Há um entendimento técnico evidente em Destruição Final 2 sobre o que constitui o cinema-catástrofe contemporâneo: escala de destruição, sensação de ameaça global, deslocamentos em massa e a constante corrida contra o tempo. O filme opera com competência dentro dessa gramática do colapso – cidades em ruínas, rotas de fuga improvisadas, a precariedade das instituições diante do inevitável. Mas tropeça justamente no elemento que sustenta qualquer narrativa de fim do mundo: o vínculo humano. Ric Roman Waugh é um diretor cuja relação com a ação nasce do corpo. Antes de assumir a cadeira de direção, construiu carreira como dublê e coordenador de stunts em produções que exigiam domínio físico do risco, participando de sets como The Crow, Lethal Weapon 4 e The Last of the Mohicans. Essa formação não é apenas curiosidade biográfica – ela molda sua encenação. Waugh filma impacto, colisão e deslocamento com um senso tátil raro dentro do blockbuster moderno. O perigo pesa, tem atrito, exige esforço. No primeiro Destruição Final (2020), essa abordagem encontrava terreno mais fértil. Havia uma percepção mais aguda da urgência do fim iminente: o colapso não era só cósmico, mas social. Estradas congestionadas, fronteiras fechadas, abrigos superlotados – o mundo acabava também nas microdecisões. A corrida contra o tempo da família Garrity funcionava porque cada etapa tinha consequência dramática e desgaste emocional acumulado. Em Destruição Final 2, embora a escala aumente, a densidade diminui. O filme até compreende a mecânica do desastre, mas não consegue evocar sentimento pelos tantos personagens que entram e saem da trama como peças substituíveis de um tabuleiro em ruínas. Falta construção, falta permanência. Quando essas figuras desaparecem, não deixam marca, não instauram luto, não ampliam o peso moral da sobrevivência. O apocalipse vira paisagem – não experiência. Nesse vazio dramático, Gerard Butler novamente se impõe como centro gravitacional. Ele é, sem esforço, a melhor coisa do filme – e já havia sido do anterior. Butler carrega consigo o drama que o roteiro não consegue distribuir. Há cansaço, urgência e uma fisicalidade emocional na maneira como protege a família que devolvem verdade ao caos ao redor. Quando o filme funciona, é porque está ancorado nele. A parceria entre Butler e Waugh, aliás, já se provou eficaz em outros cenários de pressão extrema. Em Invasão ao Serviço Secreto (Angel Has Fallen, 2019), o diretor substitui o heroísmo higienizado por uma ação mais suja e vulnerável, permitindo que Butler trabalhe fragilidade dentro do arquétipo do agente de elite. Já em Destruição Final, essa dinâmica é ampliada para o campo do desastre global, mantendo o ator como eixo humano em meio ao espetáculo. Aqui, porém, nem mesmo essa química sustenta tudo. Há uma estranha superficialidade nas explicações do próprio desastre – causas, consequências e implicações globais são apenas tangenciadas. O roteiro prefere avançar do que aprofundar, como se a destruição fosse apenas dispositivo de movimento e não evento capaz de reorganizar o mundo e as pessoas. No fim, Destruição Final 2 é um filme que entende a anatomia do desastre, mas não sua alma. Ric Roman Waugh continua interessado no impacto físico do colapso – na corrida, na queda, no corpo atravessando destroços – e isso ainda garante momentos de tensão legítima. Mas sem personagens que sustentem o peso dramático do que está em jogo, a destruição perde permanência. Gerard Butler, mais uma vez, é quem impede o filme de desmoronar por completo. Sua presença injeta urgência, dor e humanidade onde o roteiro oferece apenas função narrativa. É ele quem nos faz sentir que ainda há algo a perder quando o mundo acaba. Entre a competência do espetáculo e a ausência de densidade emocional, o filme sobrevive – mas não marca. E para um cinema que fala justamente sobre o fim de tudo, sair apenas intacto é, talvez, pouco.
Em ascensão na nova cena musical amazônica, Uma Póvoas disputa vaga no Lollapalooza 2026
Cantora manauara participa de votação popular que define artistas do line-up do festival A cantora, compositora e violonista manauara Uma Póvoas participa da votação popular que pode garantir uma vaga no Lollapalooza Brasil 2026, um dos maiores festivais de música do país. Em ascensão na nova cena amazônica e nortista, a artista integra a seleção do concurso Temos Vagas, promovido pela 89FM – A Rádio Rock, iniciativa voltada à revelação de novos nomes da música brasileira. O link para votação está disponível em https://bit.ly/UmaPovoas_Lollapalooza2026. Com sonoridade que transita entre a MPB contemporânea e o pop alternativo, uma Póvoas constrói uma trajetória marcada pela união entre estética moderna, produção pop e a força poética da canção brasileira. Em carreira solo, ganhou destaque nacional com o single “Vida + Leve”, sua música mais ouvida, que soma 972.185 streamings nas plataformas digitais, em parceria com Lauro (PE) e Guilherme Castel (RS), consolidando sua identidade artística no cenário independente. Antes da fase solo, integrou o duo Chapéu de Palha, um dos projetos independentes mais expressivos da Região Norte, que ultrapassou 27 milhões de streamings e realizou apresentações de grande público, incluindo uma despedida com ingressos esgotados no Teatro Manauara. O duo lançou o EP “Eu” e o álbum “Cais”, com destaque para as faixas “Querida” e “Bem”, ampliando o alcance da música produzida na Amazônia para todo o país. Desde 2023, Uma Póvoas vem fortalecendo sua carreira autoral com lançamentos como “Movimento Solar”, que estampou a capa da playlist Indie Brasil, no Spotify, além de apresentações em formatos intimistas que aproximam público e canções. Em 2025, ampliou sua circulação ao integrar a programação de eventos relevantes da capital amazonense, como o Festival Ayédùn, o Te Encontro na Barroso e o Festival Amazonas de Música (FAM). Além da atuação artística, desenvolve projetos culturais importantes, como a parceria com a Aliança Francesa (AM), e atua como produtora cultural da Casa Cultural Ayédùn, coletivo que promove a valorização, o incentivo e o pertencimento cultural, contribuindo diretamente para o fortalecimento da cena independente em Manaus. Atualmente, a artista prepara o lançamento de seu primeiro álbum solo, previsto para 2026 e financiado pela Lei Aldir Blanc, após o EP ao vivo “Fim de Temporada” (2025/2026), que marcou a transição para uma nova fase da carreira. A participação no Lollapalooza representa mais um passo na consolidação de uma Póvoas como um dos nomes em ascensão da música produzida na Amazônia. “Esta é uma oportunidade muito grande de expandir o meu trabalho. O Lollapalooza é um festival conhecido mundialmente, e tocar lá é um sonho. Ter representantes da região norte naquele palco também é importante para nós, nortistas, como parte cena musical do país. Cada voto conta e faz diferença nesse momento!”, destacou a artista. A escolha dos artistas ocorre inicialmente por votação popular, realizada exclusivamente no site da 89FM – A Rádio Rock. As 50 bandas e artistas mais votados avançam para a segunda etapa do processo, quando serão analisados por uma comissão julgadora composta pela rádio 89FM e pela Rock World, organizadora do Lollapalooza Brasil. O resultado oficial será divulgado no dia 9 de março de 2026, às 20h, reforçando a importância do engajamento do público nesta primeira fase da seleção.


