessar o teste na França, 2.500 estão incluídas em nova pesquisa. “Você tem que ter um estudo com o maior número de pessoas, de mulheres, para a gente ter uma análise melhor da confiabilidade, e colocar mulheres de outras localizações geográficas, ver pessoas assintomáticas”, afirma. “Tem muitas perguntas a ser respondidas antes que a gente coloque isso na prática clínica”, acrescenta. Outra questão apontada é o conflito de interesses no estudo publicado pela NEJM Evidence, que teve financiamento da farmacêutica desenvolvedora do teste. Além disso, alguns dos autores são consultores da empresa, o que embora não anule a efetividade do Endotest, reforça a necessidade de mais estudos para comprovar a aplicabilidade, especialmente nos sistemas públicos de saúde. Uma terceira ressalva apontada por Marcos Tcherniakovsky, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, diz respeito aos ainda altos custos do teste. “É um teste promissor, mas por enquanto não acessível do ponto de vista financeiro. Hoje eu tenho ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética que diagnosticam e falam exatamente onde está a doença e como ela é, e os convênios já cobrem esse tipo de exame”. O especialista também diz que, embora os estudos estejam se encaminhando para uma fase de inclusão de mais países para a checagem da eficácia em outras populações, o teste deve ainda ser olhado com cuidado, especialmente ao juntar saúde pública e privada. “A coisa é boa quando é para todo mundo, não para um grupo pequeno de pessoas ou de pessoas que podem pagar 800 euros.” Apesar disso, a iniciativa pela busca de um diagnóstico precoce e não invasivo para a endometriose é positiva. Diversos estudos já foram feitos para tentar o resultado por meio de exames de sangue, mas encontrar o financiamento para esse tipo de pesquisa ainda é difícil, afirma o ginecologista especializado em endometriose Patrick Bellellis, colaborador no Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo). Embora a condição seja comum e reúna registros que remontam à Antiguidade, os investimentos em torno dela ainda são escassos. Um artigo publicado em revista científica aponta que o financiamento de pesquisa para endometriose é limitado: enquanto os Estados Unidos investem cerca de US$ 16 milhões (cerca de R$ 79,7 milhões) em pesquisas sobre a condição todos os anos, comparativamente, a doença de Crohn, que afeta uma em cada 100 pessoas recebe US$ 90 milhões (cerca de R$ 448 milhões). Existe ainda uma confusão entre a endometriose e uma condição chamada “histeria”, que é um nome derivado do termo grego para “útero”. Um estudo de representações de dores pélvicas na literatura médica concluiu que muitos casos descartados como “histeria” podem ter sido causados por endometriose. “Se a gente tivesse mais instituições que levassem a consideração à saúde da mulher, mais agências de fomento que levassem a consideração à saúde da mulher, facilitaria, sem dúvida alguma”, afirma Bellellis.
70 municípios da Amazônia vão receber recursos para monitorar desmatamento em 2025
Cinquenta municípios, pertencentes a seis Estados da Amazônia Legal, já aderiram ao programa “União com Municípios” e estão aptos a receber recursos financeiros do governo federal para a estruturação de escritórios de monitoramento do desmatamento e queimadas em seus territórios. Entre as três capitais da lista, apenas Manaus (AM) ainda não aderiu. Ao todo, 70 deverão ser contemplados. No total, são 81 municípios considerados prioritários, pois registram altas taxas de desmatamento e deverão desenvolver ações de prevenção, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal, segundo a Portaria GM/MMA nº 1.202, publicada em novembro de 2024 pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Os Estados do Mato Grosso e Pará detêm o maior número de municípios aptos a aderir ao programa, com 30 e 29 cidades, respectivamente. Em seguida está o Amazonas, com dez; Rondônia, com seis; Acre com cinco; e Roraima, com dois municípios. Dos seis Estados amazônicos com municípios prioritários, apenas o Acre já completou a adesão com seus cinco municípios: Feijó, Manoel Urbano, Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá. Dos dez do Amazonas, Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Itapiranga, Manicoré, Maués e Lábrea já registraram a adesão. Faltam Manaus e Novo Aripuanã. O Pará, que tem 29 cidades aptas à adesão, conta com 22 no programa, segundo informou o MMA: Altamira, Anapu, Cumaru do Norte, Dom Eliseu, Itaituba, Itupiranga, Jacareacanga, Marabá, Medicilândia, Novo Progresso, Paragominas, Placas, Portel, Prainha, Rondon do Pará, Rurópolis, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu, Trairão, Ulianópolis, Uruará e Santa Maria das Barreiras. Dos seis municípios de Rondônia, três aderiram: Candeias do Jamari, Nova Mamoré e Porto Velho. Já em Roraima, apenas Mucajaí fez o registro no programa, faltando ainda Rorainópolis. O Estado do Mato Grosso, que tem 30 municípios prioritários para o governo federal, já conta com 11 adesões: Bom Jesus do Araguaia, Cláudia, Comodoro, Cotriguaçu, Feliz Natal, Nova Bandeirantes, Nova Ubiratã, Peixoto de Azevedo, Querência, Rondolândia e São José do Xingu. Na última quinta-feira, 20, o MMA assinou um contrato no valor de R$ 61 milhões para estruturar os “Escritórios Municipais de Governança”, que realizarão o monitoramento do desmatamento em 70 municípios prioritários da Amazônia Legal. Como 50 já aderiram, desde que a portaria foi publicada, em 2024, restam ainda 20 vagas para completar as 70 previstas no contrato. O prazo para a adesão encerra-se no dia 30 de abril deste ano. “Assim que os municípios aderirem ao programa, estarão aptos a receber os benefícios desse contrato, bem como outros que o programa irá dispor, tais como: regularização fundiária, regularização ambiental, assistência técnica, recuperação de vegetação nativa e pagamento por serviços ambientais”, informou o ministério. Além da estruturação de um escritório, os municípios também receberão veículos, embarcações, computadores e drones, bem como capacitação e assessoria técnica para fortalecer ações de monitoramento e controle ambiental. “O objetivo é qualificar as equipes locais para atuarem de forma mais eficiente no combate ao desmatamento e à degradação florestal e na promoção de práticas sustentáveis”, ressaltou a pasta. De acordo com o MMA, o programa União com Municípios é um dos instrumentos de implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), e conta com o apoio do Projeto Floresta+ Amazônia. Será implementada a partir de parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). “A parceria com os municípios é uma forma de criar um vínculo com a sociedade. A agenda de comando e controle, que deve ser cada vez mais intensa, é mais efetiva quando se tem um Sistema Nacional do Meio Ambiente funcionando nos diferentes entes federativos – União, Estados e municípios”, declarou a ministra Marina Silva após a assinatura do contrato, na sede do MMA, em Brasília (DF). Aumento de desmatamento O contrato é mais uma iniciativa do governo federal na estratégia de reduzir o desmatamento na Amazônia, iniciada em 2023. A preocupação aumentou após os recordes de queimadas registrados em 2024, quando o bioma sofreu impactos severos do fogo. Conforme o Prodes, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em relação a 2022, houve queda de cerca de 46% no desmatamento na Amazônia, em 2024. “No último ano, de agosto de 2023 a julho de 2024, a diminuição foi de 30,63% em relação ao período anterior. É o maior declínio percentual em 15 anos”, informou o MMA. Na avaliação do secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, a parceria com os municípios na criação desses escritórios de governança visa a dar condições a esses entes federados na proteção dos territórios e implementação de políticas ambientais eficazes. Municípios aderentes: Municípios que ainda não aderiram:
STF será o centro de atenções da semana com julgamento de Bolsonaro
Nesse núcleo estão oito pessoas que constituíam parte da cúpula do governo Jair Bolsonaro. Além do ex-presidente, fazem parte desse grupo os ex-ministros Walter Braga Netto (Casa Civil e Defesa), Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e o ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, atualmente deputado federal pelo PL-RJ. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, também está incluído nesse primeiro núcleo. Entre as críticas feitas ao processo pelos envolvidos, está a rapidez com que está se desenrolando. O ministro Alexandre de Moraes disse em resposta à Folha de S.Paulo que mantém a condução da denúncia sobre o núcleo “com a mesma celeridade que dá aos demais processos de sua relatoria, observadas as particularidades existentes nas mais de mil ações penais em curso”. Em resposta à provocação dos acusados, a Procuradoria-Geral da República disse que houve tempo para a defesa e o mais importante argumento para rebater essa ideia de que está sendo apressado trâmite é explicar que neste momento o que está em julgamento é se há indícios suficientes para abrir uma ação penal. Haverá tempo longo de defesa durante todo o processo, após julgado o mérito. Não é hora, diz a PGR, de se aprofundar no mérito de cada acusação, mas nos ritos. nos indícios. Os envolvidos no processo argumentam também a nulidade da colaboração premida feita por Mauro Cid. O que já foi negado. De qualquer forma, a delação de Cid é um dos elementos da denúncia, mas não é o único. O certo é que esse debate vai dominar a semana.
Bienal das Amazônias chega a Manaus com mostra itinerante
A Bienal das Amazônias desembarca em Manaus (AM) com a quinta Itinerância “Bubuia: águas como fonte de imaginações e desejos”, com 30 obras em exposição. A mostra terá 13 artistas, sendo nove deles manauaras e sete indígenas. A exposição também faz um diálogo com a história e a cultura do estado, por meios do trabalho de artistas como Keila Sankofa, Uyra Sodoma, Manauara Clandestina, Sãnipã, Duhigo Tucano, Iwiri-ki, Lili Baniwa, Denilson Baniwa e Paulo Desana. A Itinerância Bubuia em Manaus começa no dia 26 de março e poderá ser visitada até o dia 30 de maio, na Galeria do Largo e na Casa das Artes. A Itinerância Bubuia em Manaus tem Patrocínio Master de Nubank e Shell, além da parceria da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Galeria do Largo e do Governo do Amazonas. O Instituto Cultural Vale foi patrocinador máster da primeira edição da Bienal das Amazônias, e apoiador da iniciativa. O Vernissage da mostra itinerante será realizado na quarta-feira (26), às 19h, na Galeria do Largo. O evento contará com uma cerimônia de defumação ancestral realizada pela Majé e ativista indígena, Dyakapiró. Mantendo as tradições dos seus povos Dessana e Tuyuca, a Majé utilizará ervas e a resina do Breu, com rezos e benzimentos, para afastar energias e maus espíritos, além de pedir por proteção para todos os que participarem do evento. “As ecoações das minhas músicas são composições na minha língua indígena Dessana, que é uma forma de manter a língua de origem e cada rezo tem um significado de cura. O meu propósito maior também é partilhar o conhecimento do meu povo para que possamos unir as forças em prol da Paz e preservação do nosso planeta Terra, que é a nossa Mãe Natureza. Com alegria, máximo respeito e amor, estou feliz em poder somar com todos nesse movimento”, afirma Dyakapiró. O evento contará também com a presença da curadora, Vânia Leal, e da presidente da Bienal das Amazônias, Lívia Condurú. “É muito importante para a Bienal chegar ao máximo possível de cidades da Amazônia brasileira e da Amazônia internacional. Para nós, Manaus, por sua importância histórica e cultural, é um emblema da região e não poderia ficar de fora”, afirma Lívia. A curadora Vânia Leal conta que Manaus sempre esteve presente no planejamento para receber a Itinerância Bubuia, por se tratar de uma das capitais da Amazônia Brasileira e abrigar artistas presentes na primeira edição da Bienal das Amazônias, realizada em Belém, em 2023. “A itinerância é feita percebendo também a questão da perspectiva cultural do lugar. A gente observa as nuances e como esses artistas irão comungar e dialogar com esse lugar. Essas escolhas são muito alinhadas com essa perspectiva da cultura do local e o que aqueles artistas estão provocando de diálogo. Entretanto, nós também provocamos o atrito. A curadoria cruza artistas e dialoga com os artistas nos espaços positivos, mas não de forma muito linear”, explica. O primeiro workshop da Itinerância em Manaus será a “Leitura de portfólio para artistas de Manaus”, na quinta-feira (27), no Palacete Provincial. Na programação, Vânia Leal convida artistas de Manaus para um diálogo crítico sobre seus trabalhos. “A minha expectativa é que a gente faça sempre o melhor, mantendo o padrão Bienal e, principalmente, dialogando com a cidade, porque a arte é diálogo, arte também ensina a ver. Então, esse diálogo com a cidade, para mim, como curadora, é a minha maior expectativa. Ver como esse público vai de fato interagir e também estar nesse espaço expositivo, comungando com os trabalhos que lá estarão”, resume Vânia Leal. A itinerância já passou por Marabá (PA), Canaã dos Carajás (PA), São Luís (MA) e Boa Vista (RR). Depois de Manaus, ela seguirá por Macapá (AP), além de Medelin e Bogotá, na Colômbia.
CBS Sub-18: Amazonas está entre os 4 melhores do vôlei brasileiro
O voleibol amazonense tem muito o que comemorar! A seleção masculina Sub-18 conquistou o quarto lugar na Divisão Especial do Campeonato Brasileiro de Seleções (CBS), um dos torneios mais importantes da modalidade no país. O feito coloca o Amazonas entre as quatro melhores seleções do Brasil, consolidando o talento dos nossos atletas e reforçando a força do voleibol local no cenário nacional. Disputando contra as maiores potências do esporte, os meninos do Amazonas mostraram garra e dedicação, superando desafios e demonstrando alto nível técnico durante toda a competição. O desempenho da equipe não só enche de orgulho os amazonenses, mas também fortalece o voleibol do estado, que vem crescendo e ganhando cada vez mais destaque. O torneio, organizado pela Federação Amazonense de Voleibol (FAV-AM) em parceria com a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), teve um sabor especial para o Amazonas: depois de anos, a competição voltou a ser sediada no estado, proporcionando aos torcedores locais a chance de acompanhar de perto o melhor do voleibol de base do país. A torcida amazonense fez bonito e empurrou a seleção do início ao fim, mostrando a paixão pelo esporte. Na grande final, o título ficou com a equipe do Rio Grande do Sul, que venceu o Rio de Janeiro por 3 sets a 2 em um jogo eletrizante e decidido nos detalhes. São Paulo garantiu a terceira posição no pódio. A FAV-AM celebrou não apenas o resultado histórico da seleção amazonense, mas também o sucesso da competição em solo manauara. O evento reforçou a importância do Amazonas no cenário esportivo nacional e abre caminho para futuras competições de alto nível no estado. O quarto lugar na Divisão Especial do CBS Sub-18 é um marco para o voleibol do Amazonas, mas, acima de tudo, é um passo gigante para esses jovens atletas, que seguem escrevendo suas histórias e levando o nome do estado para o topo do esporte brasileiro.
Live-action de One Piece da Netflix perde seu showrunner
A segunda temporada de One Piece: A Série sofreu um grande baque em sua pós-produção. Matt Owens, showrunner da atração desde a primeira temporada, anunciou em suas redes sociais que está deixando o cargo. “Os últimos seis anos trabalhando no live-action de One Piece foi uma jornada que mudou minha vida. Um sonho realizado. Também foi muita coisa. Então estou descendo do Going Merry para fazer uma pausa e focar em mim e na minha saúde mental”, escreveu Owens em publicação feita em seu Instagram. “Muito obrigado a Oda, Shueisha, Tomorrow Studios, Netflix e todo o elenco e equipe por sua confiança, parceria e trabalho duro. Agora eu fou fazer uma pausa, fazer terapia, tentar melhorar meu nível em Marvel Rivals e voltar rejuvenescido para as aventuras que ainda estão por vir. Obrigado a todos que me apoiaram. Vejo vocês em breve”, finaliza o texto. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Matt Owens (@cinemattic1) Com a decisão de Owens, o posto de principal líder criativo do projeto ficará vago. Como a pós-produção ainda parece estar em seus estágios iniciais, não se sabe se isso afetará o andamento da série. A Netflix ainda não se pronunciou oficialmente sobre a saída do showrunner. O elenco principal de One Piece inclui Iñaki Godoy como Luffy, Mackenyu como Zoro, Jacob Romero Gibson como Usopp, Emily Rudd como Nami, Taz Skylar como Sanji, Peter Gadiot como Shanks, Morgan Davies como Koby, Ilia Isorelýs como Alvida, Aidan Scott como Helmeppo e Jeff Ward como Buggy. Para a segunda temporada, estão confirmadas ainda as adições de Charithra Chandran como Miss Wednesday/Vivi, Sendhil Ramamurthy como Nefertari Cobra, Katey Sagal como Drª. Kureha, Mark Harelik como Dr. Hiriluk, Daniel Lasker como Mr. 9, Camrus Johnson como Mr. 5, Jazzara Jaslyn como Miss Valentine, David Dastmalchian como Mr. 3, Werner Coetser como Dorry, Brendan Murray como Brogy, Clive Russell como Crocus, Callum Kerr como Smoker, Julia Rehwald como Tashigi, Rob Colletti como Wapol, Ty Keogh como Dalton, Joe Manganiello como Mr. 0/Crocodile e Lera Abova como Miss All-Sunday/Nico Robin. A segunda temporada de One Piece: A Série ainda não tem data de estreia oficial. A primeira temporada da produção está disponível na Netflix.


