O cinema brasileiro viveu uma noite histórica no Globo de Ouro 2026. O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou dois prêmios na cerimônia realizada neste domingo (11), em Los Angeles: melhor filme de língua não inglesa e melhor ator em filme de drama, com Wagner Moura no papel principal. A vitória marca um feito inédito para o Brasil, que, pela primeira vez, venceu duas categorias em uma mesma edição do Globo de Ouro. Na categoria de filme em língua não inglesa, o país não era premiado há 27 anos, desde Central do Brasil. Com isso, O Agente Secreto passa a integrar um grupo restrito de produções nacionais reconhecidas pela premiação, ao lado de Orfeu Negro e Central do Brasil Além dos troféus, o longa já havia chamado atenção por um marco histórico: foi o primeiro filme brasileiro indicado simultaneamente a três categorias em uma mesma edição do Globo de Ouro, melhor filme de língua não inglesa, melhor filme de drama e melhor ator em filme de drama. As indicações múltiplas reforçaram a força do projeto entre críticos e votantes. Wagner Moura venceu a disputa com nomes como Joel Edgerton, Oscar Isaac, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan e Jeremy Allen White. Em seu discurso, o ator destacou a dimensão simbólica do filme. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem”, afirmou. Em português, ele ainda dedicou o prêmio ao público brasileiro: “Viva o Brasil e a cultura brasileira”. Mais cedo, ao receber o prêmio de melhor filme em língua não inglesa, Kleber Mendonça Filho agradeceu ao elenco, destacou a parceria com Wagner Moura e dedicou a conquista aos jovens cineastas. “As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo”, disse o diretor, ressaltando a importância de continuar produzindo cinema em um momento histórico desafiador. A consagração no Globo de Ouro amplia a trajetória internacional de O Agente Secreto. Desde a estreia, o filme acumula 54 prêmios em 35 premiações ao redor do mundo, incluindo reconhecimentos no Festival de Cannes, onde venceu melhor direção e melhor ator. Com os resultados, o longa se consolida como um dos filmes brasileiros mais premiados de sua geração e reforça a presença do audiovisual nacional em grandes circuitos internacionais, ampliando a visibilidade do cinema brasileiro contemporâneo.
Mulheres Vivas: Parintins participa do ato nacional
A mobilização em Parintins começou às 16h30 deste Domingo 07/12, em frente à Catedral Nossa Senhora do Carmo, reunindo mulheres, movimentos sociais, organizações feministas, universidades e agremiações folclóricas. O ato integra a mobilização nacional Mulheres Vivas e ocorre de forma pacífica, segundo a Associação de Mulheres Vitória Régia de Parintins (AMVRPA). A manifestação contou ainda com a participação do Boi-Bumbá Garantido e da sociedade civil organizada, que se uniram para denunciar o avanço da violência contra mulheres no país. Enquanto Parintins reunia seus movimentos locais, o resto do país também tomou as ruas no ato Mulheres Vivas. Segundo o movimento Levante Mulheres Vivas, manifestações foram convocadas em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, milhares de pessoas se concentraram na Avenida Paulista pedindo justiça e denunciando a escalada dos feminicídios. A marcha veio em meio a novos casos que repercutiram nacionalmente, incluindo o assassinato de mulheres na própria região metropolitana durante o fim de semana. No Rio de Janeiro, o protesto ocupou a orla de Copacabana, onde cartazes lembraram as vítimas e pediram medidas mais firmes de enfrentamento à violência de gênero. Já em Brasília, mulheres se reuniram na Torre de TV e reforçaram orientações sobre medidas protetivas e canais de denúncia. Florianópolis, Belo Horizonte, João Pessoa e Campinas também registraram grandes atos. Em Florianópolis, a caminhada prestou homenagem à professora Catarina Kasten, estuprada e assassinada em novembro. Em Belo Horizonte, manifestantes percorreram diversas praças do Centro pedindo justiça e denunciando a impunidade. A mobilização nacional ocorre em um momento em que o Brasil ultrapassou a marca de mil feminicídios apenas em 2025. O ato Mulheres Vivas busca pressionar por mudanças estruturais e cobrar políticas públicas mais efetivas.
7 de dezembro: Manaus terá marcha nacional contra o feminicídio
Mulheres vivas! Mobilização em todo o país reforça urgência no combate à violência de gênero Os casos recentes de extrema violência contra mulheres no Brasil reacenderam um alerta que, na verdade, nunca deveria ter sido silenciado. Em poucos dias, crimes brutais tomaram conta do noticiário: uma jovem teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um quilômetro pelo ex-companheiro; uma trabalhadora foi baleada em plena rua; uma mulher e quatro crianças foram assassinadas dentro de casa; uma atleta foi estuprada e morta enquanto praticava esporte. Em Manaus, a marcha está marcada para 7 de dezembro, às 17h, na praça do congresso. A mobilização local se soma ao movimento nacional, que acontece simultaneamente em dezenas de cidades. Segundo dados compilados por movimentos feministas, mais de mil mulheres foram mortas no Brasil em 2025 pelo fato de serem mulheres. A naturalização da violência dentro de casa, nas ruas ou nas instituições, tornou-se parte do cotidiano. Mas não deveria. É diante desse cenário que coletivos, movimentos sociais e organizações de mulheres convocam uma marcha nacional neste sábado e domingo, com o lema Mulheres Vivas. O objetivo é claro: denunciar o feminicídio, cobrar políticas públicas efetivas e reafirmar que a violência contra a mulher não é destino, não é “crime passional”, não é tragédia isolada. É um problema estrutural e urgente. A convocatória ganhou força após a divulgação, pelo DataSenado, da Pesquisa Nacional de Violência Contra a Mulher (novembro/2025). O levantamento aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar só este ano. Outro dado alarmante: quase 6 em cada 10 mulheres afirmam que as agressões começaram nos últimos seis meses. Em 40% dos casos, havia testemunhas adultas e nenhuma ofereceu ajuda. Em diferentes redes sociais, lideranças e ativistas reforçam o chamado. “Nós vamos tomar as ruas para dizer basta. Não suportamos mais”, disse a deputada federal Sâmia Bonfim em vídeo publicado esta semana. Ato Nacional – Locais confirmados Brasília (DF): 10h, Feira da Torre de TV São Paulo (SP): 7/12, 14h, vão do Masp Rio de Janeiro (RJ): 12h, Posto 5 – Copacabana Curitiba (PR): 10h, Praça João Cândido – Largo da Ordem Cuiabá (MT): 14h, Praça Santos Dumond Campo Grande (MS): 13h, em frente ao Aquário do Pantanal Manaus (AM): 17h, Largo São Sebastião Parnaíba (PI): 16h, em frente ao Parnaíba Shopping Belo Horizonte (MG): 11h, Praça Raul Soares Porto Alegre (RS): 17h, Praça da Matriz São José dos Campos (SP): 15h, Largo São Benedito Salvador (BA): 10h, Barra (do Cristo ao Farol) São Luís (MA): 9h, Praça da Igreja do Carmo (Feirinha) Belém (PA): 8h, Boulevard Gastronomia Teresina (PI): 17h, Praça Pedro II A organização nacional divulga novas atualizações no Instagram @levantemulheresvivas A mensagem é direta: basta de feminicídio. Basta de naturalizar a violência. Queremos mulheres vivas.
Pré-estreia de Zootopia 2 movimenta Manaus com presença de Danton Mello e influenciadores nacionais
A noite da última segunda-feira, 18 de novembro, marcou a pré-estreia oficial de Zootopia 2 em Manaus, em um evento reservado para convidados e realizado a convite da Disney e da Espaço Z. A Update Manauara esteve presente para acompanhar de perto tudo o que rolou durante a celebração da sequência da animação vencedora do Oscar®. O evento reuniu influenciadores nacionais como Igor Saringer, Klebio Damas, Luana Benfica e o casal Marcela Bragança e Emmanuel Caxito, entre outros nomes que marcaram presença na pré-estreia. Antes da exibição do filme, os convidados participaram de uma programação especial pela cidade, incluindo visita ao Musa, passeio de barco e Encontro das Águas. Entre eles estavam Isabelle Nogueira, apresentadora e Cunhã Poranga do Boi Garantido, e o ator e influenciador Léo Bittencourt, que receberam os visitantes e compartilharam um pouco da cultura e da identidade amazônica ao longo dos dois dias de experiência. Amazônia, bioma e o novo personagem Gary Em entrevista à Revista Digital Update Manauara, Isabelle Nogueira destacou que a ida ao Musa serviu também como um momento de troca sobre o filme, especialmente pela presença de uma cobra na história, o novo personagem Gary. Ela ressaltou a importância desse animal para o bioma brasileiro e para a Amazônia, reforçando o papel da conscientização ambiental, já que as serpentes ainda sofrem muito preconceito. Expectativas para o filme O ator Léo Bittencourt também conversou com a Update Manauara e disse estar animado para a estreia. “Zootopia 1 foi um grande sucesso, e tenho certeza de que o 2 será também”, afirmou. Ele comentou ainda que acompanhar os influenciadores nos passeios pela cidade foi uma experiência especial e divertida, “já posso até me considerar guia turístico”, brincou. Danton Mello fala sobre dar voz ao Gary A entrevista mais aguardada da noite foi com Danton Mello, dublador do personagem Gary. Ao conversar com a Update Manauara, Danton revelou que a voz do réptil é totalmente diferente da sua e isso foi proposital. “Criamos uma voz mais aguda e específica para o Gary. É uma construção bem distante da minha voz natural, algo pensado junto com o diretor do filme”, explicou. Sobre o papel do novo personagem, o ator preferiu manter o mistério. Sem spoilers, afirmou apenas que espera que Gary seja “mais um amigo importante para contribuir com a trama”. Elenco de vozes brasileiras confirmado Além da experiência exclusiva em Manaus, a Disney anunciou recentemente o elenco nacional de Zootopia 2. Ao lado dos já conhecidos Rodrigo Lombardi e Monica Iozzi, que retornam como Nick Wilde e Judy Hopps, entram para o time: Danton Mello, dublando Gary, o misterioso réptil que movimenta a nova história. Thaila Ayala, interpretando a Dra. Fuzzby, uma quokka terapeuta dos oficiais de Zootopia. A sequência acompanha Judy e Nick investigando o surgimento de Gary, cuja presença provoca um desequilíbrio na cidade. O filme estreia nos cinemas brasileiros em 27 de novembro.
COP30: futebol vira plataforma de ação climática e CBF apresenta programa de sustentabilidade
Durante a COP30, em Belém, o futebol brasileiro assumiu um protagonismo inesperado, e estratégico nas discussões sobre clima e sustentabilidade. Na TED Countdown House, espaço que reúne especialistas, ambientalistas, artistas e lideranças globais, um painel especial colocou o esporte mais popular do país no centro do debate ambiental. O encontro, intitulado “From football rivalry to unity: Playing for Earth”, reuniu nomes do futebol paraense e nacional para mostrar como clubes, federações e projetos sociais estão transformando o esporte em ferramenta de mobilização climática. A mediação foi de Laura Moraes, diretora de campanhas da Terra FC, com participação de Eric Levine (Count Us In / Terra FC), além de Ricardo Gluck Paul (vice-presidente da CBF e presidente da FPF), André Alves (CEO do Remo), Tiago Xerfan Bentes (CEO do Paysandu) e o ex-jogador Zé Augusto. Futebol como agente climático Ricardo Gluck Paul destacou que a pauta ambiental não é opcional para quem ocupa espaços de influência e o futebol é, segundo ele, “a marca mais poderosa do mundo”. “Quando o esporte entende sua responsabilidade, o entretenimento vira propósito. O Brasil tem condições únicas de liderar essa agenda”, afirmou. Ele reforçou que a nova fase da CBF está estruturada em eixos social, ambiental e de governança, com metas como neutralizar o impacto dos mais de três mil jogos realizados anualmente. Remo e Paysandu apresentam soluções sustentáveis Os dois maiores rivais do Norte também mostraram que a sustentabilidade entrou de vez no calendário dos clubes. Paysandu – Extinção completa dos ingressos físicos – Operação digitalizada – Parcerias com associações de catadores para destinação correta de resíduos Remo – Uso de energia solar nos centros administrativos – Jogos sem copos plásticos – Uniformes produzidos com garrafas PET recicladas – Monitoramento de indicadores socioambientais CBF lança o programa “CBF Impacta” e mira neutralidade de carbono Durante a COP30, a CBF também apresentou oficialmente seu novo plano estratégico de sustentabilidade para os próximos anos. O CBF Impacta reúne projetos ambientais, sociais e de governança alinhados aos Objetivos de Futebol Sustentável (ODS do futebol), com foco em impacto real e mensurável. Entre as ações anunciadas: 1. Zona de Impacto Ambiental – Meta de tornar a CBF a primeira confederação de futebol do mundo 100% neutra em carbono (a partir de 2026) – Inventários auditados e compensação certificada – Incentivo a energia limpa, reaproveitamento de água e economia circular nas competições nacionais 2. Zona de Impacto Social – Criação da Estratégia Nacional do Futebol de Base, ampliando competições e formando jovens atletas de maneira cidadã — inclusive os que não seguirão carreira profissional. 3. Zona de Impacto de Governança – Lançamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro), que vai monitorar: • nível de endividamento proporcional à receita • limite para folha salarial • transparência dos clubes As punições incluem transfer ban, perda de pontos e até rebaixamento. O caderno final de regras será apresentado em 26 de novembro, no Summit CBF Academy, e começa a valer gradualmente a partir de 2026.
COP30: debate climático através da cultura e sustentabilidade
A programação cultural da COP30 tomou conta de Belém, reunindo música, arte, cinema, gastronomia e debates que aproximam o público do diálogo climático. Na Praça da Bandeira, a FreeZone Cultural Action segue até 21 de novembro com shows, exposições, experiências imersivas e atividades gratuitas que envolvem jovens lideranças, comunidades tradicionais, cientistas e artistas. Além disso, espaços históricos como o Theatro da Paz recebem espetáculos e apresentações beneficentes de nomes como Ney Matogrosso, Fafá de Belém, Lenine e Toquinho, conectando arte e preservação ambiental. Cultura entra para a agenda de ação climática pela primeira vez Em meio à programação, a COP30 marcou um momento inédito: a cultura passou a integrar oficialmente a Agenda de Ação Climática. O anúncio foi feito pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante um encontro com artistas e ativistas. Ela destacou o poder de mobilização da cultura na luta climática. A ex-ministra alemã Claudia Roth reforçou que arte e cultura também são ferramentas democráticas e críticas diante da crise ambiental. Com essa inclusão, a COP30 amplia o papel da cultura como aliada estratégica na mobilização social por justiça climática e desenvolvimento sustentável.
COP30: protesto expõe tensões sobre petróleo na Amazônia, Marco Temporal e taxação de bilionários
Manifestantes indígenas e ambientais ocuparam a Zona Azul sob críticas ao governo e pedidos por justiça climática; governo brasileiro minimiza e chama de “caso isolado” O segundo dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), terminou em confronto entre manifestantes indígenas, ribeirinhos e ativistas ambientais e a equipe de segurança da ONU. O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11), dentro da chamada Zona Azul, área diplomática de acesso restrito, e ganhou repercussão internacional. Sob gritos de “taxar bilionários” e palavras de ordem em defesa da Amazônia, o grupo protestava contra a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas, o Marco Temporal e o Projeto de Lei 2159/2021, apelidado de “PL da Devastação”, que flexibiliza o licenciamento ambiental no país. As lideranças alegaram que as ações foram motivadas pela falta de visibilidade e representatividade das comunidades tradicionais nas negociações climáticas da conferência. Vídeos feitos no local mostram manifestantes com trajes indígenas e bandeiras de movimentos estudantis tentando avançar sobre a barreira de segurança, rompendo a área de revista e controle de acesso. Portas foram forçadas, mesas e cadeiras usadas como bloqueio e houve confronto físico com os seguranças, deixando ao menos dois agentes feridos. Profissionais da imprensa também relataram hostilidade e danos a equipamentos durante a cobertura. A ONU confirmou a investigação do caso e reforçou que “os protocolos de segurança foram acionados”. Marcha pacífica e dissidência A ação dentro do Hangar Centro de Convenções da Amazônia ocorreu logo após o encerramento da Marcha Global pela Saúde e Clima, organizada por entidades da sociedade civil. Em nota, os organizadores afirmaram não ter relação com o episódio na Zona Azul e destacaram que a marcha havia sido comunicada às autoridades e finalizada de forma pacífica. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também se manifestou, destacando que não coordenou a ocupação, mas defendeu o direito à manifestação e a autonomia dos povos. Segundo a entidade, mais de três mil indígenas brasileiros e estrangeiros participam da COP30, buscando espaço nas decisões sobre o enfrentamento à crise climática. “O movimento indígena sabe o que veio fazer e conhece o espaço que ocupa: estamos aqui para continuar arrancando compromissos e reafirmando que a resposta somos nós”, diz a nota da Apib. Repercussão internacional A repercussão do tumulto ganhou manchetes em diversos veículos estrangeiros. O britânico The Telegraph destacou a “violência dos ativistas”, enquanto a France 24 e a Associated Press contextualizaram o episódio como uma reivindicação por mais voz nas negociações e na gestão florestal. A BBC relatou que repórteres presenciaram a retirada de delegados da área, e a Reuters citou o relato de um segurança atingido por um tambor. O caso reforçou o debate global sobre segurança, transparência e representatividade indígena nas decisões da COP30, que pela primeira vez ocorre na Amazônia. Posicionamento do governo brasileiro No dia seguinte ao episódio, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, classificou o ocorrido como “um fato isolado” e minimizou os impactos políticos da invasão. “Aqui dentro da COP, os povos originários, com suas experiências, são importantes. Estamos reconhecendo também os povos originários como portadores de possibilidades da relação do povo com a natureza”, afirmou a ministra, em entrevista na Zona Verde. Ela negou que haja falta de representatividade indígena nas negociações e destacou o papel da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, como liderança nas discussões. Entre pautas ambientais e disputas políticas Além das críticas à política ambiental do governo federal, alguns manifestantes também entoaram gritos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo coerência entre o discurso de preservação e as decisões sobre exploração de recursos na Amazônia. As reivindicações do grupo, que envolveram justiça climática, defesa dos povos tradicionais e taxação de grandes fortunas, evidenciam as tensões entre o governo e movimentos sociais no palco da conferência. Com a COP30 reunindo líderes mundiais e chefes de Estado, o episódio em Belém expôs o desafio de conciliar a diplomacia ambiental com as demandas históricas da Amazônia, num momento em que o planeta inteiro volta os olhos para o Norte do Brasil. * Com informação complementares de Agência Cenarium
COP30: 1º dia é marcado por consenso global, discursos pela justiça climática e protesto
O primeiro dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), iniciado oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), foi marcado pela aprovação da agenda oficial do evento — um consenso entre os 194 países e a União Europeia que abre caminho para as negociações de financiamento climático, transição energética e adaptação global. O acordo inicial, considerado um dos momentos mais importantes do encontro, foi celebrado como sinal de harmonia entre as nações logo nas primeiras horas da conferência. Além da aprovação da agenda, o primeiro dia foi pautado pela pressão internacional em torno da redução do uso de combustíveis fósseis, um dos temas centrais da COP30. O chefe da ONU para assuntos climáticos, Simon Stiell, reforçou que o foco agora deve estar em “como” fazer a transição energética de forma justa e acelerada. Lula e Helder Barbalho abrem a COP30 destacando a Amazônia e cobrando ação global Durante a cerimônia de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a COP30 será “a COP da verdade”, criticando o negacionismo climático e as guerras financiadas por nações ricas. Em discurso, Lula defendeu que a emergência climática é também uma crise de desigualdade, que atinge de forma mais severa as populações vulneráveis, e convocou o mundo a cumprir compromissos concretos com o planeta. “A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro, é uma tragédia do presente. […] A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela define quem é digno de viver e quem é digno de morrer”, declarou o presidente, ao lado do governador Helder Barbalho, anfitrião do evento e um dos responsáveis pela realização da conferência “no coração da Amazônia”. Lula também destacou a criação do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com aporte inicial de US$ 1 bilhão, voltado ao financiamento de projetos sustentáveis em países com biomas tropicais. Presidente do Ibama alerta para o avanço da crise climática O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, ressaltou a urgência de uma ação conjunta entre governos, sociedade civil e setor privado, com atenção especial ao agronegócio. Segundo ele, o Brasil já sente os impactos diretos do aquecimento global. “Nós temos hoje o dobro de gás carbônico na atmosfera em comparação a 20 anos atrás. Os episódios extremos tendem a se agravar. Precisamos adaptar a agricultura, as cidades e reduzir os gases de efeito estufa”, disse. Agostinho lembrou ainda que, sem as florestas tropicais, não há solução possível para a crise climática. Ministra da Cultura fala sobre sobrevivência da humanidade A ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a COP30 representa um marco global “vital para a sobrevivência da humanidade”. A ministra destacou o esforço do governo federal na estruturação de Belém e disse que o evento já demonstra sua relevância com o volume de participantes e o impacto econômico e político gerado. “Pelo esforço feito para montar toda a estrutura, podemos ter a dimensão da importância que este evento tem para a sobrevivência da humanidade”, declarou. Margareth também celebrou o repasse de US$ 1 bilhão ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre como um sinal concreto de compromisso internacional. Vozes indígenas e amazônicas ganham destaque A liderança indígena Vanda Witoto criticou a ausência de autoridades políticas do Amazonas na abertura da COP30 e cobrou mais escuta das vozes originárias. “Era missão dos prefeitos e governadores reivindicar financiamento para mitigar e adaptar as cidades às mudanças climáticas. Precisamos ser ouvidos”, disse. Vanda também chamou atenção para a mobilização popular, destacando que muitos representantes indígenas viajaram em condições precárias para participar da conferência. Já a empreendedora indígena Vanda Maciel Pororoca, do Amapá, apresentou um projeto de purificação de água que utiliza saberes tradicionais e tecnologia de ponta. A iniciativa transforma água bruta em água alcalina potável, unindo inovação e bioeconomia. “Nosso projeto é uma solução que une os saberes da floresta à tecnologia, impulsionando a bioeconomia e proporcionando qualidade de vida às pessoas”, afirmou. Protesto marca o início das mobilizações populares Logo nas primeiras horas do evento, ativistas do movimento Dívida pelo Clima realizaram um protesto simbólico em frente à Zona Azul da COP30. Militantes de diversos países se deitaram no chão cobertos por panos, simulando corpos sem vida, em um ato contra a desigualdade global e a inércia dos países ricos diante das crises climáticas. “Essas dívidas são uma forma de neocolonização. Nossa força vem do Sul Global para o Norte Global”, afirmou a ativista Lígia Machado. O movimento reivindica o cancelamento das dívidas impostas ao Sul Global e pretende realizar novas manifestações nos próximos dias em Belém. Um início de debates e contrastes O primeiro dia da COP30 refletiu o tom que deve guiar toda a conferência: cooperação internacional, protagonismo amazônico e pressão por resultados concretos. Enquanto líderes políticos firmaram compromissos pela justiça climática, movimentos sociais e vozes indígenas lembraram que a urgência do clima também é uma urgência humana.
Manaus 356 anos: a cidade que pulsa cultura, história e orgulho amazônico
Hoje, 24 de outubro de 2025, Manaus celebra 356 anos de existência, uma cidade erguida entre rios e floresta, cujo pulsar está na força da cultura, na memória da história e no orgulho de ser amazônida. Nascida às margens do majestoso Rio Negro e moldada por gerações que atravessaram o tempo, Manaus reafirma sua vocação de resistência, diversidade e criatividade. Desde sua fundação como forte em 1669, criada para proteger a região amazônica, a cidade trilhou caminhos de transformação que a tornaram não apenas capital do Amazonas, mas também símbolo da Amazônia moderna. As memórias indígenas dos Manaós, povo que deu nome ao lugar, se misturam às heranças coloniais e ao crescimento urbano que nunca deixou de dialogar com a floresta. Na era da borracha, Manaus viveu um período de esplendor: prédios imponentes, arte efervescente e uma modernidade que a projetou para o mundo. O Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, o Mercado Municipal e o Porto Flutuante são testemunhos desse tempo, onde o luxo europeu se misturava ao calor da selva. Hoje, essa herança vive nas ruas do centro histórico, nas expressões artísticas e na vida que corre entre o urbano e o natural. Celebrar Manaus é celebrar a pluralidade. É reconhecer a força dos povos indígenas, dos afrodescendentes, dos ribeirinhos e dos migrantes que ajudaram a construir essa cidade plural e criativa. É exaltar o boi-bumbá, as danças regionais, a gastronomia que traduz a floresta em sabor e o jeito acolhedor do povo manauara, que carrega no peito o orgulho de ser da Amazônia. Neste aniversário, as comemorações que tomam a cidade, das apresentações musicais na Ponta Negra às festas populares na zona Norte, não são apenas celebração: são a reafirmação de uma identidade. Manaus é resistência, é arte, é vida que pulsa no compasso dos rios. Ao completar 356 anos, Manaus segue se reinventando sem abrir mão da sua essência: metrópole dos rios, guardiã da floresta e palco da cultura amazônica. Parabéns, Manaus, que teu futuro continue verde, diverso e cheio de orgulho de ser quem és.
Senado rejeita PEC da Blindagem; proposta foi criada por político paraense Celso Sabino
Rejeição unânime na CCJ do Senado barra medida que limitava prisões de parlamentares e ampliava foro privilegiado O Senado rejeitou nesta quarta-feira (24) a chamada PEC da Blindagem, proposta que causou forte polêmica por limitar prisões de parlamentares, determinar aval do Legislativo para abertura de processos contra congressistas e ampliar o foro privilegiado. A votação unânime na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) abre caminho para que a proposta seja arquivada após anúncio oficial no plenário pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. A decisão da CCJ reuniu críticas de senadores de diferentes partidos, que consideraram a proposta exagerada e prejudicial à democracia. Manifestações em capitais do país no último domingo (21) também pediram a rejeição da PEC. Senadores que votaram contra a PEC da Blindagem: Quem criou a PEC da Blindagem O texto da PEC da Blindagem foi originalmente apresentado em 2021 pelo atual ministro do Turismo, Celso Sabino. Na época, a motivação da proposta estava relacionada à prisão de Daniel Silveira, aliado do então presidente Jair Bolsonaro, por vídeos com ofensas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Sabino é um político paraense com grande influência no Centrão, já tendo se aproximado de líderes como Arthur Lira (PP-AL) e o deputado Aécio Neves (PSDB-MG). Ele enfrentou conflitos internos no PSDB antes de migrar para o União Brasil, e atualmente se aproxima do presidente Lula, pretendendo concorrer ao Senado em 2026. Apesar disso, há previsão de que ele deixe o cargo de ministro ainda nesta semana. O histórico político de Sabino inclui articulações para integrar o PSDB à base do governo Bolsonaro e tensões com a direção da legenda, chegando a ser alvo de processo de expulsão antes de se desfiliar voluntariamente em 2021.


