Diferente da trilogia dos anos 80/90 — e não que eu quisesse um “copia e cola” daqueles filmes para a linguagem contemporânea —, é inevitável a comparação, sobretudo quando o novo longa é estrelado por Liam Neeson, filho de Leslie Nielsen, que carrega até a mesma trajetória de vida no cinema: astro de filmes de ação que, em certo ponto, se encontrou na comédia física e corpórea. A relação com o pai é clara. Neeson até consegue ter bons momentos vivendo o policial trapalhão Frank Drebin, mas mais no carisma do que no uso do corpo. Leslie evocava muito de Buster Keaton e Charlie Chaplin para criar comédia; aqui, falta inventividade nas situações para alcançar esse tipo de humor físico. Mesmo com três roteiristas, esses momentos nunca chegam. Um bom exemplo recente de como essa fisicalidade cômica pode funcionar dentro de uma narrativa policial é Dois Caras Legais (2016), de Shane Black. Lá, Ryan Gosling e Russell Crowe arrancam gargalhadas histéricas ao encarnar personagens desastrados em uma trama que simplesmente não para, cheia de reviravoltas e ritmo afiado. Black usa o desastre dos protagonistas como motor da história, não como adereço — algo que falta no novo Corra que a Polícia Vem Aí. A direção de Akiva Schaffer — que em 2022 comandou o ótimo Tico e Teco, onde a comédia funcionava por justamente extrapolar e fazer comentários ácidos sobre a indústria — aqui perde esse traço mais displicente, tão característico das sátiras à segurança pública travestidas de paródia. No lugar, aposta-se na “expertise” de criar o momento para a piada, e não em usar o cenário como gatilho para ela. O resultado lembra a forma como a Marvel pausa para que o público reaja a uma aparição especial: alguns segundos extras para gritos e aplausos, antes que o filme continue. É uma escolha desinteressante quando se tem Liam Neeson e Pamela Anderson ótimos em cena, entregando momentos plenamente funcionais — mas que parecem desperdiçados, como se a produção não soubesse o que fazer com eles. Isso fica mais evidente quando a comédia romântica entra na narrativa, contrastando com o humor nonsense. Só que tudo é esticado demais, resultando em um amontoado de esquetes mal estruturadas, num filme que tinha potencial para muito mais. Até mesmo o comentário sobre tecnologia parece ultrapassado e mal conectado ao conjunto. Dá a impressão de que um roteirista teve a ideia, ela foi encaixada no vilão — e, apesar de ser algo comum no arquétipo de antagonistas, aqui se torna explicativo e quase educacional, preso à lógica de que a arte precisa ensinar ou mandar uma mensagem. Fica bem aquém de qualquer senso de criar comédia genuína e passagens para seus atores brilharem. No fim, o remake de Corra que a Polícia Vem Aí soa menos como um fracasso isolado e mais como sintoma de um público que perdeu o paladar para assistir algo realmente orgânico dentro de um caos narrativo. A produção parece querer fazer algo especial — e, claro, mercadológico —, mas se perde nas muitas ideias que tinha em mãos e no vasto material de linguagem cinematográfica que poderia explorar. Há até referências a Instinto Selvagem e à própria trilogia original, mas tudo com a cara de um filme feito sob encomenda de estúdio, pensado para alimentar mais uma leva de “filmes nostalgia” do que para criar uma comédia memorável por si só.
Influenciador Hytalo Santos e o marido são presos em São Paulo
O influenciador Israel Nata Vicente, conhecido como Euro, é marido do influenciador Hytalo Santos. Ambos foram presos na manhã desta quinta-feira (15), em São Paulo, suspeitos de tráfico humano e exploração sexual. Hytalo é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração e exposição de menores de idade em conteúdos produzidos para as redes sociais. O caso ganhou repercussão após denúncias do youtuber Felca sobre casos de “adultização” de crianças e adolescentes. Euro gravava vídeos com o influenciador paraibano, com quem está há cerca de cinco anos. Menores de idade que participavam dos vídeos com Hytalo também apareciam em conteúdos gravados e publicados por Euro. O influenciador também é cantor de funk, natural de São Vicente, em São Paulo. Na carreira musical, Euro gravou diversas músicas com Hytalo. Uma dessas produções foi lançada em 2020 e acumula mais de 2,8 milhões de visualizações no YouTube. Hytalo e Euro se casaram em 2023, em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba, em um casamento que chamou atenção por distribuir como brinde no convite da festa um iPhone 15 Pro Max, que na época custava cerca de R$ 10 mil cada. Desde a sexta-feira (8), a conta de Hytalo está fora do ar. A conta de Euro também não está disponível no Instagram. A prisão de Hytalo Santos e Euro em São Paulo Os influenciadores foram presos nesta sexta-feira (15) em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Desde o dia 6, quando Felca, que tem mais de 4 milhões de inscritos no YouTube, citou em um vídeo a atuação de Hytalo na criação de conteúdo com menores, Hytalo foi alvo de medidas da Justiça da Paraíba em resposta a uma ação civil pública do MPPB, além de mandados de busca e apreensão. Procurada, a defesa do casal afirmou que ambos são inocentes e que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão que determinou a prisão. As ordens de prisão foram expedidas pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa da 2ª Vara da Comarca de Bayeux, na Paraíba. Em sua decisão, o magistrado disse que “há fortes indícios” de tráfico de pessoas, exploração sexual e trabalho infantil artístico irregular, produção de vídeos com divulgação em redes sociais e constrangimento de crianças e adolescentes, entre outros crimes. Ele argumentou ainda que a prisão tem como objetivo “impedir novos atos de destruição ou ocultação de provas, bem como evitar a intimidação de testemunhas”, acrescentando que essas “situações que já vêm ocorrendo desde que os investigados tomaram conhecimento da existência da investigação em seu desfavor”.


