Clássico de Christopher Nolan retorna às telonas entre os dias 28 de agosto e 03 de setembro A Warner Bros. Pictures Brasil anuncia o retorno do icônico filme Interstellar aos cinemas, com sessões especiais entre os dias 28 de agosto e 3 de setembro. Dirigido por Christopher Nolan e sonorizado por Hans Zimmer, o longa conquistou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2015 e promete emocionar o público mais uma vez com sua história envolvente e visual impressionante. A pré-venda para as reexibições já está disponível a partir de hoje, 14 de agosto; Essa é a oportunidade de embarcar novamente, ou pela primeira vez, em uma jornada épica pelo espaço e tempo. Interstellar acompanha Cooper (Matthew McConaughey), um astronauta chamado para liderar uma missão vital: encontrar novos planetas capazes de abrigar a humanidade, que enfrenta o esgotamento dos recursos naturais na Terra. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), Cooper parte para uma aventura incerta, correndo o risco de nunca mais rever seus filhos. Enquanto isso, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) embarca em sua própria jornada, determinada a salvar a população do planeta. Para mais informações sobre datas e horários das exibições, confira a programação da rede de cinema mais próxima.
Os dois lados de um mesmo Brasil: crítica “No céu da pátria nesse instante”
Assistir a No Céu da Pátria Nesse Instante, novo documentário de Sandra Kogut e Henrique Landulfo, é como abrir um álbum de memórias que preferíamos ter guardado no fundo da gaveta, mas que precisamos revisitar para entender o que vivemos. São 1h45 que não se arrastam, não se perdem, cada corte, cada cena, é um passo calculado dentro de um registro que beira o cirúrgico. O filme nos leva de volta aos meses mais turbulentos da recente história política brasileira: as eleições de 2022 e o rastro que elas deixaram até o 8 de janeiro de 2023. Mas, diferente de uma cobertura jornalística tradicional, ele nos joga direto para dentro dos bastidores, das campanhas, das estratégias, do trabalho quase invisível do TSE e, sobretudo, das ruas. É o Brasil polarizado visto de todos os ângulos possíveis: capitais fervendo em militância, interiores mais cadenciados e silenciosos, mas igualmente atravessados pela desinformação e pela disputa. O mérito aqui não está apenas no registro dos fatos, mas na forma como eles são apresentados. A montagem é um personagem à parte. Conseguir costurar imagens captadas por diferentes equipes, em mais de 15 estados, sem perder qualidade técnica ou coerência narrativa, é um trabalho quase coreográfico. Cada sequência carrega uma tensão latente, um peso que quem viveu aqueles meses sente na pele. É impossível não reviver a ansiedade de cada discurso inflamado, a insegurança de cada esquina com opositores armados e a apreensão diante da ameaça à democracia. O documentário também não nos poupa da crueza dos dois lados. Observamos tanto os entusiastas da “verdade absoluta” alimentados por religião, fé e manipulação quanto os que, com medo e resistência, se lançaram à rua para defender um sistema eleitoral constantemente atacado. É um retrato de um país que não conversa consigo mesmo, e que talvez tenha perdido temporariamente essa capacidade. E aí, quando menos esperamos, no meio da contagem dos votos, três senhoras começam a cantar Vermelho, toada de Chico da Silva, hino do Boi Garantido. No Rio de Janeiro, longe de Parintins, longe do nosso Amazonas, aquela melodia ecoa carregada de paixão. Para elas, naquele momento, o vermelho era a cor da vitória política que defendiam. Para mim, foi como um abraço inesperado da minha própria identidade cultural. Foi ali que percebi que o documentário não estava apenas mostrando um Brasil dividido, estava revelando como símbolos, cores e canções carregam significados múltiplos e, muitas vezes, opostos. O final nos entrega um respiro. Há lágrimas, abraços, derrotas amargas e vitórias aliviadas. O filme não julga, mas nos lembra o que estava em jogo. E, mesmo já sabendo o desfecho, é impossível não se arrepiar com as imagens das apurações, como se estivéssemos vivendo a final de uma Copa do Mundo, só que, desta vez, com o futuro do país na balança. No Céu da Pátria Nesse Instante é, acima de tudo, um espelho. E como todo espelho, pode ser incômodo. Mas é preciso olhar.


