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Balneário é interditado no Mato Grosso do Sul após série de ataques de tambaqui

Bonito (MS), conhecida nacionalmente como a “capital do ecoturismo”, vive um episódio inusitado — e preocupante. Um dos principais balneários da cidade, o Praia da Figueira, foi temporariamente interditado após uma série de ataques de peixes a banhistas, envolvendo principalmente o tambaqui (Colossoma macropomum), espécie nativa da bacia amazônica. A situação mobilizou autoridades ambientais e reforçou um alerta sobre a introdução de espécies fora de seus habitats naturais.

Segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), 30 ataques de peixes foram registrados somente em 2025. Em 2024, esse número chegou a 64. As mordidas, algumas severas, aconteceram na lagoa artificial do balneário, que fica próxima ao Rio Formoso. Uma das vítimas chegou a levar oito pontos no dedo da mão após ser mordida por um tambaqui.

O TAMBAQUI: UM VETERANO DOS RIOS AMAZÔNICOS

O tambaqui não é natural dos rios do Mato Grosso do Sul. A espécie é originária da bacia amazônica e foi introduzida artificialmente em ambientes de outras regiões do país nas décadas passadas, antes da existência de legislações ambientais mais rigorosas que proibissem a translocação entre bacias hidrográficas.

Segundo o biólogo e professor visitante da Unicamp, José Sabino, o tambaqui tem características fisiológicas específicas e, embora seja criado em cativeiro no Centro-Oeste, não se adapta naturalmente ao ambiente. “O tambaqui ocorre naturalmente em áreas de planície da bacia amazônica. Desde os anos 1980 tentaram trazê-lo para o Sudeste e Centro-Oeste, mas com limitações fisiológicas para suportar as friagens, as tentativas de introdução não tiveram sucesso”, explicou.

Mesmo com a dificuldade de adaptação, exemplares da espécie foram mantidos em ambientes controlados, como é o caso das lagoas turísticas de Bonito. Mas o que parecia ser um atrativo a mais para os visitantes acabou virando um risco.

MORDIDAS FORTES E ACIDENTES GRAVES

O que causa espanto nos frequentadores é a força da mordida do tambaqui, o que se explica pelo seu hábito alimentar. Ao contrário do que se imagina, esse parente da piranha não é carnívoro: sua alimentação se baseia principalmente em frutos e sementes, muitos deles com cascas duras. Isso faz com que sua arcada dentária seja bastante desenvolvida e resistente.

“No caso do tambaqui, os dentes da frente são muito robustos. Ele entra na floresta inundada para comer frutos duros. A boca dele é adaptada para isso”, detalha o professor Sabino. Segundo ele, o tambaqui é considerado um “jardineiro dos rios”, pois contribui para a dispersão de sementes nas áreas alagadas da floresta amazônica.

Por estarem habituados a reagir rapidamente a movimentos na água — muitas vezes confundindo-os com frutos caindo — os tambaquis acabam mordendo banhistas, o que explica os acidentes. “Eles ficam sempre atentos a qualquer movimento dentro d’água, podendo se confundir”, completa o biólogo.

OUTROS PEIXES TAMBÉM ATACAM

Além do tambaqui, outras espécies introduzidas nos balneários da região também podem representar risco. É o caso do dourado, que costuma ser atraído por objetos brilhantes, como anéis, pulseiras ou brincos.

“[Os dourados] normalmente comem peixes que brilham. Então, acessórios metálicos podem levar a confusão e, consequentemente, acidentes”, pontua o professor.

FECHAMENTO TEMPORÁRIO E ALERTAS

Diante da sequência de ataques, o balneário Praia da Figueira foi interditado temporariamente por determinação do Imasul. A decisão visa garantir a segurança dos turistas enquanto medidas preventivas são implementadas. Outros locais, como o Balneário do Sol, também adotaram ações de contenção.

Entre as recomendações das autoridades locais, estão evitar alimentar os peixes, prática comum entre os visitantes, e seguir as orientações de guias e placas informativas.

Apesar dos transtornos, especialistas pedem cautela e consciência ecológica ao tratar o tema. “A culpa não é do tambaqui. Infelizmente, pelo egocentrismo humano, espécies foram introduzidas fora de seu habitat, e agora colhemos as consequências disso”, ressalta Sabino.

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