O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez nesta sexta-feira (1º) um duro pronunciamento contra o que classificou como uma “organização criminosa” composta por brasileiros que estariam agindo de forma “covarde e traiçoeira” para desestabilizar o Judiciário e comprometer a soberania nacional. A fala ocorreu na primeira sessão do STF após o governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, aplicar contra Moraes a Lei Magnitsky — uma sanção inédita contra um ministro de Suprema Corte no mundo democrático. Sem citar nomes, Moraes chamou de “pseudo-patriotas” os envolvidos na articulação com autoridades estrangeiras para tentar interferir nas decisões do Supremo, principalmente no julgamento da suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. “Temos visto diversas condutas dolosas e conscientes de uma organização criminosa que age de maneira covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do STF ao crivo de autoridade estrangeira”, disse Moraes. “Covarde porque esses brasileiros se encontram foragidos e escondidos fora do território nacional. Não tiveram coragem de permanecer no país.” De acordo com o ministro, há provas de que esses grupos buscaram apoio externo para atacar a legitimidade do STF e pressionar por decisões favoráveis a Bolsonaro, inclusive com o objetivo de garantir anistia em caso de condenação. “São negociações espúrias, vis, traiçoeiras. Auxílio ativo para que se pratiquem atos hostis à economia do Brasil e ao Estado Democrático de Direito”, completou. Moraes é relator dos principais processos que investigam a tentativa de golpe de 2022. Ele tem sido alvo constante de ataques do bolsonarismo, tanto no Brasil quanto no exterior. A aplicação da Lei Magnitsky, que bloqueia ativos e impede transações financeiras nos EUA, foi anunciada dias antes da reabertura do semestre judiciário. Moraes, no entanto, não possui bens nem contas em território americano. A sanção foi interpretada como uma tentativa política de deslegitimar o ministro e favorecer Bolsonaro. A articulação é atribuída a Eduardo Bolsonaro, que vive atualmente nos EUA, e ao youtuber Paulo Figueiredo, aliado do deputado federal. Em pronunciamento recente, Figueiredo afirmou que outros ministros do STF também podem ser incluídos na lista de sanções. Mesmo diante do ataque inédito, Moraes reafirmou o compromisso com a Constituição e a independência do Poder Judiciário. “Não nos intimidaremos. A Justiça brasileira não se submete a pressões externas nem a traições internas disfarçadas de patriotismo”, concluiu.
Manaus terá manifestação de movimentos sociais contra tarifaço dos EUA nesta sexta-feira
Movimentos sociais, sindicatos e frentes populares de Manaus irão às ruas nesta sexta-feira (1º) em protesto contra o chamado “tarifaço de Trump” — pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deve atingir diretamente setores estratégicos da economia brasileira, como o de madeira e ferro-gusa. O ato está marcado para às 16h, na Praça da Polícia, no Centro de Manaus, em frente ao Palacete Provincial, local simbólico de resistência histórica na capital amazonense. A manifestação integra uma mobilização nacional convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de diversas organizações sociais e sindicais em todo o país. Além da capital amazonense, os protestos ocorrerão em pontos estratégicos como os consulados dos EUA em São Paulo e no Rio de Janeiro, e na embaixada americana em Brasília. Outras capitais como Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Florianópolis também confirmaram participação. Tarifaço adiado, mas protesto mantido Inicialmente previsto para entrar em vigor nesta sexta-feira (1º), o tarifaço foi adiado para o próximo dia 6 de agosto, segundo decreto assinado por Trump na última quarta-feira (30). Ainda assim, os atos foram mantidos como forma de resposta política à medida, considerada por lideranças sindicais como uma agressão à soberania brasileira. “É uma interferência no judiciário e na soberania nacional. O único país que teve motivação política nas tarifas foi o Brasil. Isso não é só uma questão comercial”, afirmou Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, em entrevista à Agência Brasil. Efeitos econômicos e riscos trabalhistas Os principais setores afetados pelo tarifaço, de acordo com a CUT, são o da madeira e o de ferro-gusa, que têm como principal mercado de exportação os Estados Unidos. A preocupação é com possíveis impactos imediatos, como demissões e paralisações. Entretanto, Sérgio Nobre afirmou que há mecanismos suficientes para preservar os empregos nas áreas mais atingidas, como férias coletivas, antecipações de feriados e até layoff — modalidade de suspensão ou redução da jornada de trabalho. “Até agora, nenhuma empresa comunicou intenção de demitir. As conversas com sindicatos têm sido no sentido de buscar saídas negociadas”, reforçou o dirigente. Pautas locais e nacionais Além do repúdio ao tarifaço, a manifestação em Manaus e nas demais cidades também irá pautar reivindicações locais e nacionais: o fim da escala 6×1, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, taxação de grandes fortunas, redução da jornada de trabalho, oposição ao PL da devastação ambiental, combate à pejotização e denúncia ao genocídio em Gaza.
Jovem de Parintins é eleito delegado para Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial
O jovem parintinense Joneuber Vasconcelos foi eleito delegado para a 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), prevista para acontecer em Brasília ainda este ano. A escolha aconteceu durante a Conferência Temática da Juventude Negra, realizada na última terça-feira (29/07), na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Com o tema central “Igualdade e Democracia: Reparação e Justiça Racial”, a CONAPIR é um dos principais espaços de formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do racismo e à promoção da equidade no país. Representando o Amazonas Joneuber foi um dos três representantes amazonenses no encontro no Rio de Janeiro, indicado pelo Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (CEPIR-AM). Ao lado de cerca de 90 lideranças juvenis negras de todas as regiões do Brasil, ele contribuiu com propostas e pautas voltadas especialmente à juventude preta e indígena da região Norte. Durante a plenária, defendeu políticas de reparação histórica, justiça social e valorização da identidade amazônida, destacando a importância de uma juventude atuante nas decisões que impactam seus territórios. Escola Afro-Amazônica e luta por letramento racial Durante sua participação, Joneuber apresentou materiais produzidos pela Escola Afro-Amazônica, projeto antirracista que coordena na região. A iniciativa tem foco no letramento racial, na educação decolonial e na formação de jovens e educadores da Amazônia. Reconhecida nacionalmente, a Escola Afro-Amazônica atua com formações, oficinas e produção de conteúdos educativos que dialogam com a realidade dos povos pretos, indígenas e periféricos da região, promovendo o enfrentamento ao racismo estrutural por meio da educação. Presença ao lado de grandes nomes da luta antirracista Joneuber também teve a oportunidade de dialogar com referências nacionais na luta por igualdade racial, como a ministra Anielle Franco (Ministério da Igualdade Racial) e a deputada federal Benedita da Silva, primeira mulher negra a governar um estado no Brasil. Na foto registrada durante o evento, ele aparece ao lado das duas, marcando simbolicamente a presença da juventude preta amazônida nesse espaço de construção de políticas públicas. Voz da juventude amazônida “Representar minha cidade e meu povo num espaço como esse é uma grande responsabilidade. Lutamos por políticas públicas que valorizem nossa história, nossas raízes e nosso direito de existir com dignidade”, afirmou Joneuber. Com sua eleição para a etapa nacional, o jovem se prepara para levar novamente a voz da juventude preta, periférica e amazônida aos espaços de decisão em Brasília. Quem é Joneuber Vasconcelos Além de delegado da CONAPIR, o jovem parintinense acumula diversas frentes de atuação:
Seis dos oito deputados do Amazonas votam a favor do ‘PL da Devastação’: entenda o que muda
Seis dos oito deputados federais do Amazonas votaram a favor do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido por organizações socioambientais como “PL da Devastação”. A proposta, que flexibiliza o processo de licenciamento ambiental no Brasil, foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (17) por 267 votos a favor e 116 contra. Votaram “sim” os deputados amazonenses Adail Filho (Republicanos), Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Fausto Júnior (União), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos). O único a votar contra o texto foi Amom Mandel (Cidadania). Já Pauderney Avelino (União) estava ausente da sessão no momento da votação. O texto aprovado incorpora emendas do Senado, incluindo a criação de uma nova modalidade chamada Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que poderá acelerar projetos de grande impacto ambiental sem as exigências que existem atualmente. Outra mudança criticada é a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite o autolicenciamento de empreendimentos apenas com base em autodeclarações dos responsáveis, sem análise técnica prévia de impacto ambiental. A proposta também fragiliza o papel de órgãos como o Ibama, o ICMBio e o Conama, retirando sua obrigatoriedade em processos de licenciamento, inclusive em áreas protegidas como Unidades de Conservação. Além disso, retira salvaguardas de territórios indígenas e quilombolas ainda em processo de demarcação — o que abre caminho para a atuação de grandes empreendimentos, como a mineração e o agronegócio, sobre essas áreas. Especialistas e entidades ambientais classificaram a aprovação como um dos maiores retrocessos ambientais das últimas décadas. Para Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, a medida representa o enfraquecimento da principal ferramenta de prevenção de danos prevista na Política Nacional do Meio Ambiente. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente alertou que o PL ameaça a segurança ambiental e social do país e afronta a Constituição Federal. Agora, o projeto segue para sanção ou veto do presidente Lula (PT), que poderá aprovar o texto na íntegra, vetá-lo total ou parcialmente. A decisão final pode impactar diretamente o futuro da Amazônia e os mecanismos de proteção ambiental no Brasil.
PIM movimenta R$ 93 bilhões até maio e impulsiona empregos no Amazonas
Em continuidade aos bons resultados no primeiro semestre de 2025, o Polo Industrial de Manaus (PIM) fechou o período de janeiro a maio com faturamento de R$ 93,34 bilhões, o que representa crescimento de 14,08% em relação a igual intervalo do ano passado (R$ 81,82 bilhões). Em dólar, o faturamento no mesmo período atingiu o montante de US$ 16.21 bilhões. Em maio, o PIM empregou um total de 130.462 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. O quantitativo indica crescimento de 7,82% na comparação com o resultado obtido em maio de 2024 (120.995 trabalhadores). A média mensal de empregos do PIM em 2025, até maio, é de 131.550 trabalhadores. Os subsetores do PIM que contribuíram de forma mais ampla para o aumento do faturamento global no período de janeiro a maio incluem Bens de Informática (participação de 21,83%), Duas Rodas (20,15%), Eletroeletrônico (16,05%), Químico (10,13%), Mecânico (9,43%), Termoplástico (8,37%) e Metalúrgico (7,91%). Em termos de crescimento na comparação com o mesmo período do ano passado, pode-se destacar o desempenho do Polo de Duas Rodas (aumento de 21,02%), Metalúrgico (aumento de 30,59%) e Mecânico (aumento de 32,49%). Entre os principais produtos do Polo Industrial de Manaus, os itens com linhas de produção mais aquecidas no período de janeiro a maio de 2025, em comparação com o mesmo intervalo do ano passado, incluíram os condicionadores de ar do tipo split system, com 2.708.982 unidades produzidas e crescimento de 20,27%; motocicletas, motonetas e ciclomotos, com 902.842 unidades e aumento de 13,88%; televisores com tela de LCD e OLED, com 6.095.146 unidades e aumento de 6,30%; monitores com tela de LCD, para uso em informática, com 1.514.197 unidades e aumento de 27,6%; relógios de pulso e de bolso, com 3.394.622 unidades e aumento de 30,36%; e bicicletas, inclusive, elétricas, com 212.257 unidades e aumento de 32,8%. Avaliação De acordo com o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, o crescimento de 14,08% no faturamento do PIM, atingindo R$ 93,34 bilhões até maio, aliado à geração de mais de 130 mil postos de trabalho diretos, sinaliza a robustez da Zona Franca de Manaus. “Os dados confirmam a eficácia do modelo em impulsionar a economia regional e nacional, com destaque para os indicadores de empregabilidade e o crescimento de setores importantes como Duas Rodas, Metalúrgico e Mecânico. A Suframa seguirá monitorando e aprimorando os mecanismos que garantem a competitividade e a sustentabilidade do PIM”, afirmou Saraiva.
Justificativas de jurados do Festival de Parintins 2025 circulam na internet e reacendem debates
Alguns trechos de justificativas atribuídas aos jurados do Festival Folclórico de Parintins 2025 começaram a circular nas redes sociais na noite desta sexta-feira (11). O material, no entanto, não foi publicado oficialmente, e segue sendo compartilhado de maneira informal, com trechos isolados referentes a itens, datas e jurados diferentes. Entre os conteúdos que mais repercutiram está a nota atribuída ao item Cunhã-Poranga, com avaliação feita pela jurada Hylnara Vidal. Segundo o conteúdo compartilhado, a Cunhã-Poranga do Caprichoso recebeu nota 9,9, com a seguinte justificativa: “Chegada triunfal, belíssima, boa interpretação, domínio total da indumentária, encantadora, fluxo e energia. Mudanças de emoções, guardiã. Teve uma quebra de presença na troca de indumentária.” Já a Cunhã-Poranga do Garantido teria recebido nota 10: “Chegada triunfal e santa. Poder / Majestade / GUARDIA. Verticalização do corpo no espaço cênico, expressão corporal. Alegria perfeita. Movimentos e interpretação surpreende com indumentária. SABE MUITO.” As notas referem-se à avaliação da terceira e última noite do festival, realizada no dia 29 de junho. Outro item com justificativas compartilhadas foi o da Sinhazinha da Fazenda, avaliadas na segunda noite do festival (27/06). De acordo com os trechos que circulam nas redes: “Faltou graça e leveza, pouco domínio da espacialidade cênica.” “Demonstrou graça, leveza, dança, performance e boa movimentação pelo espaço cênico. Consciência dos movimentos e gestos corporais com interpretação.” Já no item Amo do Boi, que também se refere à última noite do festival (29/06), duas avaliações foram compartilhadas. O destaque ficou para a pontuação recebida por João Paulo Farias, do Boi Garantido, que teria sido 0,1 ponto abaixo de Caetano Medeiros, do Caprichoso. “Atendeu adequadamente aos critérios avaliativos.” “Ocorreram problemas de afinação durante a apresentação.” Entre torcedores do Boi Garantido, surgiram questionamentos sobre a possibilidade de a avaliação ter considerado apenas o critério de afinação vocal, sem levar em conta o conteúdo e a interpretação dos versos — parte importante do desempenho do item. Também aparecem entre as justificativas extraoficiais aquelas referentes ao item 1 – Apresentador: Assim como os demais documentos, essas justificativas também não foram oficialmente publicadas ou confirmadas até o momento desta reportagem. Vale lembrar que o Festival Folclórico de Parintins adota um sistema rígido e sigiloso de apuração, com critérios técnicos definidos por edital e avaliação feita por jurados de fora do estado. A divulgação oficial das justificativas costuma ocorrer após o encerramento do festival, em momento definido pela comissão organizadora. Até a publicação desta matéria, a direção do Festival, bem como os bois Caprichoso e Garantido, ainda não se pronunciaram sobre a veracidade do conteúdo que circula nas redes. A equipe da Update Manauara segue acompanhando o caso e mantém o espaço aberto para atualizações e manifestações oficiais.
Superintendente da SUFRAMA, Bosco Saraiva, comenta possível tarifa dos EUA e pede confiança na negociação
O superintendente da SUFRAMA, Bosco Saraiva, reforçou nesta quinta-feira (10) o compromisso da autarquia com “o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva” em reação à recente taxação decretada pelos Estados Unidos. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que, apesar do impacto econômico direto ser “quase insignificante” para o Polo Industrial de Manaus, a orientação “deve ser a cautela e a prudência” . Saraiva destacou a confiança na capacidade de negociação do governo brasileiro e do seu ministro, reiterando que a SUFRAMA não foge ao tom diplomático adotado pelo presidente Lula. “O nosso posicionamento é o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva… Evidentemente que a cautela e a prudência nesse momento deve ser o norte do nosso comportamento. Assim será aqui na SUFRAMA”, afirmou (). A SUFRAMA, órgão estratégico que administra a Zona Franca de Manaus e contribui significativamente para o desenvolvimento do Norte do país, ressalta que seu faturamento — regularmente divulgado — não sofrerá grande impacto com as medidas anunciadas pelos EUA. Tensão internacional Lula x Trump Nos últimos dias, o presidente Donald Trump elevou a pressão sobre o Brasil ao anunciar uma tarifa de 50% para importações brasileiras, com início previsto para 1º de agosto, uma escalada em relação aos 10% anteriores . A decisão ocorre num momento de clara tensão política, que envolveu trocas de críticas entre Trump — que qualificou Lula como “imperador” — e o presidente brasileiro, que rebateu afirmando que o Brasil “não quer um imperador” . A cúpula do BRICS, realizada esta semana no Rio de Janeiro, foi palco de fortes críticas às medidas comerciais de Trump. No encontro, Lula afirmou que o bloco não busca confronto, mas advoga por uma reorganização global mais justa e menor dependência do dólar . Especialistas alertam que a inclusão de tarifas punitivas contra membros do BRICS pode agravar ainda mais as relações comerciais e instigar um sentimento protecionista global .
Bosco Saraiva deixa futuro político em aberto e aposta no auge do Polo Industrial: “Vamos chegar a 140 mil empregos”
A reestreia do podcast PodMais, nesta segunda-feira (7), marcou o retorno do programa à cena midiática com uma entrevista que mesclou estratégia política, projeções econômicas e bastidores do poder regional. O primeiro convidado da nova fase foi o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, que, ao ser questionado sobre um eventual retorno às urnas, respondeu de forma enigmática: “O futuro a Deus pertence”. A frase, embora bíblica e diplomática, soou como um spoiler político vindo de quem tem quase quatro décadas de vida pública, foi vice-governador, deputado federal e estadual, e tem laços consolidados com o senador Omar Aziz (PSD), que pode disputar o Governo do Amazonas em 2026. Nos bastidores, há quem aposte que Saraiva deve coordenar a campanha do aliado. Mas agora, com a declaração, reacende-se a possibilidade de uma candidatura própria — seja a deputado federal, senador ou até mesmo vice de uma chapa majoritária. Sinalizações de bastidor Com a frase cuidadosamente escolhida, Bosco parece testar a temperatura do eleitorado, ao mesmo tempo em que mantém as portas abertas para futuras movimentações. O momento é estratégico: em plena gestão da Suframa, ele aparece como o principal porta-voz de uma fase de otimismo com o Polo Industrial de Manaus (PIM), que acaba de bater recorde histórico na geração de empregos. Mais de 130 mil postos de trabalho diretos foram registrados no primeiro semestre de 2025. Para Saraiva, o cenário é de alta: “Vamos atingir os 140 mil ainda este ano”. A marca, se confirmada, consolidará 2025 como o melhor ano da história em geração de empregos na Zona Franca — um dado valioso para qualquer projeto eleitoral. Política e economia em sincronia O crescimento do Polo Industrial é puxado por uma conjunção de fatores, segundo o superintendente. A Reforma Tributária, antes temida, foi “bem costurada pela bancada federal”, diz Saraiva, e trouxe “segurança jurídica” para novos investimentos. Esse novo ambiente é justamente o que permite movimentos como a ida de uma comitiva à China para negociar com duas gigantes chinesas, que podem vir a se instalar em Manaus ainda em 2025. Os nomes das empresas seguem em sigilo, mas a sinalização reforça o novo ciclo de internacionalização do Polo. Além disso, o gestor rebateu críticas de um telespectador sobre a suposta ausência de tecnologia no modelo Zona Franca. “É uma percepção equivocada”, afirmou. “Quase todas as empresas do Polo Industrial investem em ciência, tecnologia e inovação por meio da Lei de Informática.” Ele destacou que esse incentivo é o que vem permitindo avanços significativos rumo à chamada Indústria 4.0 na região Norte, tradicionalmente considerada periférica no mapa da inovação brasileira. Capital político em alta A fala de Saraiva no PodMais não passou despercebida pelo meio político. Um superintendente da Suframa com imagem pública consolidada, experiência legislativa e o respaldo de uma aliança com Omar Aziz é, no mínimo, uma figura central nas costuras para 2026. Mesmo que não entre diretamente na disputa, seu papel como articulador, coordenador de campanha ou mesmo vice pode se tornar decisivo. O fato de ele ter se exposto em um programa de grande audiência, de forma mais aberta do que vinha fazendo nos últimos meses, pode indicar que já há uma estratégia em curso. E, com a boa fase do Polo, ele tende a entrar no debate político com uma narrativa forte: a de que sua gestão ajudou a retomar a confiança no modelo Zona Franca. PodMais em nova fase A entrevista foi exibida na reestreia do PodMais, agora transmitido pela TV e Rádio Onda Digital. O programa, apresentado pelo jornalista Hiel Levy, com participação do radialista Ormando Barbosa e do comediante João Bosco Ricochete, manteve o estilo que o consagrou na TV Diário: mistura de jornalismo com humor leve e provocador. Nesta terça-feira (8), o entrevistado será o jornalista Brendo Cazuza, que recentemente viralizou nas redes ao criticar a capital paraense, Belém. O PodMais vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 16h40, e agora também está disponível no YouTube e nas plataformas digitais da Onda Digital. Análise Final: A entrevista de Bosco Saraiva sinaliza mais que otimismo econômico — marca o retorno de um político experiente ao centro do debate. Em um cenário de polarização e enfraquecimento de nomes tradicionais no Amazonas, Saraiva surge como um “player” de estabilidade institucional e competência técnica. Ele sabe disso — e parece pronto para capitalizar. Seja no front político ou nos bastidores da economia.
Marina abandona sessão no Senado após discussão com senador do Amazonas
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deixou uma audiência pública na Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado nesta terça-feira (27) após ser alvo de falas ofensivas do senador Plínio Valério (PSDB-AM). Convidada para prestar esclarecimentos sobre a criação de Unidades de Conservação na Margem Equatorial, Marina acabou confrontada por senadores em uma sessão marcada por ataques pessoais, violência política de gênero e embates sobre a pavimentação da BR-319, estrada que liga Manaus a Porto Velho. Durante a audiência, o senador Plínio Valério afirmou que respeita Marina como mulher, mas não como ministra, frase que gerou revolta. “Ao olhar para a senhora, estou vendo uma ministra, não uma mulher. A mulher merece respeito. A ministra, não. Por isso quero separar”, declarou. Marina respondeu que havia sido convidada como ministra, e não como mulher, e exigiu um pedido de desculpas para continuar na sessão. Diante da recusa do parlamentar, retirou-se da comissão afirmando que não poderia aceitar tamanha desqualificação. Relembro de ameaças anteriores Ao sair da comissão, Marina relembrou que o mesmo senador já havia a ameaçado verbalmente em março deste ano, durante um evento da Fecomércio-AM, ao afirmar que “foi difícil tolerar Marina por seis horas sem enforcá-la”. A ministra classificou a declaração como grave e afirmou que não poderia aceitar novas agressões. “Ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, disse. “Ele é uma pessoa que disse que da outra vez que eu vim aqui como convidada foi muito difícil para ele ficar 6h10 comigo sem me enforcar, e hoje veio de novo para me agredir.” Além das falas de Plínio, a ministra também foi alvo de críticas do senador Omar Aziz (PSD-AM), que a acusou de “atrapalhar o desenvolvimento do país” por conta de entraves ambientais que, segundo ele, impedem a liberação de mais de 5 mil obras no Brasil. Marina rebateu as críticas afirmando que é a favor do desenvolvimento sustentável e que as consequências da exploração ilegal de recursos naturais são “concretas”, e não ideológicas. “Desde que se começou a discutir a pavimentação da BR-319, o que se vê é uma corrida pela grilagem. Por isso propomos uma avaliação ambiental estratégica. Qual o problema de fazer isso? De ter governança?”, questionou. Debate sobre BR-319 se intensifica A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é um dos principais focos de tensão entre ambientalistas e parlamentares da região Norte. Por um lado, sua pavimentação é defendida como essencial para a integração da Amazônia com o restante do país e o desenvolvimento econômico da região. Por outro, especialistas alertam que a estrada pode ampliar o desmatamento e facilitar atividades ilegais, como grilagem, garimpo e exploração de madeira. Marina Silva afirmou que a solução para a rodovia passa pela realização de estudos sérios de impacto ambiental e pela governança responsável. Ela lembrou que esteve fora do governo por 15 anos e questionou por que, nesse período, a estrada não foi asfaltada. “O debate da BR-319 virou um debate em cima de bode expiatório, que chama Marina Silva. É concreto que eu saí do governo em 2008. Até 2023, são 15 anos. Porque as pessoas que são tão dadas a coisas concretas não fizeram a BR?”, criticou. O governo federal, por meio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já sinalizou apoio à pavimentação da rodovia, mas com condicionamentos ambientais. Uma das propostas é avançar com as obras em trechos já liberados, enquanto os demais passam por análise do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. Clima político e violência de gênero A saída de Marina da comissão gerou forte repercussão política e reacendeu o debate sobre a violência de gênero na política institucional brasileira. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) chegou a sugerir a retirada da ministra da audiência caso os ataques pessoais continuassem. Em sua fala, Marina destacou que atitudes como a de Plínio Valério colocam em risco a credibilidade do Senado e desvalorizam a presença de mulheres em cargos de liderança. “Dizer que a demolição da legislação ambiental é minha responsabilidade, quando foi o Senado que aprovou o texto, é não querer honrar o voto que os elegeu. Quem tem mandato vota pelas suas convicções, não porque foi obrigado”, afirmou. Após deixar a comissão, Marina seguiu para uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para tratar do projeto de lei sobre o novo Licenciamento Ambiental, aprovado pelo Senado na semana anterior e que agora será debatido pelos deputados. A condução da audiência e os ataques sofridos pela ministra foram amplamente criticados por entidades da sociedade civil, ambientalistas e parlamentares, que classificaram o episódio como mais um exemplo de violência política de gênero e intolerância institucional. Marina, uma das principais referências ambientais do país, reafirmou seu compromisso com o diálogo democrático, mas disse que não compactuará com agressões disfarçadas de debate.
Gkay tenta pescar pirarucu durante imersão amazônica em Manaus
A influenciadora Gkay — que reúne quase 20 milhões de seguidores nas redes sociais — está em Manaus para participar da programação do Festival da Cunhã, que acontece neste sábado (24), na Arena da Amazônia. Como parte da imersão amazônica proposta pelo evento, ela participou de um tradicional passeio da região e se aventurou na pesca do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo. A atividade contou também com a presença do ex-BBB Lucas Buda, que acompanha Gkay e outros criadores de conteúdo nesta vivência na Amazônia. Durante a pescaria, registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais, a influenciadora tenta fisgar o pirarucu e se mostra surpresa com a força do animal, símbolo da biodiversidade amazônica. O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos peixes mais impressionantes da região. Pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos, sendo conhecido por sua força e resistência, o que o torna uma das espécies mais desafiadoras para pesca. O animal é considerado um ícone da fauna local e é parte importante da alimentação e da cultura dos povos amazônicos. A vivência de Gkay faz parte da imersão amazônica promovida pelo Festival da Cunhã, idealizado por Isabelle Nogueira em parceria com a agência Mynd. O festival reúne mulheres influentes como Sarah Andrade, Thais Braz, Beta Boechat, Nataly Neri e Maíra Azevedo (Tia Má), em uma programação que celebra o protagonismo feminino, os saberes ancestrais e a força cultural da Amazônia. A proposta do festival vai além da música e dos palcos. Com experiências que envolvem contato direto com a floresta, culinária tradicional, estética regional e práticas sustentáveis, a imersão amazônica tem o objetivo de apresentar aos convidados — e ao público brasileiro — a riqueza e a diversidade do Norte do país. O ponto alto do evento acontece neste sábado (24), na Arena da Amazônia, como uma espécie de aquecimento para o Festival de Parintins, um dos maiores espetáculos folclóricos do mundo. A estreia do Festival da Cunhã marca um novo espaço de visibilidade para a cultura amazônica, conduzido por vozes femininas que dialogam com diferentes territórios e realidades.Gkay tenta pescar pirarucu durante imersão amazônica em Manaus


