Mesmo que Ian SBF tente emular o cinema de Rodrigo Aragão, falta o elemento do efeito prático — aquele toque artesanal que dá textura e peso às criaturas, e que também sustenta a tensão típica dos “filmes de cabana”. O que sobra é uma tentativa digital de replicar uma sensação que o corpo, o sangue e o chão molhado faziam por si só nos terrores de Aragão. Ainda assim, há uma intenção clara: o de criar um horror brasileiro de dentro, feito de suor, isolamento e culpa. Em Entre Abelhas, SBF já havia mostrado um domínio notável sobre o espaço. A forma como ele trabalhava os planos abertos criava tensão e estranheza com naturalidade, fazendo o vazio falar por si. Aqui, em A Própria Carne, o confinamento e o espaço contido deveriam ser o apogeu desse tipo de abordagem — o ponto em que o desconforto visual e o drama interno se cruzam. Mas essa força se dilui. A mise-en-scène parece não encontrar o mesmo fôlego; o olhar do diretor, antes contemplativo e inquieto, se torna indeciso, preso à tentativa de traduzir o horror sem realmente encarná-lo. Ainda assim, o filme constrói bem seu clima. As luzes quentes, o som abafado, o desconforto das paredes fechadas — tudo contribui para um suspense que cresce de forma contida. Mas é no elenco que A Própria Carne realmente encontra vida. Todos parecem entender o tom, e conseguem carregar a tensão com naturalidade, sem recorrer à caricatura ou à autoparódia. A direção se apoia muito neles, e é por isso que o mistério, mesmo falho, ainda alcança um ápice interessante. Há, no fundo, um cinema que tenta encontrar seu próprio rosto dentro do gênero. Ian SBF parece buscar algo entre o grotesco e o psicológico, mas ainda tateia as possibilidades. É um filme de tentativa — e isso, no caso do horror, não é algo ruim. Porque mesmo sem o impacto físico que o título promete, há ali um desejo de perturbar, de fazer sentir, e isso já o coloca um passo à frente de muitos. No fim, A Própria Carne funciona como um exercício de tensão: interessante, mas sem consequências. Um filme que mira o horror como espelho, mas hesita em atravessá-lo. E talvez seja justamente nessa hesitação que ele encontra o pouco de humanidade que lhe resta.
Stranger Things terá episódio final de duas horas nos cinemas
A Netflix confirmou que o episódio final de Stranger Things terá duas horas e será exibido nos cinemas dos EUA em 2025.
Manaus 356 anos: a cidade que pulsa cultura, história e orgulho amazônico
Hoje, 24 de outubro de 2025, Manaus celebra 356 anos de existência, uma cidade erguida entre rios e floresta, cujo pulsar está na força da cultura, na memória da história e no orgulho de ser amazônida. Nascida às margens do majestoso Rio Negro e moldada por gerações que atravessaram o tempo, Manaus reafirma sua vocação de resistência, diversidade e criatividade. Desde sua fundação como forte em 1669, criada para proteger a região amazônica, a cidade trilhou caminhos de transformação que a tornaram não apenas capital do Amazonas, mas também símbolo da Amazônia moderna. As memórias indígenas dos Manaós, povo que deu nome ao lugar, se misturam às heranças coloniais e ao crescimento urbano que nunca deixou de dialogar com a floresta. Na era da borracha, Manaus viveu um período de esplendor: prédios imponentes, arte efervescente e uma modernidade que a projetou para o mundo. O Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Mercado Municipal e o Porto Flutuante são testemunhos desse tempo, onde o luxo europeu se misturava ao calor da selva. Hoje, essa herança vive nas ruas do centro histórico, nas expressões artísticas e na vida que corre entre o urbano e o natural. Celebrar Manaus é celebrar a pluralidade. É reconhecer a força dos povos indígenas, dos afrodescendentes, dos ribeirinhos e dos migrantes que ajudaram a construir essa cidade plural e criativa. É exaltar o boi-bumbá, as danças regionais, a gastronomia que traduz a floresta em sabor e o jeito acolhedor do povo manauara, que carrega no peito o orgulho de ser da Amazônia. Neste aniversário, as comemorações que tomam a cidade, das apresentações musicais na Ponta Negra às festas populares na zona Norte, não são apenas celebração: são a reafirmação de uma identidade. Manaus é resistência, é arte, é vida que pulsa no compasso dos rios. Ao completar 356 anos, Manaus segue se reinventando sem abrir mão da sua essência: metrópole dos rios, guardiã da floresta e palco da cultura amazônica. Parabéns, Manaus, que teu futuro continue verde, diverso e cheio de orgulho de ser quem és.
40ª Feira de Livros do Sesc acontece de 30 de outubro a 2 de novembro, com entrada gratuita
Evento também vai celebrar o legado da poeta Astrid Cabral na literatura


