Camila Henriques, Pâmela Eurídice e Caio Pimenta representam o Amazonas na 83ª edição da tradicional premiação internacional Os jornalistas Camila Henriques, Pâmela Eurídice e Caio Pimenta vão representar o Amazonas como votantes do Globo de Ouro, uma das mais prestigiadas premiações da indústria do entretenimento mundial. O evento reconhece os melhores profissionais do cinema e da televisão. A lista oficial com os votantes da 83ª edição foi divulgada no site da premiação em 31 de julho deste ano. O grupo de jurados conta com mais de 300 jornalistas especializados em cinema e TV de diversas partes do mundo. O processo de seleção dos indicados envolve duas etapas: os votantes escolhem seis produções para cada uma das 27 categorias, voltadas ao cinema e à televisão e, em seguida, elegem os vencedores. A cerimônia está marcada para o dia 11 de janeiro de 2026 e é considerada um dos principais termômetros para o Oscar. Em 2025, o Brasil vibrou com a vitória de Fernanda Torres na categoria de Melhor Atriz em Filme de Drama, por sua atuação em Ainda Estou Aqui. Camila Henriques, jornalista e crítica de cinema radicada na Região Norte, participa pela terceira vez da votação do Globo de Ouro. Ela atuou por dez anos no portal Cine Set e é uma das apresentadoras do podcast Sábado Sem Legenda, que revisita clássicos das últimas décadas. Além disso, integra a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e o coletivo Elviras – Mulheres Críticas de Cinema. Camila conta que passou a integrar o corpo de votantes em 2023, após um rigoroso processo seletivo. “Já é meu terceiro ano como votante internacional, mas, a cada nova temporada, passo novamente pela seleção. É sempre uma notícia muito legal de receber, principalmente por ser uma premiação que acompanho há mais de 20 anos como espectadora e cinéfila. Jamais imaginei fazer parte disso. Ser a primeira amazonense no grupo, em 2023, foi uma honra. Agora, com o Caio e a Pâmela ao lado, é ainda melhor”, afirma. Ela destaca os desafios enfrentados por quem faz jornalismo cultural longe dos grandes centros. “É muito difícil fazer crítica de cinema em uma cidade onde quase não há cabines e que está distante dos circuitos dos festivais mais tradicionais. Fico feliz de ver o Caio e Pâmela também nesse grupo, pela seriedade do trabalho que fazem e pela relevância que deram à crítica de cinema no Norte do país”, pontua. Camila reforça que o jornalismo cultural vai além do eixo Rio-São Paulo, embora a distância geográfica ainda imponha barreiras para convites e visibilidade. “Espero que nossa presença nesses espaços inspire novas críticas e críticos, que mostre que há gente fazendo um trabalho legal aqui.” Ela também relembra sua trajetória no Cine Set, onde atuou por uma década. “Esse projeto foi um divisor de águas. Pela primeira vez, o Amazonas entrou na Abraccine, cobriu Cannes… Eram coisas que pareciam impensáveis. É um orgulho fazer parte dessa história.” Pâmela Eurídice e Caio Pimenta estreiam como votantes nesta edição da premiação. Ambos também fazem parte da Abraccine e têm trabalhos consolidados na crítica de cinema da região. Pâmela é mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam) e pesquisadora no Núcleo de Antropologia Visual (NAVI). Estuda a atuação de mulheres no cinema amazônico, integra os coletivos Elviras e a Associação Online de Críticas de Cinema (OAFFC), além de criar os podcasts Visões Femininas e Ícones do Cinema Amazonense. É autora do livro Olhar Feminino: o Norte na Direção e colaboradora do Cine Set. “Fiquei muito feliz e um tanto eufórica com a notícia. É um reconhecimento do trabalho que fazemos no Norte. Mostra que é possível sonhar e alcançar objetivos, mesmo fora dos grandes centros culturais. Também é uma oportunidade de mostrar a pluralidade do nosso olhar”, ressalta Pâmela. Caio Pimenta é jornalista formado pela Ufam, com especialização em Jornalismo Cultural, e atualmente cursa mestrado com foco na crítica cinematográfica amazonense. Fundador do Cine Set, criado em 2014, ele também integra a Federação Internacional de Críticos de Cinema (FIPRESCI). Caio revela que esta foi sua terceira tentativa de entrar no grupo de votantes. “Recebi a aprovação no dia 23 de julho, minutos antes de entrar no cinema para assistir a Quarteto Fantástico. Fiquei atônito. Sempre acompanhei o Globo de Ouro desde criança, e agora faço parte disso.” “Ter três representantes do Amazonas no grupo, dois deles do Cine Set, é um feito expressivo diante das dificuldades que enfrentamos. Não temos cabines, junkets, sessões legendadas… A crítica ainda é muito desvalorizada. Mesmo assim, conseguimos”, comenta. Para Caio, o feito pode inspirar outros profissionais. “Não é um caminho fácil, muito menos glamouroso. É um processo que exige tempo, dedicação, consistência. O Cine Set é uma prova de que é possível.” Questionado sobre diretrizes para os votantes, ele explica que não há um manual formal. “A formação vem da prática constante. Você não vira votante do Globo de Ouro da noite para o dia. É a construção de uma carreira. Assistir a muitos filmes, escrever bem, ler, estar atento ao mundo, tudo isso conta”.
Suframa assegura apoio à reconstrução de fábrica destruída após incêndio em Manaus
Um incêndio de grandes proporções atingiu, na tarde da última terça-feira (5), as instalações da fábrica Effa Motors, localizada na Avenida Flamboyant, no Distrito Industrial II, em Manaus. As chamas se alastraram rapidamente, destruindo grande parte da estrutura da empresa, que atua na produção de veículos utilitários, furgões e caçambas. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 12h e, até a manhã desta quarta-feira (6), ainda atuava no controle do fogo. Mais de 148 militares e 26 viaturas foram mobilizados na operação de combate às chamas. A principal preocupação era evitar que o incêndio se espalhasse para áreas de mata e para outras fábricas vizinhas. Suframa acompanha o caso e promete agilidade nos trâmites para reconstrução Durante visita ao local nesta quarta-feira (6), o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Bosco Saraiva, classificou o incêndio como um evento “traumático” para o setor industrial do Amazonas. Ele destacou que a autarquia acompanha o caso desde o início e está pronta para contribuir com a reconstrução da empresa. “Estamos prontos para ajudar na reconstrução da Effa, vencendo com rapidez os trâmites burocráticos. É uma fábrica estratégica para o Polo Industrial de Manaus, sendo a única que produz veículos utilitários na região”, afirmou Saraiva. Segundo ele, a Suframa já mobilizou sua equipe técnica e pretende acelerar os processos administrativos e institucionais necessários para garantir que a empresa retome suas atividades o mais breve possível. Prejuízos ainda não foram estimados De acordo com o superintendente, ainda é cedo para calcular os prejuízos causados pelo incêndio. Saraiva reforçou que o momento é de cautela e solidariedade à diretoria da empresa e aos trabalhadores afetados. “Não podemos avaliar a extensão disso. O momento agora é de cautela e de apoio à diretoria da Effa. Depois, a gente vai contabilizar os prejuízos efetivos e ajudar no que for possível”, declarou. A expectativa é de que o laudo técnico do Corpo de Bombeiros, ainda em andamento, possa apontar as causas do incêndio e fornecer mais clareza sobre os danos materiais. Fábrica vizinha também foi atingida Além da Effa Motors, a empresa Valfilm da Amazônia, especializada na produção de embalagens plásticas flexíveis, também foi atingida pelas chamas. Segundo o Corpo de Bombeiros, os esforços se concentraram em evitar o alastramento do fogo, o que poderia comprometer ainda mais a estrutura do Distrito Industrial. Uma funcionária ferida está hospitalizada Uma funcionária da Valfilm, identificada como Letícia Gomes, de 21 anos, grávida de dois meses, ficou ferida durante o incêndio. Ela sofreu queimaduras de segundo grau e foi internada no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. De acordo com o boletim médico divulgado pelo Complexo Hospitalar Sul (CHS), Letícia está consciente, orientada e sem risco de morte. Ela segue internada em leito de enfermaria, recebendo atendimento de uma equipe multiprofissional. Apoio institucional e financeiro O superintendente da Suframa também afirmou que, além do suporte técnico e institucional, a autarquia atuará para facilitar a interlocução com o governo federal e com instituições financeiras que possam contribuir com a recuperação da Effa Motors. “As empresas do Polo Industrial já contam com incentivos fiscais. Em casos como este, é possível buscar apoio junto ao Banco da Amazônia (BASA) e à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Suframa vai atuar para garantir que esse processo ocorra com agilidade”, finalizou Saraiva. Situação atual Até o momento, o incêndio já dura quase 20 horas. O trabalho de rescaldo ainda continua e o local permanece sob monitoramento das equipes de segurança. A comunidade industrial aguarda com expectativa a conclusão dos trabalhos técnicos e o início das ações efetivas para reconstrução da fábrica.


