Manaus e diversas cidades do interior do Amazonas enfrentaram, na noite desta terça-feira (2), mais um apagão de grandes proporções. Essa foi a terceira interrupção no fornecimento de energia em menos de um mês, mas, desta vez, o blecaute afetou todo o estado. O problema escancara a fragilidade do sistema elétrico e gera preocupação sobre a recorrência dessas falhas.
O que causou o apagão?
Segundo a Amazonas Energia, concessionária responsável pela distribuição de eletricidade no estado, o blecaute teve origem em uma falha na linha de transmissão de 500 kV Jurupari-Oriximiná, que faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN). A interrupção ocorreu às 22h06 e afetou todas as cidades amazonenses, deixando milhões de moradores sem luz.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) autorizou o início da recomposição da carga às 22h54, mas o restabelecimento foi gradual. No momento da autorização, apenas 13% da distribuição havia sido recuperada. Mesmo assim, até as 23h50, bairros da capital e municípios do interior ainda permaneciam sem energia.
Três apagões em menos de um mês
O histórico recente de falhas no sistema elétrico preocupa a população e coloca em xeque a infraestrutura do setor no Amazonas. Antes do blecaute desta terça-feira, dois outros apagões de grandes proporções atingiram o estado:
• 7 de março: Uma falha na linha de 500 kV Jurupari-Silves provocou um apagão generalizado, afetando Manaus, municípios da Região Metropolitana e cidades do interior. Em alguns pontos, o restabelecimento completo levou mais de seis horas.
• 27 de março: Um novo blecaute ocorreu devido a uma falha na linha de 230 kV Lechuga-Manaus, deixando várias áreas sem energia por horas.
O cenário de apagões recorrentes gera indignação e preocupação entre os moradores, que enfrentam não apenas transtornos diários, mas também prejuízos financeiros e riscos à segurança.
Impactos para a população e economia
A falta de energia compromete diversos setores essenciais, como saúde, comércio e transporte. Hospitais dependem de geradores para manter equipamentos funcionando, enquanto empresários contabilizam perdas devido a produtos estragados e paralisação das atividades. Além disso, a ausência de iluminação pública aumenta a sensação de insegurança nas ruas.
No caso específico da noite desta terça-feira, cidades como Parintins, Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Iranduba e Manacapuru foram afetadas, além da capital. Moradores relataram oscilações no fornecimento e dificuldades para obter informações concretas sobre a normalização dos serviços.
Quem responde por isso?
A Amazonas Energia informou que aguarda um posicionamento oficial do ONS sobre o motivo exato da falha desta terça-feira e os próximos passos para evitar novas ocorrências. No entanto, a população segue sem respostas concretas e teme que os apagões se tornem ainda mais frequentes.
A crise energética no estado levanta questões sobre a necessidade de investimentos na infraestrutura elétrica, fiscalização mais rigorosa e um planejamento eficaz para garantir um fornecimento estável de energia. Enquanto isso, os amazonenses convivem com a incerteza e os prejuízos causados por um sistema que deveria ser confiável, mas tem se mostrado cada vez mais frágil.
O que esperar?
Com três apagões registrados em menos de um mês, cresce a pressão sobre autoridades e órgãos responsáveis para que soluções sejam apresentadas. O setor elétrico no Amazonas precisa de mudanças urgentes para evitar que o estado continue mergulhado na escuridão – tanto no sentido literal quanto no figurado.