A Voz que Resta se apresenta como um interessante experimento narrativo, utilizando a perspectiva de um narrador não confiável para contar uma história às avessas. A proposta é ambiciosa: explorar a embriaguez do amor – tanto no sentido figurado quanto literal – e suas ilusões sensoriais. A trama busca construir um mergulho na intensidade das paixões humanas, entrelaçando sentimentos com a percepção distorcida que o álcool pode provocar. No entanto, se o texto da obra surge como peça fundamental para sustentar essa abordagem, a execução tropeça em alguns momentos. A narrativa, que deveria fluir com naturalidade, acaba sendo prejudicada por trocas descompassadas, tornando certas passagens artificiais ou abruptas. Os realizadores deixam evidente sua intenção ao estruturar a história, mas, ao fazê-lo de maneira tão perceptível, comprometem a organicidade da experiência. Além disso, um elemento que intensifica essa fragmentação é o constante desencontro entre imagem e discurso. Enquanto a narração parece seguir uma linha subjetiva e carregada de sensações, a composição visual frequentemente se move em outra direção, como se fossem duas narrativas independentes que se cruzam sem jamais se tocarem de fato. O filme insiste nesse jogo de contradições, mas não o leva adiante, tornando-o um artifício mais evidente do que instigante. Cenas que poderiam complementar a carga emocional do texto se apresentam de forma fria ou distanciada, criando um ruído que não parece intencional, mas acidental. Curiosamente, um dos aspectos mais bem resolvidos do filme está na sua mixagem de som, que amplia esse efeito de descompasso narrativo de forma proposital e engenhosa. O longa brinca com diferentes dispositivos sonoros, transitando entre a oralidade literária e os ruídos mecânicos dos aparelhos que cercam o protagonista. O som ora amplifica a prosa introspectiva da narração, ora a desafia com interferências e distorções que ecoam sua instabilidade emocional. Essa justaposição contribui para a sensação de deslocamento da trama, tornando a experiência sensorialmente mais envolvente do que o próprio encadeamento das imagens. Ainda assim, um dos pontos altos do filme está na dupla de diretores – Roberta Ribas e Gustavo Machado –, que também contracenam. Eles demonstram um controle criativo sobre a trama, sabendo como extrair do texto e do argumento uma construção cênica que prende a atenção. Há um senso de precisão na maneira como conduzem as cenas, revelando um olhar atento para os detalhes que sustentam a atmosfera da narrativa. O que poderia ser um de seus maiores trunfos – a fluidez narrativa – se dilui diante de algumas escolhas estilísticas que tornam o ritmo irregular. Ainda assim, A Voz que Resta se mantém como uma obra intrigante, que provoca reflexões sobre a maneira como percebemos e reconstruímos nossas próprias paixões e memórias.
“Premonição 6” recebe título oficial, trailer, pôster e data de lançamento
Intitulado Premonição 6: Laços de Sangue, o longa terá produção de Craig Perry e contará com um elenco de peso. Entre os nomes já confirmados estão Brec Bassinger (Stargirl), Teo Briones (Chucky) e Kaitlyn Santa Juana (Querido Evan Hansen). Além disso, o elenco coadjuvante incluirá Richard Harmon (The 100), Anna Lore (Gotham Knights), Owen Patrick Joyner (Julie and the Phantoms), Max Lloyd-Jones (O Livro de Boba Fett), Rya Kihlstedt (Obi-Wan Kenobi) e Tinpo Lee (The Rookie). Desde sua estreia em 2000, a franquia Premonição conquistou fãs ao redor do mundo ao seguir a jornada de personagens que escapam de mortes trágicas graças a visões proféticas – apenas para serem implacavelmente perseguidos pelo destino. Com cinco filmes lançados até 2011, a saga já arrecadou mais de US$ 660 milhões nas bilheteiras globais. O novo filme também conta com a produção de Jon Watts (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa) e tem estreia marcada para 15 de maio nos cinemas brasileiros.
Cine Set comemora uma década com o lançamento de novo livro
Cine Set lança livro celebrando 10 anos de crítica cinematográfica no Amazonas Principal portal de cinema e séries da Região Norte, o Cine Set se prepara para lançar, nesta quinta-feira (30), um livro reunindo alguns dos principais textos publicados ao longo de sua trajetória. Intitulada Cine Set e a Crítica Cinematográfica no Amazonas – Um Novo Capítulo, a obra também marca os dez anos do site, que surgiu como um projeto de extensão da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O lançamento acontecerá às 19h, no Casarão de Ideias, em Manaus (Rua Barroso, nº 279, Centro). Segundo o jornalista e editor-chefe do Cine Set, Caio Pimenta, o livro foi estruturado em três capítulos. O primeiro traz entrevistas com nomes que vão de artistas locais, como Isabela Catão, a figuras internacionais de peso, como Martin Scorsese, Sofia Coppola e Stephen Rea. Também estão presentes conversas com profissionais que trabalharam na Amazônia, como Sérgio Machado e Sophie Charlotte. O segundo capítulo foca no cinema nortista, destacando produções emblemáticas da região que tiveram relevância em festivais, como Manaus Hot City e Alexandrina – Um Relâmpago. Já o terceiro capítulo traz um panorama mais amplo, reunindo artigos e críticas de filmes brasileiros e internacionais. “Esse trecho do livro reflete bem a diversidade do site, abordando desde a fotografia digital no cinema até homenagens a cineastas como Jean-Luc Godard e críticas de clássicos como Farrapo Humano, além de sucessos recentes como Motel Destino”, explica Pimenta. A coletânea conta com textos de diversos críticos que passaram pelo Cine Set, incluindo Camila Henriques, Danila Areosa, Lucas Lopes Aflitos, Lucas Pistilli, Lorenna Montenegro, Marcos Faria, Susy Freitas e Walter Fernandes, entre outros. Evolução da crítica cinematográfica Comparando essa nova publicação com a coletânea anterior, lançada em 2019, Pimenta destaca uma evolução significativa na abordagem crítica da equipe. “Hoje, nosso olhar está mais apurado, não apenas na análise técnica dos filmes, mas também na compreensão do contexto mais amplo das obras. Estamos mais atentos aos movimentos da indústria, à inserção dos filmes em seus gêneros e ao seu impacto no cinema como um todo, fomentando debates e novas perspectivas”, avalia. Entre os textos que considera mais marcantes, Pimenta cita cinco em especial: a entrevista de Camila Henriques com Martin Scorsese e a equipe de Assassinos da Lua das Flores; os textos sobre A Estratégia da Fome, que geraram um debate interno entre os críticos Marcos Faria e Renildo Rodrigues; e as análises Adeus a Godard e Dias Perfeitos, que se aproximam do formato de crônica. A crítica Camila Henriques, que vota no Globo de Ouro, também aponta sua resenha sobre Motel Destino como um dos destaques do livro. “Escrevi esse texto durante a cobertura do Festival de Cannes, na França. Foi um momento muito marcante para mim, ainda mais porque o filme tem a atriz amazonense Isabela Catão no elenco. Foi uma experiência especial”, relembra. Henriques também menciona a emoção de participar de coletivas de imprensa internacionais, incluindo uma em que Jesse Plemons respondeu a uma de suas perguntas e outra com Sofia Coppola e Cailee Spaeny, onde pôde questionar a diretora sobre a trilha sonora do filme Priscilla. Por fim, a crítica ressalta a evolução perceptível nos textos desta nova coletânea. “Se passaram cinco anos desde o primeiro livro, e nesse meio tempo vivemos uma pandemia, o que nos transformou como pessoas e, consequentemente, impactou nossa escrita. Além disso, muitos membros do site entraram na Abraccine e tiveram a oportunidade de cobrir festivais dentro e fora do Brasil, o que trouxe uma maturidade visível ao nosso trabalho”, conclui.
Jornal Francês Exclui 21 Mil Comentários de Brasileiros Após Polêmica com Crítica de ‘Ainda Estou Aqui’
O correspondente brasileiro do jornal francês Le Monde, Bruno Meyerfeld, abordou em sua coluna de segunda-feira (27) a intensa repercussão gerada por uma crítica negativa ao filme “Ainda Estou Aqui”, publicada pelo jornal. Na coluna intitulada “Carta de São Paulo”, Meyerfeld destaca como o longa “desperta paixões” no Brasil. Ele relata que, em 15 de janeiro, o Le Monde foi surpreendido por uma enxurrada de comentários após o crítico Jacques Mandelbaum descrever o filme como “hierático” e classificar a atuação de Fernanda Torres como “bastante monótona”. Segundo Meyerfeld, a crítica foi duramente rebatida após Fernanda Torres ganhar o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama e ser indicada ao Oscar na mesma categoria, enquanto o filme de Walter Salles concorre ao prêmio de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Uma avalanche de reações O correspondente revelou que o Le Monde nunca havia enfrentado uma reação de tal magnitude. Em apenas dois dias, o jornal teve que apagar cerca de 21.600 comentários ofensivos, a maioria no Instagram. Para efeito de comparação, em tempos normais, o número diário é de aproximadamente 700. Os comentários iam de engraçados a ofensivos, alguns com teor machista ou até preconceituoso, incluindo ataques aos franceses, como chamá-los de “porcos que nunca tomam banho”. Meyerfeld também relata teorias conspiratórias levantadas por brasileiros, que acusaram o Le Monde de favorecer o filme francês “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, concorrente direto de “Ainda Estou Aqui” no Oscar. Para muitos brasileiros, seria “impossível” não gostar de um filme que aborda temas tão profundos em um Brasil marcado pelas consequências do governo de Jair Bolsonaro. Contexto histórico e político A crítica de Mandelbaum menciona que Bolsonaro demonstrava “ódio visceral” por Rubens Paiva, ex-deputado que morreu sob tortura durante a ditadura militar. Esse pano de fundo histórico é parte central da narrativa de “Ainda Estou Aqui”, que retrata a tragédia de uma família brasileira. Eduardo Morettin, professor de cinema da USP, elogia o longa por universalizar o destino da família Paiva e unificar o público contra o revisionismo histórico. “O filme cumpriu um papel importante ao unir espectadores em torno de uma memória coletiva”, afirmou. Reações favoráveis ao filme A atuação de Fernanda Torres, descrita por Meyerfeld como uma das atrizes mais queridas do Brasil, foi amplamente celebrada. Críticos como Isabella Faria e Inácio Araújo destacaram aspectos positivos do filme, enquanto influenciadores como Chavoso da USP ofereceram análises equilibradas. Apesar da controvérsia, os produtores de “Ainda Estou Aqui” afirmaram estar satisfeitos com o debate, considerando-o parte de um diálogo saudável sobre diversidade de opiniões. Por fim, o roteiro do filme reconhece o papel crucial desempenhado pelo Le Monde durante a ditadura militar brasileira, ao oferecer voz à oposição e à resistência dentro e fora do país. A controvérsia, segundo Meyerfeld, apenas reafirma a relevância do longa na cena política e cultural contemporânea.
Sons Invisíveis e o medo do olhar contemporâneo – Ataques Psicotrônicos (2024) Review
Tô com a Tati Regis forte nessa, de como a experimentação de Calebe Lopes, aqui mais formalizada pela já experiente visão do fazer filme e pensar aquele universo da maneira mais vivida possível é de brilhar os olhos. Eu nesse exato instante me encontro naquele frenesi de ter assistido algo que levou você a lugares extrafilmicas sejam de debates (que eu mesmo já tivera com o diretor), sejam das referencias tecidas pelo diário do seu Letterboxd me fazendo lembrar de quando o mesmo reassistiu Scanners do Cronenberg e fiquei pensando com meus botões se teria algo a ver com ataques, e não é que tinha mesmo. É a maior vontade do mundo de contar essa história a partir daquelas vivências sem que as convenções narrativas sejam alocadas como um agente introdutório. O filme começa com uma cena brilhante que me arrancou um sorriso de ponta a ponta pensando o quanto o diretor se divertiu idealizando e realizando tal cena, que consegue elucidar toda sua problemática na superfície, e daí sim vai meio que desarmando os personagens em um jogo psicológico inigualável de duas figuras que são consideras boas no que fazem, deixando a compreensão pelo heterogêneo de lado, e quando falo isso não é ligado a pluralidade, é mais uma maneira que encontrei de definir o que um e outro defende. É quase um “ciência vs religião” a partir do onírico, que vai brincando no tete a tete de duas pessoas completamente diferentes, interligadas pela fantasia que os permeia naquele microcosmo. Fantasia essa usada na lírica fazendo nossa mente viajar mundo a fora não só tecendo referências, mas sim dessa autoindulgência humanista, os fragalhos da sociedade como indivíduo, que busca na sua vivência a respostas do problema do outro. Porque simplesmente não entender a pessoa para , aí sim atestar, mesmo que clinicamente o próximo? E mesmo com todos os aparatos irreparáveis dessa busca pela tal resposta, damos de encontro com esse lado da verdade absoluta, gerando mais medo e afastamento social, que satisfação e até mesmo a sensação de completude do ser. De saber mais, de entender e ressignificar signos mesmo que esbarrem em nossos obstáculos mentais e sociais. A um dia atrás assisti Peixe Vermelho (2009) da Andréia Vigo que ficou famoso agora por ter a aparição de um diretor (que me surpreendeu bastante). O curta também gostei mas a interligação que fiz enquanto assistia ataques, era essa brincadeira na decupagem e montagem, as tornando uma só que faz com que a produção seja extremamente fluida, na sua mixagem de som. Assisti em um release 4k lindíssimo com um fone da Havit ( a quem for conhecedor, a versão HV-H2002d) que acredito ter algo ligado ao Hi-Hes, visto que transmite bem quando assisto algo em 5.1. Aqui fazendo uma diferença absurda, que se eu estivesse o assistido em algum alto-falante externo (se eu tivesse soundbar seriam outros five hundred) não seria a mesma coisa. Falo isso pois é ali que mora o horror dentro de ataques, no escutar e não ver, no sentimento inquietante de olhos te observando e vozes que você não consegue materializar. São alexas, cortanas e Siris. Sou um aficionado em BBB (esse ano morreu o programa de vez. O 25, caso esteja lendo em outro tempo), esse ano vi umas retrospectivas de outros anos do reality e me peguei pensando que antes era um medo real das pessoas serem observadas pelos olhos do grande irmão e o quanto isso era uma novidade. Hoje em dia se torna o medo menos palpável dessa ideia do Big Brother, e tampouco é o chamariz do programa, que antes quando ia pros comerciais tinha um lance de guitarra e um barulho de estalo imitando o som de um olho piscando e o quanto isso era importante pra aquilo acontecer. Como estamos acostumados a sermos observados, não?! Como isso virou basicamente o que nos une como sociedade, acompanhar diariamente pessoas se expondo na internet e (uma) das muitas maneiras de se viver no meio da comunicação. Sabe as expressões “tesudo” e outos “zudos” nessas gírias que inventamos para tirar o lugar comum da linguagem formal. Ataques Psicotrônicos eu terminei o filme e pensei “amei ataques psicotrudos”, e por assim vou me referir a ele quase com um vulgo, de um cineasta que quero muito assistir um longa.
Ainda estou Aqui desponta indicações no Oscar 2025 incluindo melhor filme; Veja indicados:
A Academia de Hollywood divulgou nesta quinta-feira, 23, os indicados à 97ª edição do Oscar. O anúncio aconteceu uma semana depois da data inicialmente marcada, que foi adiada por causa dos incêndios que tomaram Los Angeles. A tradicional premiação do cinema acontece no dia 2 de março. Em uma transmissão online apresentada por Bowen Yang (“Wicked” e esquetes do Saturday Night Live) e Rachel Sennott (“Shiva Baby”). Inicialmente, os nomeados seriam revelados pela Academia em 17 de janeiro, mas a data foi alterada devido aos incêndios em Los Angeles. Na abertura, os integrantes da Academia falaram sobre os incêndios de Los Angeles e falaram sobre como a região é “resiliente” e como a premiação sempre reuniu a comunidade. Confira a lista completa de indicados ao Oscar 2025: Melhor Ator Coadjuvante Melhor Figurino Melhor Cabelo e Maquiagem Melhor Trilha Sonora Original Melhor Curta-Metragem em Live-Action Melhor Animação em Curta-Metragem Melhor Roteiro Adaptado Roteiro original Melhor Atriz Coadjuvante Melhor Canção Original Melhor Documentário Melhor Documentário de Curta-Metragem Melhor Filme Internacional Melhor Animação Melhor Design de Produção Melhor Edição Melhor Som Melhores Efeitos Visuais Melhor Fotografia Melhor Ator Melhor Atriz Melhor Direção Melhor Filme
Narrativas postas em crise em prol de vazio estético como identidade visual / Nosferatu (2024) Review
Minha experiência com esse remake de Nosferatu foi um tanto quanto curiosa, um emaranhado de emoções que iam e viam, mas parecia nunca ser tão esclarecedor se eu estava ou não gostando do que estava assistindo, e dado momento em que o seguimento do barco e as várias vítimas daquela sequência são mostradas finalmente algo saltou o marasmo por mais que apuradíssimo de uma beleza esterilizada, sofrendo demais em como concretizar suas ideias sem que se escore nas suas obras anteriores do personagem. E depois dessa primeira metade do filme , que é basicamente um cópia e cola mais para o filme de Herzog de 1979 do que propriamente do de 1922, vemos uma outra roupagem dando vez a um cinismo indo de encontro ao como de maneira cadenciada vai pondo as ideias e debates cíclicos voltados ao patriarcado, ao olhar masculino e submissão só que de uma maneira mais frontal deixando aqui suas bases transbordarem, para além das obras originais do vampiro, como também O Exorcista para tatear esse profano pra si, esse horror corpóreo (não corporal) da fisicalidade como a maneira de tratar o horror a partir da inquietude. Por mais que contraposições em crise sejam pontuais e evidentemente compostas por sequências todas cheias de energia, faz com que se torne dissonante quando o resto da trama não acompanha a mesma intensidade. É como se fossem imagens e mais imagens morrendo a cada segundo em prol da narrativa que horas não vai necessariamente comunicar algo que você está assistindo. São justaposições muito abruptas, mesmo que tenhamos tempos de ver essas imagens, são incomunicáveis, perdendo potência a cada take em que cenas são descartadas. Em contraponto, reitero o quanto amo quando ele usa o corpo para alimentar essa trama da submissão, com uma Lily Rose Depp estupenda em seu papel que entende não só seu lugar argumentativo de que tipo de atuação ela está, mas de como dar fluidez a decadência psicológica da sua personagem fazendo com que ela seja os olhos, a alma e o coração dessa trama. Um filme de possessão bem interessante quando pensamos nas inúmeras abordagens que esse mesmo personagem já tivera. Os planos aqui são usados das piores maneiras possíveis visto que Eggers está incessantemente tentando evocar e acenar as obras anteriores do personagem só que nessa escuridão e mistério desinteressante quanto a imagem da criatura. E o mais frustrante nisso tudo é que nada sai disso ficando apenas pedante e quase infantil essa narrativa que vezes quebra o filme pra tentar de alguma maneira criar esse personagem sem mostra-lo. Uma escolha um tanto quanto errônea visto que nada se é usufruído a partir desse suspense em torno da imagem da criatura. Nosferatu do Eggers são como imagens desbalanceadas por uma vontade meio egocêntrica de passar a sua identidade visual como principal forma narrativa fazendo seu filme pender a algo pedante de alguém em seu longa experimental para a faculdade com muita dificuldade em tratar planos como narrativa, entregando um filme sem tom aparente e uma decupagem bagunçada com momentos muitíssimos pontuais onde o diretor consegue tirar o filme do marasmo estético. A maior força de Nosferatu está em parte do elenco (quando se há espaço e tempo para tais), quando o filme consegue se tornar um universo próprio da tal urgência que ele quer imprimir nas varias formas da criatura atormentar o coletivo evocando o cinema gótico antes já trabalhado por outros 3 diretores diferentes fazendo com que aqui só pareça um grande copia e cola de contraposições cínicas em que mesmo que algumas coisas são postas em crise, logo são esvaziadas pela não habilidade de conseguir manter todas as portas abertas de vários assuntos interessantes. Fica tudo no imaginário.
Filme de Jogo de terror Until Dawn do PlayStation ganha teaser trailer
A adaptação cinematográfica do popular jogo Until Dawn acaba de divulgar seu primeiro teaser trailer, oferecendo aos fãs um vislumbre das primeiras imagens e um pouco do que acontece nos bastidores da produção. O clipe está disponível acima. O longa será estrelado por Maia Mitchell (Nosso Último Verão), Belmont Cameli (A Caminho do Verão), Peter Stormare (Prison Break, Deuses Americanos), Ella Rubin, Michael Cimino, Ji-young Yoo e Odessa A’zion. A direção ficará a cargo de David F. Sandberg, conhecido por Shazam! e Annabelle 2: A Criação do Mal, enquanto o roteiro é de Gary Dauberman, que trabalhou em It: Capítulo Dois e A Freira. O jogo original, lançado em 2015 para PlayStation, se destacou por sua narrativa de terror, onde as escolhas dos jogadores influenciam diretamente o destino dos personagens, permitindo que alguns sobrevivessem ou morressem permanentemente. Esse conceito inovador inspirou outros títulos a adotarem mecânicas semelhantes. A estreia do filme está marcada para o dia 25 de abril de 2025 nos cinemas.
Sol de Inverno (My Sunshine) 2024 -Review
Sol de inverno é um filme que conquista pelo poder das imagens e pela forma como a estética visual se torna uma extensão da narrativa. A câmera não apenas registra os movimentos dos personagens; ela os acompanha com graça, transformando cada sequência em uma dança que transcende palavras. As cenas de patinação no gelo são um espetáculo à parte, onde o corpo em movimento se torna poesia visual, enquanto a luz reflete delicadamente no gelo, criando um cenário quase etéreo. Há uma beleza palpável na forma como o filme utiliza os recursos visuais para contar sua história. A fotografia brinca com luzes e sombras, alternando entre tons frios e quentes conforme os personagens avançam em sua jornada emocional. Pequenos detalhes – o reflexo de um sorriso em uma janela embaçada, o brilho de um amanhecer no gelo – dizem tanto quanto os diálogos, se não mais. O ritmo do filme é cadenciado, como uma coreografia que se desenrola com cuidado. Esse tempo lento permite que o espectador mergulhe nas emoções dos personagens, criando uma conexão silenciosa, mas profunda. As transições sutis entre planos mais fechados e panorâmicos traduzem a intimidade e a grandiosidade das relações e do esporte, conferindo ao filme uma atmosfera tanto pessoal quanto universal. No entanto, o roteiro, embora competente, às vezes é eclipsado pela força das imagens. Há momentos em que a narrativa se apoia demais no visual e deixa de explorar algumas camadas emocionais dos personagens. Essa escolha pode dar a impressão de que algumas partes da história ficam aquém de seu potencial, especialmente quando comparadas à riqueza da direção de arte e da cinematografia. Sol de Inverno é, acima de tudo, um filme para ser sentido. Ele emociona não apenas pelo que é dito ou feito, mas pela forma como cada quadro é cuidadosamente construído para capturar a essência dos sentimentos que deseja transmitir. É uma celebração do cinema como arte visual, onde cada imagem carrega em si a força de uma narrativa inteira.
Incêndio em Los Angeles: Impactos em Hollywood e na Indústria do Entretenimento
Nos últimos dias, três grandes incêndios florestais atingiram Los Angeles, gerando preocupação entre os moradores e impactando diretamente a rotina de Hollywood. Diversos eventos foram adiados ou cancelados devido à situação de emergência. Entre os cancelamentos, está a exibição especial de Ainda Estou Aqui, organizada pela Sony Pictures, que contaria com a presença de Guillermo del Toro, Walter Salles e Fernanda Torres. Estúdios como Paramount, Universal Pictures e Amazon MGM Studios também confirmaram a suspensão de todas as sessões programadas para a noite. Estreias aguardadas, como Better Man, Lobisomem e Unstoppable, terão suas datas redefinidas. “Devido às perigosas condições em Los Angeles, estamos cancelando a pré-estreia de Better Man”, declarou um porta-voz da Paramount. “Nossa solidariedade está com todos os afetados pelos incêndios devastadores. Pedimos que sigam as orientações de segurança das autoridades locais e busquem lugares seguros”, concluiu. A situação tem levado muitos moradores a evacuarem suas casas. Desde a madrugada do dia 8, bombeiros enfrentam dificuldades para conter as chamas, que seguem fora de controle. Estima-se que mais de 10 mil residências estejam em risco, com os incêndios intensificados pelos fortes ventos que atingem a região. Especialistas alertam que esta pode ser a pior tempestade de ventos em uma década e que o cenário pode se agravar nos próximos dias.


