Explicar a história do açaí, vender produtos ou apresentar as peculiaridades da Floresta Amazônica podem até ser tarefas simples para moradores de Belém. Mas fazer tudo isso em um idioma estrangeiro torna a missão mais difícil. Pensando na qualificação profissional para a COP30, quando dezenas de milhares de estrangeiros estarão no Pará, trabalhadores locais estão fazendo aulas de inglês. Um programa oferecido pelo governo do Pará já capacitou 22 mil pessoas desde o ano passado. Lançado em março de 2024, o programa Capacita COP30 oferece 105 cursos ligados à agenda de turismo, infraestrutura e serviços, em parceria com instituições de ensino e entidades da iniciativa privada, como Sebrae, Coca-Cola e Cielo. Entre as aulas disponíveis, as mais concorridas são as de inglês, com turmas de nível básico, intermediário ou avançado. Os módulos costumam ser no modelo “intensivão”, com aulas de segunda a sexta e duração de um mês. Ao concluir um módulo, pode-se fazer um outro na sequência. Alunos ouvidos pelo GLOBO contaram que as aulas de inglês privilegiam o aprendizado de termos e contextos comerciais e de atendimento ao cliente, já que o público-alvo são garçons e vendedores, além de trabalhadores do turismo. Outro foco é no “ecologês“, com ensino de termos ambientais e da agenda do clima em inglês. Francienne Alves, atendente do restaurante Ponte do Açaí, diz que procurou o curso para facilitar a comunicação e melhorar o seu atendimento ao cliente, já que 80% do público do estabelecimento é formado por turistas. — Quis fazer o curso para ter uma comunicação mais eficaz e um atendimento mais personalizado, assim os clientes que vêm de fora terão uma experiência mais positiva — diz a funcionária, que conta das surpresas que estrangeiros costumam ter com o consumo do açaí salgado. — Eles ficam bem surpresos, porque é muito diferente do que estão acostumados, e primeiro acham que é uma sobremesa. Mas gostam muito. Sempre querem conhecer a culinária, não só o açaí, mas a maniçoba, o vatapá. A gente explica de onde vieram esses pratos, as raízes indígenas. E para falar isso sem saber a língua deles é difícil. Fomento ao negócio O publicitário Jonas Rocha criou a agência Pavu Comunicação neste ano, já com vistas à COP. Seu foco é oferecer serviço de filmagem e mídias sociais para empresas e delegações que venham para o evento. Ao saber dos cursos de inglês, ele e seu sócio se matricularam a fim de melhorar seu nível básico e desenvolver melhor a conversação. — Nossa pretensão é vender nosso serviço, e para isso precisamos falar o idioma de quem vem. Serão muitas ONGs, empresas, delegações. E nem todo mundo vai ter equipe de filmagem e de produção de stories em publicações em tempo real — explica Rocha, exemplificando o que a agência oferece. A dupla já concluiu o primeiro módulo e agora pretende fazer o nível avançado. Na turma, o publicitário conta que havia gente de todas as idades e muitos funcionários de restaurantes e de hotelaria: — O professor instigava não só o contexto de trabalhos temporários, mas também a aplicar o inglês no nosso próprio negócio. Aprendemos a responder sobre preços, valores e como abordar clientes de forma profissional. O curso foi muito nessa linha de capacitar a gente a fomentar nosso próprio negócio. Outra vertente explorada, diz Rocha, foi a dos termos ambientais, mais científicos: — Até em português a gente fica meio perdido nesses termos sobre clima, meio ambiente… Tem outros cursos do programa que aprofundam mais o tema, e eu quero fazê-los. Também da área de marketing, Josué Gama fez o curso vislumbrando melhorar sua participação nos eventos da sua empresa durante a COP30. Ele trabalha em um grupo que atua em segmentos como gastronomia e hotelaria, e na conferência acontecerão alguns encontros internacionais. — A gente praticou muito como explicar o nosso cotidiano, em conversação com vocabulários mais simples. E também como apresentar produtos locais — explica Gama, que é supervisor de marketing. — É uma evolução profissional e pessoal também. Traz muitas oportunidades. Chance de efetivação Na opinião dele, ainda faltam investimentos na qualificação da mão de obra local, para além dos cursos de idioma. Gama cita, por exemplo, a alta demanda sobre a gastronomia paraense, que vem exigindo a contratação de muitos profissionais capacitados. Para Fernando Soares, representante do Sindicato de Hotéis e Restaurantes do Pará, as maiores demandas de contratação durante a COP serão nos setores de gastronomia e hotelaria. Nos estabelecimentos desses setores, será desejável a comunicação em inglês. — Na COP, a ocupação dos hotéis será 100%. Vai ter gente entrando e saindo 24 horas por dia, então será preciso triplicar o pessoal: camareira, garçom, barman, cozinheiro, auxiliar. Nos bares e restaurantes, a demanda maior é por pessoal de cozinha e limpeza e garçom e garçonete. Apesar do perfil temporário da maiorias das vagas para a COP, Everson Costa, técnico e pesquisador do Dieese do Pará, diz que há expectativa para expansão do mercado de trabalho e absorção de empregos a partir da conferência. — Deveremos ter atividades temporárias, principalmente no setor de serviços, mas toda mão de obra temporária tem possibilidade de permanecer depois. Além disso, há muita demanda na construção civil, que vem contratando muita gente. Em fevereiro, o Pará criou três mil postos formais de trabalho, mais que o dobro de fevereiro do ano passado. Já foi um reflexo direto da COP. Para Costa, a necessidade de qualificação desses trabalhadores vai além da COP. — Há perspectivas de qualificação a curto prazo, no caso dos restaurantes, hotéis e circuito cultural, mas também a médio e longo prazos, para ter aqui uma estrutura turística e de negócios mais qualificada. Belém é uma capital que busca se consolidar como destino turístico ambiental, cultural e religioso, porque temos o Círio de Nazaré.
Dengue lidera casos confirmados de arboviroses no Amazonas em 2025
Os casos de dengue lideram os registros de arboviroses confirmadas no Amazonas em 2025, segundo o último informe epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas s – Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), divulgado na quinta-feira (22). O consolidado aponta dos 3,087 casos de arboviroses no estado, 2.949 são de dengue. De acordo com a FVS-RCP, uma morte por dengue já foi confirmada neste ano em Jutaí, município do interior do Amazonas. Na ocasião, a vítima chegou na unidade de saúde apresentando sintomas como febre, mialgia e dores articulares. A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, a gravidade pode ser relacionada a condições coexistentes nos pacientes, que também são idosos. “Quando a gente fala da dengue, o risco para o agravamento existe, e são pessoas que tem comorbidades. Idosos com comorbidades precisam de maior monitoramento”, afirmou Tatyana. Outros casos de arboviroses confirmados em 2025 no estado são: Ainda segundo o boletim, com 2.026 casos Manaus foi o município com mais casos confirmados. Seguido por Atalaia do Norte com 895 registros e Envira com 674 casos de arboviroses. FVS alerta para aumento de casos de dengue no Amazonas No Amazonas, a FVS-RCP realiza o monitoramento das arboviroses por meio do Plano de Preparação, Vigilância e Resposta para Dengue, Zika e Chikungunya no Amazonas. Além de suporte técnico, capacitações técnicas virtuais e presenciais, a FVS-RCP entrega equipamentos, como veículos, inseticidas aos municípios. O órgão informa também que os próprios moradores podem realizar os meios de prevenção em casa com medidas como:
Exposição em cartaz na Galeria da Ufam revela a ‘Expressão feminina”
Ao todo 31 obras de vinte e cinco artistas compõem a exposição ‘Expressão feminina: mulheres artista no acervo do Caua’, na Galeria da Universidade Federal do Amazonas (Gau). A exposição está aberta à visitação do público até o dia 13 de junho de 2025. A galeria fica localizada no Centro de Convivência, setor Norte do Campus Universitário. Sob a curadoria dos professores, Priscila Pinto Maciel e Paulo Simonetti, o Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas – Caua possui um acervo de artes visuais composto por cerca de mil obras, entre pinturas, gravuras, serigrafias, aquarelas, fotografias, desenhos e instalações, prestando-se como fonte de informação para a pesquisa e produção de conhecimentos em artes visuais. Organizado em duas grandes coleções: a Coleção Caua, que vem sendo formada desde os anos de 1990, fruto de doações de colaboradores e de artistas que realizaram exposições na Galeria do Caua; e a Coleção Thiago de Mello, incorporada ao acervo em 2017, composta por obras que pertenceram à coleção particular do escritor e poeta amazonense Thiago de Melo, mesclada por obras de artistas brasileiros e por artistas sul-americanos. A mostra ‘Expressão Feminina: Mulheres Artistas no Acervo do Caua’ tem como objetivo difundir o trabalho de artistas da região Norte. São 31 obras de 25 artistas com estilos e técnicas diversas, das quais destacamos pinturas e desenhos de Bernadete Andrade e xilogravuras de Auxiliadora Zuazo, que marcaram gerações na arte amazonense desde a década de 1980. Além de Andrade e Zuazo, apresentamos obras das artistas: Samantha Karlia, Helen Rossy, Iva Tai, Priscila Pinto, Naia Arruda, Raquel Matos, Hadna Abreu, Bruna Mazzotti, Priscila Passos, Suely Ojara, Adriana Velikova, Lu Silva, Flor de Oliveira, Rita Queiroz , LinduÍna Mendes, Itacy Bittencourt, Silvia Feliciano, Gabi Lira, Monik Ventilari, Regina Rabello, Caroene Neves, Gisele Riker, Ana Paula Vieira, Tiana Sampaio, todas da Coleção Caua, demonstrando a variedade do acervo, que se destaca como o segundo maior acervo com obras de artistas mulheres em coleções públicas de Manaus. (Foto: Divulgação)
Isabelle Nogueira lota Arena da Amazônia e consolida Festival da Cunhã
Idealizado pela ex-BBB e cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, o Festival da Cunhã transformou a Arena da Amazônia, em Manaus, em um vibrante palco de cultura, música e solidariedade na noite deste sábado (24). A primeira edição do evento reuniu milhares de pessoas e nomes conhecidos do entretenimento nacional, com destaque para o show de Maiara & Maraisa, que levantou o público com sucessos do sertanejo. Manauara e conhecida por exaltar suas raízes culturais, Isabelle criou o festival com o objetivo de unir arte e impacto social. Por meio do ingresso solidário, o público doou alimentos que serão destinados a comunidades ribeirinhas afetadas pela cheia dos rios. “Esse festival é um sonho realizado. Eu queria que a nossa cultura fosse vivida de verdade, que tivesse espaço, visibilidade e que também ajudasse quem mais precisa. Ver tudo isso acontecendo é emocionante”, disse Isabelle durante o evento. O evento também atraiu influenciadores e artistas de todo o Brasil, que, entre os dias 22 e 23 de maio, participaram de uma imersão na cultura amazônica e celebraram a diversidade cultural do Amazonas durante o festival. Festival da Cunhã lota Arena da Amazônia — Foto: Alcides Netto / Divulgação Maiara & Maraisa se apresentam no Festival da Cunhã — Foto: Alcides Netto / Divulgação
Blogueirinha faz pergunta para Isabelle e fãs apontam indireta para Matteus
A influencer Blogueirinha esteve no palco do Festival da Cunhã, idealizado por Isabelle Nogueira, na noite deste sábado (24). Na ocasião, a influenciadora conhecida por seu humor ácido fez perguntas comprometedoras a amazonense e fãs apontaram como uma indireta a Matteus Amaral e sua mãe Luciane Amaral. “Isabelle, um livramento!? Isabelle, uma sogra!? Uma sogra boa!? Uma ruim!? É, imaginamos”, fazendo referência a um meme protagonizado por ela mesma, que viralizou na internet. Enquanto as perguntas estavam sendo realizadas os fãs agitavam na plateia. A indireta ocorreu meses após o término polêmico de Isabelle Nogueira e Matteus Amaral. Ao anunciar o término, no dia 5 de fevereiro, a amazonense e o gaúcho citaram a expressão “somos incompatíveis”. A polêmica ganhou ainda mais força quando, semanas após o anúncio, Matteus Amaral foi flagrado ao lado da estudante de medicina Anna Julia Ferreira. A situação agravou após a divulgação de um áudio da mãe de Matteus, Luciane Amaral, onde ela afirmava que Isabelle preferiu seguir com a fama e nunca amou de fato o gaúcho.
Jurista amazonense palestra sobre os “Crimes na Bíblia” na ExpoDireito 2025, em Fortaleza
A ExpoDireito 2025, um dos maiores congressos jurídicos do país, realizado no Centro de Eventos do Ceará, contou com a participação marcante do advogado amazonense Aniello Aufiero que subiu ao palco Direito Penal na última sexta-feira, 23 de mai, para uma palestra: “Crimes na Bíblia com Análise ao Direito Penal e Processo Penal Brasileiro”. A apresentação despertou a atenção do público ao propor uma análise comparativa entre episódios bíblicos e conceitos jurídicos contemporâneos, conectando fé, história e direito sob uma ótica crítica e atual. A palestra utilizou imagens projetadas em slides para ilustrar os casos abordados e provocar reflexões profundas sobre o papel da Justiça ao longo do tempo. O evento ocorreu no Pavilhão Leste do Centro de Eventos, um dos maiores complexos de convenções da América Latina. Para garantir a organização e pontualidade das atividades, os palestrantes foram orientados a chegar com antecedência mínima de uma hora e a utilizar materiais previamente preparados, evitando contratempos técnicos. Conforme o Dr. Aniello Aufiero, palestrante da ExpoDireito, a proposta do congresso foi justamente abrir espaço para olhares diversos e interpretações inovadoras no universo jurídico. “A palestra trouxe uma abordagem ousada e enriquecedora. Discutir os crimes narrados na Bíblia à luz do Direito Penal e Processual Penal brasileiro é, sem dúvida, um convite à reflexão crítica sobre os fundamentos da justiça ao longo da história”, destacou. O livro O sucesso da palestra também se deve à popularidade do livro Crimes na Bíblia, que inspirou a apresentação e já figura entre os mais vendidos no meio jurídico. A obra, que analisa episódios bíblicos sob a ótica do Direito Penal e do Processo Penal brasileiro, tem despertado curiosidade e admiração por unir conhecimento jurídico e abordagem cultural de forma acessível e instigante. Sobre a ExpoDireitoA ExpoDireito é uma das maiores feiras e congressos jurídicos do Brasil, reunindo anualmente milhares de profissionais do Direito, estudantes, autoridades e expositores de todo o país. O evento combina palestras, exposições e networking em um espaço que celebra a diversidade e a evolução da Justiça brasileira.
Festival de Parintins e bois Garantido e Caprichoso são homenageados com Ordem do Mérito Cultural
O Festival Folclórico de Parintins e os bois-bumbás Garantido e Caprichoso foram homenageados, nesta terça-feira (20), com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC), a mais alta honraria concedida pelo Governo Federal ao setor cultural. A cerimônia, realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e marcou a retomada da premiação, suspensa desde 2019. Reconhecido como uma das maiores manifestações culturais do país, o Festival de Parintins foi celebrado como símbolo da diversidade, resistência e riqueza artística da Amazônia. A homenagem contemplou tanto o espetáculo quanto as entidades que o tornam possível: os bois Garantido e Caprichoso, representados, respectivamente, por seus presidentes Fred Góes e Rossy Amoedo. “É uma felicidade enorme o Boi Garantido ser agraciado pela OMC. Esse é um reconhecimento à cultura popular, para que todos valorizem sua potencialidade e diversidade”, declarou Fred Góes, que destacou ainda a importância do prêmio para a visibilidade nacional do festival. Rossy Amoedo, presidente do Boi Caprichoso, também celebrou a conquista como um marco para os artistas e trabalhadores da cultura de Parintins. “Parintins alcança lugares cada vez mais especiais através da arte. Dedico essa medalha a todos os nossos artistas, profissionais, fazedores e fazedoras de cultura. Isso aqui é mérito de todos vocês”, afirmou. A cerimônia celebrou ainda os 40 anos de criação do Ministério da Cultura e teve como tema “Democracia e Cultura”, ressaltando o papel das manifestações populares na construção de uma sociedade plural e democrática. Para a ministra Margareth Menezes, os homenageados representam “uma força vital para a cultura brasileira e têm papel insubstituível na construção de políticas públicas para a arte e para o patrimônio cultural do país”. A Ordem do Mérito Cultural, criada em 1995, é entregue a personalidades, instituições e expressões artísticas que contribuem para a formação da identidade nacional. Neste ano, ao homenagear o Festival de Parintins e seus bois, o Governo Federal reconhece não apenas a beleza e grandiosidade do espetáculo, mas a força coletiva de um povo que transforma tradição em arte e cultura viva.
Cheia dos rios no AM deixa 28 municípios em emergência e afeta mais de 260 mil pessoas
O número de municípios em situação de emergência no Amazonas devido à cheia dos rios subiu para 28, segundo o Painel de Monitoramento Hidrometeorológico da Defesa Civil do Estado, atualizado nesta sexta-feira (23). Mais de 260 mil pessoas são afetadas diariamente, enfrentando dificuldades de locomoção, perdas na produção rural e inundações em suas casas. Historicamente, a cheia na região começa na segunda quinzena de outubro, com o fim da seca, que em 2024 registrou níveis recordes no estado. A previsão é que o cenário se mantenha. Segundo o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, as nove calhas dos rios amazonenses devem permanecer em cheia até, pelo menos, junho. Na última atualização, cinco municípios foram reclassificados do estado de alerta para emergência: Carauari, às margens do Rio Juruá, Fonte Boa, no Rio Solimões, Itapiranga e Urucurituba, banhados pelo Rio Amazonas, e Nova Olinda do Norte, no Rio Madeira. Confira a lista dos 28 municípios que estão em situação de emergência: Além dos municípios em emergência: Segundo o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, dois fenômenos explicam o aumento no volume dos rios em comparação a 2024: “No início de 2025, tivemos a atuação do La Niña, que resfria as águas do Pacífico Equatorial. Isso aumenta a intensidade das chuvas na região. Como coincidiu com nosso período chuvoso, desde fevereiro, toda a bacia amazônica registrou volumes de chuva acima do normal”, explicou o pesquisador. Cheia já afeta mais de 209 mil pessoas no Amazonas. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica Impactos na produção rural O município de Benjamin Constant, localizado na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, é um dos mais afetados pela cheia dos rios. Desde março, parte da orla da cidade está submersa e muitas casas às margens do Rio Javari, afluente do Solimões, também. Já são quase 21 mil pessoas afetadas diretamente pela cheia do rio nas zonas urbana e rural, o que representa cerca de 45% da população do município. Na zona rural, agricultores perderam praticamente toda a produção. É o caso da agricultora Ana Luzia, que cultiva hortaliças. “Nós ‘plantava’ couve, repolho, alface, cheiro verde, temos também mandioca plantado, e tudo foi levado pela água. Há dois anos que não alagava e esse ano foi levando tudo”, relatou. O maracujá, um dos principais alimentos cultivados no município, também acumula perdas de produção. O excesso de água prejudica o cultivo do maracujá, faz as folhas e o caule secarem e os frutos não se desenvolverem por completo “É um prejuízo que a gente não pode nem calcular, porque se não alagasse, eu ia ficar colhendo dois anos tranquilo, só fazendo o termo de podar”, disse o agricultor Juarez Lima.
Suframa participa do Inova Amazônia Summit em Macapá e reforça atuação em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) participou ativamente do Inova Amazônia Summit, um dos mais importantes eventos de tecnologia, bioeconomia e inovação da região, realizado entre os dias 21 e 23 de maio, na sede do Sebrae Amapá, em Macapá. A Autarquia foi representada pelo superintendente-adjunto de Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, Waldenir Vieira, que participou de painéis e palestras, visitou a área de exposição e conversou com empreendedores e startups, reforçando o papel estratégico da Suframa no fomento a ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na Amazônia. A presença da Suframa no evento também contou com o acompanhamento de técnicos da Autarquia lotados no Amapá, que participaram das atividades e dialogaram com representantes de diversos segmentos produtivos e tecnológicos. Durante sua participação, Waldenir Vieira destacou a importância da integração entre os ecossistemas de inovação da região, especialmente na preparação para a COP30, e apresentou as iniciativas da Suframa voltadas ao fortalecimento da bioeconomia e das cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia. “O Inova Amazônia Summit representa uma oportunidade ímpar para fortalecer a integração entre os ecossistemas de inovação da Amazônia e destacar o papel estratégico da bioeconomia para o desenvolvimento sustentável da região. Percebemos que o Amapá evolui muito nesse sentido, e a Suframa está comprometida em apoiar iniciativas que impulsionem a pesquisa, o desenvolvimento e a inovação, aproximando startups, empreendedores e instituições de ciência e tecnologia, para que juntos possamos construir soluções sustentáveis e competitivas, alinhadas aos desafios e às oportunidades que a Amazônia oferece ao Brasil e ao mundo”, copmentou. Além das palestras e painéis, o Inova Amazônia Summit contou com uma ampla exposição que reuniu 120 startups organizadas por setores temáticos, como biocosméticos, bioalimentos, serviços ambientais e bioindústria, além de espaços dedicados à moda autoral, artesanato e experiências interativas. Com uma programação intensa, o evento promoveu também rodadas de negócios, networking e visitas técnicas a rotas ligadas à ciência, tecnologia, inovação, turismo e bioeconomia, consolidando-se como uma verdadeira vitrine para o potencial econômico e sustentável da Amazônia. O Inova Amazônia Summit é realizado pelo Sebrae Nacional e pelo Governo do Amapá, com apoio dos parceiros: Conselho Nacional das Fundações de Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Grupo CEA Equatorial, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Grupo Rede Amazônica e Fundação Rede Amazônica, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Social da Indústria e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Sesi e Senai Amapá), Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Sebrae Play, Mariza Alimentos, Lan Telecom, Associação Amapaense de Tecnologia (Amapatec), Comunidade Tucuju Valley e Instituto Amazônia 21. Painel No último dia do evento, a servidora da Suframa, Maria Tereza, atuou como moderadora do painel “Parque Tecnológico do Amapá – Foz do Rio Amazonas”, que discutiu os desafios e as oportunidades para o fortalecimento da infraestrutura de inovação no estado. O Inova Amazônia Summit reuniu cerca de 5 mil participantes e serviu como preparação estratégica para a COP30, com foco em posicionar as empresas amazônicas no cenário global por meio da inovação e da sustentabilidade.
Suframa firma ACT com Fundação Matias Machline para coordenar Programa Prioritário de Formação de Recursos Humanos
A Fundação Matias Machline será a responsável pela coordenação técnica, administrativa e financeira do Programa Prioritário de Formação de Recursos Humanos (PPFRH). A instituição foi selecionada para essa função pelo Comitê das Atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia (Capda), por meio do Edital de Chamamento Público nº 3/2024, e formalizou a parceria com a Suframa por meio do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 02/2025, assinado no dia 14 de maio, com extrato publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (23). Os Programas Prioritários são uma das modalidades na qual as empresas que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), seja produtora de bens e serviços de tecnologias da informação e comunicação, a partir da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus, ou em função das Portarias Interministeriais que definem o Processo Produtivo Básico (PPB), podem investir os recursos direcionado à Amazônia Ocidental e no Amapá. São definidos pelo Capda, com temáticas consideradas de grande relevância para o desenvolvimento regional. O PPFRH tem como objetivo qualificar profissionais para atuar em setores estratégicos da Amazônia, promovendo a capacitação técnica, científica e gerencial da população local. A proposta é alinhar as competências dos trabalhadores às demandas atuais da indústria, da pesquisa e da inovação, contribuindo para a redução das desigualdades regionais e o fortalecimento da economia baseada no conhecimento. Programas Prioritários O PPFRH é o quarto Programa Prioritário em operação, ao lado do Programa Prioritário de Fomento ao Empreendedorismo Inovador (PPEI), coordenado pela Softex Amazônia; do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBIO), coordenado pelo Idesam; e do Programa Prioritário de Indústria 4.0 e Modernização Industrial (PPI4.0), sob responsabilidade do CITS.


