A capital amazonense recebe, nos dias 28 e 29 deste mês, a Acaddemy Manaus, uma Imersão em Odontologia Digital Restauradora. O curso é voltado para cirurgiões-dentistas e estudantes de Odontologia, que desejam dominar, na prática, as principais ferramentas digitais aplicadas na área. A capacitação será realizada em formato intensivo, com atividades teóricas e práticas sobre scanners intraorais, softwares de planejamento e impressão em 3D. Idealizada por profissionais com ampla experiência clínica e acadêmica, a imersão é ministrada pelos cirurgiões-dentistas Pedro Campêlo, Alexandre Marques e Fanor Marques, referências em odontologia digital, dentística, implantodontia e prótese. Conforme explica Pedro Campêlo, o curso tem como objetivo capacitar o profissional para integrar a tecnologia à rotina clínica, de forma eficiente e personalizada. “A integração da tecnologia ao consultório não é mais um diferencial, é uma necessidade para quem deseja estar à frente no mercado. A proposta da Acaddemy é justamente oferecer uma imersão prática, pensada de dentista para dentista, com foco em resultados reais”, explica Pedro Campêlo, mestre em Odontologia Digital e CEO da Inclinic Odontologia, com sede no Rio de Janeiro. Durante os dois dias de atividades, os participantes terão acesso a módulos sobre planejamento virtual, escaneamento em 3D, uso de softwares CAD e impressão em 3D, com momentos “hands on” para experimentação dos equipamentos. Entre os temas abordados estão o planejamento 2D para facetas, o uso de scanners intraorais e o processo de fabricação e acabamento de restaurações impressas. Todos os materiais e equipamentos utilizados durante a imersão serão fornecidos pela equipe da Acaddemy, em parceria com empresas apoiadoras. “Nosso objetivo é que, ao final do curso, o profissional esteja apto a aplicar essas tecnologias no seu dia a dia e oferecer tratamentos mais precisos, rápidos e personalizados, de acordo com o seu modelo de negócio”, reforça Pedro Campêlo. As inscrições podem ser feitas pelo telefone (92) 99459-1198. O investimento é de R$ 2.000 à vista ou 12x de R$ 198 no cartão.
Miss Tacacá e Lofihouseboy assinam remix da cantora amazonense Cella, num encontro entre a música eletrônica e as referências regionais
A cantora amazonense Cella convidou Miss Tacacá e LofiHouseBoy para dar nova cara ao hit “Meu Norte”, que já circula nos paredões do Pará, onde acontece a COP30. No dia 16 de novembro, chega às plataformas “Meu Norte (Remix)”, versão que aposta na mistura do pop contemporâneo de Cella com as batidas aceleradas e timbres amazônicos do tecnomelody. O projeto faz parte do selo Sinc, criado com o objetivo de valorizar artistas independentes e talentosos, de diferentes estilos musicais. Além do remix, Miss Tacacá e LofiHouseBoy aparecem como convidados no novo álbum de Cella, “Efeito borboleta”, que terá ainda um feat surpresa e várias faixas inéditas. O projeto promete reforçar a presença das sonoridades nortistas no circuito pop nacional, conectando as aparelhagens e a estética da floresta às pistas e playlists. A parceria confirma uma tendência: a aposta de artistas e produtores do Norte em colaborações de grande visibilidade, trazendo sua identidade sonora e ampliando o alcance do tecnomelody. As batidas amazônicas têm ampliado seu espaço, com presença tanto nos palcos regionais quanto nas grandes cerimônias e festivais internacionais. “Esse remix é sobre liberdade, sobre celebrar quem a gente é e de onde vem. É um brinde à arte independente, à Amazônia contemporânea e à alegria de poder transformar nossas raízes em dança”, comenta Cella. Essa colaboração reforça a articulação entre artistas do Norte (Miss Tacacá), produtores locais (LofiHouseBoy) e novas vozes (Cella) no ecossistema da música periférica amazônica, trazendo cada vez mais visibilidade. A movimentação também indica uma abertura de mercado e visibilidade para os ritmos regionais. “Meu Norte Remix’ chega num momento muito simbólico pra mim, é o primeiro remix do meu primeiro álbum, e vem justamente perto do meu aniversário. É como se eu estivesse celebrando tudo o que vivi até aqui, dançando junto com a minha própria história”, comemora Cella. “Ter a Miss Tacaca e o LolfihouseBoy comigo nessa faixa é mais do que uma parceria: é um encontro de artistas nortistas que acreditam na força da nossa música, da nossa cultura e da nossa ousadia. A gente carrega o Norte no som, no corpo, no jeito de misturar tudo; pop, eletrônico, rockdoido”, completa. Sobre CellaCella iniciou sua carreira na infância. A multiartista representou o Amazonas no programa “The Voice Kids”, em 2017, ainda usando o nome de batismo Marcella Bártholo. No ano seguinte, se mudou para o Rio de Janeiro, onde se dedicou ao teatro musical e se apresentou por todo o Brasil. Sua dedicação nos palcos lhe rendeu indicações de Atriz Revelação e Atriz Coadjuvante em prêmios do segmento. Hoje, foca em sua carreira musical solo e seu trabalho como atriz, produtora e idealizadora. Em 2025, vai lançar o disco “Efeito Borboleta”, que marca a transição para o universo pop. É diretora artística da In Cena Produções, que tem como foco a valorização de obras inéditas e nacionais. Entre os projetos do grupo, estão o espetáculo “República Lee – Um Musical ao Som de Rita”, indicado a vários prêmios e o musical infantil “TumPaTaTum”, criado com o objetivo de resgatar e apresentar versões atuais das antigas cantigas de roda para as novas gerações. Miss Tacacá (Taka Furtado)Natural de Belém do Pará (Pará), Taka Furtado adotou o nome artístico Miss Tacacá. Ela atua como DJ, produtora e performer, com forte identidade periférica, amazônica, LGBTQIA+. Seu estilo principal é o chamado tecnomelody — batidas aceleradas (em torno de 160-180 bpm), fusão de ritmos amazônicos com música eletrônica contemporânea. Miss Tacacá já se apresentou em grandes eventos, fez curadoria, e é considerada uma das vozes emergentes da cena amazônica-eletrônica. LofiHouseBoyDJ/beat-maker, baseado no Pará, com ênfase em mistura de gêneros como tecnobrega, carimbó, funk e outros ritmos periféricos. Ele se posiciona como “energia BRUTAL na pista”.
COP30: cacique Roni critica Lula contra perfurações de petróleo na Foz do Amazonas
Aos 93 anos, o cacique Raoni Metuktire continua brigando pela preservação da floresta, e vê os projetos de infraestrutura defendidos pelo governo brasileiro para modernizar a região amazônica como uma ameaça à floresta, aos povos indígenas e até mesmo ao restante da população. “Esses projetos destroem rios e terras e estão continuando, eu não estou gostando. Eu tinha falado muito antes que haverá muitas consequências muito ruins para nós”, disse o cacique em entrevista exclusiva à Reuters nesta terça-feira, em Belém, onde participa de eventos relacionados à cúpula do clima da ONU, a COP30. “Vai ser muito ruim para nós. E para vocês também. Vocês mesmos estão trazendo as consequências para vocês mesmos. A destruição continua fazendo com que a floresta não tenha vida”, acrescentou Raoni, falando em seu idioma nativo, o kayapó, com o neto traduzindo para português. Há poucas semanas, o Ibama autorizou a Petrobras a realizar uma perfuração paraverificar a existência de petróleo na foz do rio Amazonas, em mais um passo da exploração de petróleo na região. Outros projetos de desenvolvimento econômico, como o asfaltamento da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho por dentro da floresta, e a construção de hidrovias, estão entre as propostas defendidas pelo governo federal na região. Nenhum deles, diz Raoni, trará qualquer benefício para as populações indígenas e mesmo não indígenas da Amazônia. O cacique, uma das maiores lideranças indígenas das últimas décadas, com amplo reconhecimento internacional, cobrou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela demarcação de terras. “Eu tinha falado para o Lula quando nos encontramos antes dele assumir a Presidência e tinha falado que era preciso demarcar as terras indígenas, para que finalmente meu povo, meus parentes, possam ter suas terras por direito”, disse Raoni, acrescentando ter ficado feliz que pelo menos algumas das aldeias começaram a ser demarcadas. “A demarcação é muito importante para proteção das terras.” Embora Lula tenha procurado ser reconhecido como um defensor das florestas tropicais do mundo e dos povos indígenas do Brasil, projetos polêmicos e uma lentidão na demarcação de novas terras indígenas depõem contra a ação do governo. O cacique, que também esteve na Rio92 – a cúpula que deu início, há quase 30 anos, às discussões da ONU sobre aquecimento global –, não vê mudanças positivas desde então. “Quando tinha floresta em todos os lugares eu fui nessa reunião (Rio92) para falar sobre a floresta. Eu tinha falado que nossa floresta tinha que ser mantida a floresta em pé. E mesmo assim eles continuaram destruindo tudo”, disse. “Vocês, não indígenas, talvez vocês devessem ter ouvido e têm de pensar nos seus filhos, pensar nos seus netos, para que a floresta possa viver e possa contribuir com a vida das gerações novas, dos seus netos.” *Com informações da CNN
COP30: 1º dia é marcado por consenso global, discursos pela justiça climática e protesto
O primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), iniciado oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), foi marcado pela aprovação da agenda oficial do evento — um consenso entre os 194 países e a União Europeia que abre caminho para as negociações de financiamento climático, transição energética e adaptação global. O acordo inicial, considerado um dos momentos mais importantes do encontro, foi celebrado como sinal de harmonia entre as nações logo nas primeiras horas da conferência. Além da aprovação da agenda, o primeiro dia foi pautado pela pressão internacional em torno da redução do uso de combustíveis fósseis, um dos temas centrais da COP30. O chefe da ONU para assuntos climáticos, Simon Stiell, reforçou que o foco agora deve estar em “como” fazer a transição energética de forma justa e acelerada. Lula e Helder Barbalho abrem a COP30 destacando a Amazônia e cobrando ação global Durante a cerimônia de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a COP30 será “a COP da verdade”, criticando o negacionismo climático e as guerras financiadas por nações ricas. Em discurso, Lula defendeu que a emergência climática é também uma crise de desigualdade, que atinge de forma mais severa as populações vulneráveis, e convocou o mundo a cumprir compromissos concretos com o planeta. “A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente. […] A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela define quem é digno de viver e quem é digno de morrer”, declarou o presidente, ao lado do governador Helder Barbalho, anfitrião do evento e um dos responsáveis pela realização da conferência “no coração da Amazônia”. Lula também destacou a criação do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com aporte inicial de US$ 1 bilhão, voltado ao financiamento de projetos sustentáveis em países com biomas tropicais. Presidente do Ibama alerta para o avanço da crise climática O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ressaltou a urgência de uma ação conjunta entre governos, sociedade civil e setor privado, com atenção especial ao agronegócio. Segundo ele, o Brasil já sente os impactos diretos do aquecimento global. “Nós temos hoje o dobro de gás carbônico na atmosfera em comparação a 20 anos atrás. Os episódios extremos tendem a se agravar. Precisamos adaptar a agricultura, as cidades e reduzir os gases de efeito estufa”, disse. Agostinho lembrou ainda que, sem as florestas tropicais, não há solução possível para a crise climática. Ministra da Cultura fala sobre sobrevivência da humanidade A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a COP30 representa um marco global “vital para a sobrevivência da humanidade”. A ministra destacou o esforço do governo federal na estruturação de Belém e disse que o evento já demonstra sua relevância com o volume de participantes e o impacto econômico e político gerado. “Pelo esforço feito para montar toda a estrutura, podemos ter a dimensão da importância que este evento tem para a sobrevivência da humanidade”, declarou. Margareth também celebrou o repasse de US$ 1 bilhão ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre como um sinal concreto de compromisso internacional. Vozes indígenas e amazônicas ganham destaque A liderança indígena Vanda Witoto criticou a ausência de autoridades políticas do Amazonas na abertura da COP30 e cobrou mais escuta das vozes originárias. “Era missão dos prefeitos e governadores reivindicar financiamento para mitigar e adaptar as cidades às mudanças climáticas. Precisamos ser ouvidos”, disse. Vanda também chamou atenção para a mobilização popular, destacando que muitos representantes indígenas viajaram em condições precárias para participar da conferência. Já a empreendedora indígena Vanda Maciel Pororoca, do Amapá, apresentou um projeto de purificação de água que utiliza saberes tradicionais e tecnologia de ponta. A iniciativa transforma água bruta em água alcalina potável, unindo inovação e bioeconomia. “Nosso projeto é uma solução que une os saberes da floresta à tecnologia, impulsionando a bioeconomia e proporcionando qualidade de vida às pessoas”, afirmou. Protesto marca o início das mobilizações populares Logo nas primeiras horas do evento, ativistas do movimento Dívida pelo Clima realizaram um protesto simbólico em frente à Zona Azul da COP30. Militantes de diversos países se deitaram no chão cobertos por panos, simulando corpos sem vida, em um ato contra a desigualdade global e a inércia dos países ricos diante das crises climáticas. “Essas dívidas são uma forma de neocolonização. Nossa força vem do Sul Global para o Norte Global”, afirmou a ativista Lígia Machado. O movimento reivindica o cancelamento das dívidas impostas ao Sul Global e pretende realizar novas manifestações nos próximos dias em Belém. Um início de debates e contrastes O primeiro dia da COP30 refletiu o tom que deve guiar toda a conferência: cooperação internacional, protagonismo amazônico e pressão por resultados concretos. Enquanto líderes políticos firmaram compromissos pela justiça climática, movimentos sociais e vozes indígenas lembraram que a urgência do clima também é uma urgência humana.


