Seis dos oito deputados federais do Amazonas votaram a favor do Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido por organizações socioambientais como “PL da Devastação”. A proposta, que flexibiliza o processo de licenciamento ambiental no Brasil, foi aprovada na madrugada desta quinta-feira (17) por 267 votos a favor e 116 contra. Votaram “sim” os deputados amazonenses Adail Filho (Republicanos), Átila Lins (PSD), Capitão Alberto Neto (PL), Fausto Júnior (União), Sidney Leite (PSD) e Silas Câmara (Republicanos). O único a votar contra o texto foi Amom Mandel (Cidadania). Já Pauderney Avelino (União) estava ausente da sessão no momento da votação. O texto aprovado incorpora emendas do Senado, incluindo a criação de uma nova modalidade chamada Licenciamento Ambiental Especial (LAE), que poderá acelerar projetos de grande impacto ambiental sem as exigências que existem atualmente. Outra mudança criticada é a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), que permite o autolicenciamento de empreendimentos apenas com base em autodeclarações dos responsáveis, sem análise técnica prévia de impacto ambiental. A proposta também fragiliza o papel de órgãos como o Ibama, o ICMBio e o Conama, retirando sua obrigatoriedade em processos de licenciamento, inclusive em áreas protegidas como Unidades de Conservação. Além disso, retira salvaguardas de territórios indígenas e quilombolas ainda em processo de demarcação — o que abre caminho para a atuação de grandes empreendimentos, como a mineração e o agronegócio, sobre essas áreas. Especialistas e entidades ambientais classificaram a aprovação como um dos maiores retrocessos ambientais das últimas décadas. Para Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, a medida representa o enfraquecimento da principal ferramenta de prevenção de danos prevista na Política Nacional do Meio Ambiente. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente alertou que o PL ameaça a segurança ambiental e social do país e afronta a Constituição Federal. Agora, o projeto segue para sanção ou veto do presidente Lula (PT), que poderá aprovar o texto na íntegra, vetá-lo total ou parcialmente. A decisão final pode impactar diretamente o futuro da Amazônia e os mecanismos de proteção ambiental no Brasil.
Atores amazonenses Adanilo e Rosa Malagueta levam o talento da Amazônia à sessão especial de “O Último Azul” no Palácio da Alvorada
Os atores amazonenses Adanilo e Rosa Malagueta participaram, na segunda-feira (14/07), de uma sessão especial do filme O Último Azul, realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília. A exibição contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da primeira-dama Janja, além de ministros, autoridades do governo federal e integrantes da equipe do longa. O evento foi marcado por homenagens ao cinema brasileiro e à cultura amazônica. Em suas redes sociais, Adanilo comemorou o momento: “Dia histórico! Sessão de O Último Azul com @lulaoficial e Janja. Viva o cinema feito na Amazônia! Viva o cinema brasileiro!”, escreveu o ator. Dirigido por Gabriel Mascaro e com estreia prevista nos cinemas brasileiros para o dia 28 de agosto, o filme é uma coprodução da Globo Filmes. A produção conquistou o Urso de Prata no 75º Festival Internacional de Cinema de Berlim, realizado em fevereiro deste ano. Em junho, também recebeu o prêmio de Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção no 40º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México. O elenco reúne grandes nomes, como Rodrigo Santoro, Denise Weinberg, Miriam Socarrás, Clarissa Pinheiro e Dimas Mendonça, além dos amazonenses Adanilo e Rosa Malagueta. A trama se passa em um Brasil com traços distópicos, onde o governo impõe o exílio compulsório de idosos para uma colônia habitacional obrigatória, sob o pretexto de proporcionar-lhes um fim de vida digno. Nesse contexto, Tereza, uma mulher de 77 anos, recebe a ordem para deixar sua casa. Antes da partida, ela embarca em uma jornada pelos rios da Amazônia para realizar um último desejo que poderá mudar seu destino para sempre. Trajetórias que exaltam a cultura amazônica Adanilo é indígena e possui formação técnica em Rádio e TV, estudou na tradicional Escola Técnica Estadual de Teatro (ETET) Martins Penna, no Rio de Janeiro. O ator participou de produções de destaque como os filmes Marighella, Noites Alienígenas, Oeste Outra Vez e Ricos de Amor 2. Também atuou nas séries Cidade Invisível, Dom, Um Dia Qualquer e na segunda temporada de Segunda Chamada, da TV Globo. Em 2024, viveu o personagem “Deocleciano” na primeira fase do remake de Renascer e integrou o elenco da novela Volta por Cima, como o motorista de ônibus Sidney. Já Rosa Malagueta, com 40 anos de carreira artística, construiu uma trajetória marcada pela expressividade e autenticidade. Atuou em diversos espetáculos teatrais no Amazonas, campanhas publicitárias e produções audiovisuais, como o longa A Festa da Menina Morta (2008) e a novela A Força do Querer (2017), de Glória Perez, na qual interpretou uma personagem paraense. Em publicação nas redes sociais, a atriz expressou a emoção vivida durante o evento: “Com quarenta anos de carreira, pisando palcos e telas, carregando as cores e os sons da minha Amazônia, revivi, nesta noite, uma emoção ímpar: a grandiosidade do cinema, que se transmuta em espelho da alma, grito de vida e abraço coletivo”, escreveu. “Hoje, enquanto as imagens dançavam na tela, eu via não apenas a obra, mas a jornada de cada um de nós que a construiu. Chorei em silêncio, não de tristeza, mas de uma gratidão que transborda. Gratidão por fazer parte, por estar aqui, por ser amazonense, por ser artista e por ser testemunha de um momento em que à arte é atribuído o devido valor. Que noite, meu Deus, que noite!”, declarou. Também estiveram presentes na sessão a ministra da Cultura, Margareth Menezes; a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco; o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares; o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), além de produtores e outras autoridades. O encontro reforçou o papel da arte como instrumento de identidade, resistência e pertencimento, especialmente quando ecoa as vozes, paisagens e vivências da Amazônia.


