No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado em 9 de agosto, os influenciadores e criadores de conteúdo originários de diferentes regiões do Brasil aproveitou a força das redes sociais para desmistificar um tema ainda marcado por equívocos e estereótipos: a diferença entre os termos “índio” e “indígena”. José Kaeté, do povo Tupinambá (PA), Carol Puyanawa, da Terra Indígena Mâncio Lima (AC), e Marciele Albuquerque, do povo Munduruku (PA), protagonizaram um vídeo que circulou no Instagram e no TikTok, explicando as origens e implicações de cada palavra. Segundo eles, “índio” é um termo criado no século XVI por colonizadores europeus que, acreditando ter chegado às Índias, passaram a chamar assim todos os povos que habitavam o território invadido. A expressão, além de equivocada, homogeneizou centenas de etnias e culturas distintas. Já “indígena” significa originário da terra, aquele que pertence a um povo que vivia no território antes da colonização. O termo, reforçam os influenciadores, é o mais adequado por respeitar a autodeclaração e a diversidade cultural dos povos originários. A própria Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) recomenda o uso de “indígena” justamente para evitar generalizações e estigmas históricos. 9 de agosto, data que reforça a luta e a identidade dos povos indígenas no Brasil e no mundo A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994 como o Dia Internacional dos Povos Indígenas, com o objetivo de reconhecer e valorizar as culturas, tradições e contribuições desses povos para a humanidade. No Brasil, onde vivem mais de 1,6 milhão de indígenas, distribuídos em 305 etnias e falando mais de 270 línguas, a celebração também é um momento de reflexão sobre os desafios atuais. A ONU e organizações indígenas alertam que, além da preservação cultural, é urgente garantir a proteção territorial e combater ameaças como o desmatamento, a violência e a discriminação. A data, portanto, não se limita à celebração: é também um chamado à conscientização e à ação para que esses povos possam viver com autonomia e dignidade. Assim, enquanto o vídeo dos influenciadores rompe com estereótipos no ambiente digital, o Dia Internacional dos Povos Indígenas reforça a importância de transformar esse reconhecimento em políticas e práticas concretas — unindo tradição, identidade e futuro.


