O futebol brasileiro se acostumou a chamar de paixão aquilo que muitas vezes já ultrapassou os limites do esporte. No domingo, 8 de março, dia das finais dos campeonatos estaduais, o que deveria ser a celebração máxima de rivalidades históricas e do espetáculo da bola acabou dando lugar a mais um retrato constrangedor do nosso futebol. Na decisão do Campeonato Mineiro, entre Cruzeiro e Atlético-MG, a partida terminou ofuscada por uma briga generalizada que resultou em 23 expulsões registradas em súmula, um recorde nacional. O episódio não pode ser tratado como um simples acidente de percurso, nem como “coisa de clássico”. Essa tentativa de normalizar o absurdo é, talvez, um dos sintomas mais graves do futebol brasileiro. Quando um jogo decisivo se transforma em cenário de agressões, socos, chutes, invasão emocional e completo descontrole, o que se revela não é apenas a falha de alguns atletas em campo, mas a incapacidade estrutural de o nosso futebol conter a própria violência que alimenta. O clássico deixa de ser espetáculo esportivo e passa a flertar com a lógica do inimigo. É esse o paradoxo brasileiro: o país que gosta de se enxergar como o lugar onde o futebol é arte segue produzindo cenas em que a arte é engolida pela barbárie. O que deveria ser memória de um título, de uma atuação decisiva ou de um grande roteiro esportivo acaba substituído por imagens de pancadaria. A notícia já não gira em torno do jogo, mas do vexame. E a repercussão internacional do caso mostra isso com clareza: o futebol brasileiro volta ao noticiário global não pela sua técnica, pela sua criatividade ou pelo seu peso histórico, mas pelo escândalo da violência. Há, nesse tipo de cena, um reflexo do próprio país. O futebol não inventa sozinho a violência; ele a absorve, a encena e a amplifica. Em um ambiente social já marcado pela dificuldade de mediação de conflitos, pela naturalização da agressividade e pela transformação de toda divergência em confronto, o campo se torna mais um palco onde essas tensões explodem diante das câmeras. Por isso, reduzir o problema à indisciplina de um ou outro jogador é conveniente, mas insuficiente. O que se viu no Mineirão foi também um retrato simbólico de um Brasil que ainda confunde intensidade com brutalidade. O mais preocupante é que esse tipo de episódio não surge no vazio. Nos últimos anos, a violência no futebol brasileiro voltou a se impor como tema recorrente, envolvendo brigas, intimidação, racismo, misoginia e ataques que colocam em xeque a segurança dos eventos esportivos. O próprio Ministério do Esporte intensificou iniciativas públicas para enfrentar essa escalada, o que demonstra que não se trata de um problema episódico, mas de uma crise persistente. Por isso, a pancadaria entre Cruzeiro e Atlético-MG precisa ser lida para além do fato isolado. Ela expõe um problema estrutural do futebol brasileiro: a rivalidade frequentemente deixa de ser elemento dramático do espetáculo para se tornar justificativa para o descontrole; a autoridade em campo e fora dele parece sempre correr atrás do caos; e a paixão popular, em vez de ser civilizada pelas instituições do esporte, muitas vezes é explorada e abandonada à própria combustão. Não basta lamentar depois. Não basta chamar de “cena triste”. O futebol brasileiro precisa decidir se quer continuar vendendo paixão enquanto entrega violência. No fundo, o que está em disputa não é apenas a imagem de um campeonato estadual ou de dois clubes gigantes. É a imagem do próprio futebol brasileiro. Enquanto o país seguir tratando episódios como esse como exceção folclórica, continuará preso a um modelo em que o jogo é menor do que o tumulto. E quando a barbárie vira rotina, o espetáculo deixa de ser o futebol e passa a ser o colapso dele.
Fim dos estaduais: eles ainda têm a mesma relevância?
Grande parte dos campeonatos estaduais do Brasil chegou ao fim ontem, e uma pergunta volta a aparecer entre torcedores e analistas: os estaduais ainda têm a mesma relevância de antes? Para muitas torcidas campeãs, o título é comemorado, mas sem o peso de outras épocas. É claro que levantar uma taça sempre merece celebração, porém a sensação para muitos é de “mais do mesmo”. Diante disso, fica a reflexão: qual é, de fato, o tamanho de um título estadual hoje? Houve um tempo em que os estaduais eram os principais campeonatos do país. Existia toda uma narrativa e rivalidade em torno dessas competições, e passar muitos anos sem conquistar o título era motivo constante de provocações entre torcedores. Nos dias atuais, porém, vencer o estadual muitas vezes é tratado como obrigação. Em diversos clubes, a comemoração dura pouco: as cobranças por desempenhos em competições maiores começam já no dia seguinte. Parte da torcida, inclusive, defende o fim dos estaduais, argumentando que, além de perderem importância, ocupam muitas datas no já apertado calendário do futebol brasileiro. Apesar das críticas, uma coisa parece certa: os estaduais dificilmente vão acabar. A relevância pode não ser mais a mesma de décadas atrás, mas começar a temporada com um título ainda é algo capaz de elevar a confiança e a moral de qualquer equipe.
Ingressos para show do Capital Inicial já estão disponíveis
Apresentação acontece no dia 28 de março, no Nova Era Hall – Studio 5, em uma noite dedicada aos grandes sucessos da banda A contagem regressiva começou para os fãs de rock em Manaus. A banda Capital Inicial se apresenta no dia 28 de março, no Nova Era Hall – Studio 5 (Av. Rodrigo Otávio, 3555 – Crespo), em show realizado pela Fábrica de Eventos. Os últimos ingressos ainda estão disponíveis online, pelo site www.bilheteriadigital.com, e em pontos físicos: Oba Ingressos, no Millennium Shopping, e na bilheteria do Teatro Manauara. Nas compras presenciais, o público pode parcelar o valor em até três vezes sem juros. O show está entre os mais aguardados na capital amazonense e promete uma viagem nostálgica pelos grandes sucessos da banda. No repertório, não devem faltar clássicos que marcaram gerações, como “Primeiros Erros (Chove)”, “À Sua Maneira”, “Natasha”, “Fátima” e “O Mundo”, músicas que ajudaram a consolidar o grupo como um dos nomes mais populares do rock nacional. Sobre a banda A banda surgiu em Brasília, em 1982, formada pelos irmãos Fê Lemos (bateria) e Flávio Lemos (baixo). No ano seguinte, Dinho assumiu os vocais e o grupo passou a ganhar destaque no cenário do rock brasileiro. Com uma trajetória marcada por sucessos e décadas de estrada, o Capital Inicial segue em atividade com Dinho, Fê Lemos, Flávio Lemos e Yves Passarell. SERVIÇO O que: Capital Inicial em ManausQuando: 28 de marçoOnde: Nova Era Hall – Studio 5Endereço: Av. Rodrigo Otávio, 3555 – CrespoIngressos: www.bilheteriadigital.comPontos de venda: Oba Ingressos (Millennium Shopping) e bilheteria do Teatro Manauara


