Logo após encerrar sua apresentação emocionante na arena como cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle fez questão de marcar presença no Camarote Brahma, onde foi recebida por Thiago Menezes, diretor da Ambev, e Paolla Pio, gerente regional de Marketing da Ambev. A noite foi de celebração e encontros, reforçando a conexão da marca com a cultura amazônica e com os artistas que fazem a festa acontecer. “Acredito que a presença de uma marca como a Brahma seja de grande relevância. O Festival de Parintins é uma celebração da cultura popular amazônica e reúne artistas de diferentes origens. É um movimento que nasce da nossa terra, fortalece a economia local e proporciona sustento a muitos artistas. O apoio a essa iniciativa, a celebração, a interação e este momento em particular, como minha presença neste camarote, demonstram o valor que a empresa atribui aos artistas. Essa valorização, que acontece em nossa terra, impulsiona um movimento genuíno e essencial para quem vive da cultura. Agradeço imensamente”, destacou Isabelle. A passagem da artista pelo espaço celebrou essa parceria com a Brahma, que nesta edição reforça ainda mais seu apoio à cultura local, ao mesmo tempo em que promove encontros com influenciadores, imprensa e personalidades que valorizam a festa de Parintins.
Neto de Eunice Paiva entra com o Garantido em noite marcada por luta indígena e quilombola
Na primeira noite do Festival Folclórico de Parintins, o Boi Garantido levou à arena uma apresentação marcada por força, pertencimento e ancestralidade. Mas entre os muitos momentos que tocaram o público, um gesto silencioso se destacou: Chico Rubens Paiva entrou no Bumbódromo como parte do espetáculo. Um nome que, para muitos, talvez ainda não diga muito. Mas que carrega uma história profunda — e uma herança que se conecta diretamente ao tema que o Garantido escolheu para iniciar sua jornada: a luta por território, memória e justiça. Chico é neto de Eunice Paiva, uma das mulheres mais importantes na defesa dos direitos indígenas e quilombolas no Brasil. Advogada, militante dos direitos humanos e viúva do ex-deputado Rubens Paiva — morto pela ditadura militar nos anos 1970 — Eunice transformou o luto em ação. E fez da justiça sua forma de reconstruir não apenas a própria vida, mas a vida de comunidades inteiras que, por décadas, tiveram seu direito à terra negado. Ela trabalhou na Funai durante os anos 1980 e 1990 e foi responsável por destravar processos de demarcação fundamentais no Maranhão, no Pará e em Rondônia. Com um trabalho jurídico de base, anulou títulos ilegais de posse, fortaleceu comunidades tradicionais e garantiu que o que estava escrito na Constituição passasse a valer na prática. Eunice, inclusive, participou diretamente da construção dos artigos que hoje protegem os direitos territoriais dos povos originários e quilombolas. A apresentação do Garantido, neste ano, trouxe para o centro da arena o tema da terra — não como paisagem ou alegoria, mas como luta viva. Entre os destaques da noite, esteve o reconhecimento da Baixa da Xanda como território quilombola. Um ato que, feito em plena arena, transforma a festa em manifestação política e cultural de resistência. Foi nesse contexto que a presença de Chico Rubens Paiva se encaixou com tanta força: ele levou consigo o nome de uma mulher que fez dessa luta o seu caminho, e cuja memória continua ressoando nos territórios e nos corpos que resistem. Parintins é uma celebração folclórica, mas também é um lugar onde a arte se mistura com a política, com a história, com a realidade dos povos da Amazônia. Quando o Garantido coloca Chico na arena, ele não está só homenageando a avó dele. Está reconhecendo que a cultura popular também é feita de alianças históricas. Que a justiça não se dá só nos tribunais, mas também nos terreiros, nas comunidades, nas palhas dos galpões, nas danças e nas vozes que ecoam no Bumbódromo. Então, para quem se perguntou: quem é aquele rapaz? Ele é Chico Rubens Paiva, neto de uma mulher que ajudou a garantir o direito à terra de quem hoje canta, dança e resiste. E sua presença ali foi mais do que simbólica. Foi o corpo da memória dizendo: nós lembramos. E seguimos.


