Imagens inéditas de geoglifos — estruturas geométricas monumentais escavadas no solo — localizadas no município de Boca do Acre, no sul do Amazonas, foram reveladas nesta semana pelo Instituto Geoglifos da Amazônia, em Manaus. As descobertas fazem parte do projeto Desvelando o passado profundo e foram registradas por pesquisadores e fotógrafos brasileiros com o auxílio de tecnologias de ponta. O que são geoglifos? Geoglifos são formas escavadas na terra, como quadrados, retângulos e círculos, datadas de até três mil anos. No Brasil, o estado do Acre já conta com o primeiro geoglifo oficialmente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No Amazonas, foram identificados 124 pontos com possíveis estruturas semelhantes. Segundo o presidente do Instituto Geoglifos da Amazônia, Alceu Ranzi, as datações apontam para ocupações entre mil anos antes de Cristo até mil anos depois de Cristo. Achados impressionantes O principal achado na região é um geoglifo com cerca de mil metros de extensão. As estruturas, com aproximadamente cinco metros de largura por até seis metros de profundidade, revelam conhecimentos técnicos avançados em geometria por parte das antigas civilizações que habitaram a região do rio Purus e rio Madeira. “O estudo dos geoglifos reconta a história da nossa civilização”, afirmou o diretor executivo do Instituto, Hudson Ferreira. Tecnologia LIDAR e expedição aérea A identificação das estruturas só foi possível por meio da tecnologia Light Detection and Ranging (LIDAR), que permite escanear o terreno sob a cobertura florestal, gerando mapas de alta resolução. As imagens foram captadas durante sobrevoos que partiram de Porto Velho, com participação de três fotógrafos: Valter Calheiros (Parintins-AM), Maurício de Paiva (SP) e Diego Gurgel (Rio Branco-AC). “Levantávamos às 3h para estar prontos na pista de pouso às 4h30, com decolagem prevista para às 5h23”, relatou Ranzi, destacando a escolha do horário para favorecer a visualização dos relevos com o contraste de luz e sombra. Educação, turismo e preservação As descobertas não encerram a pesquisa, mas abrem uma nova fase. O Instituto já prepara ações de educação patrimonial e escavações arqueológicas. Escolas de Boca do Acre e região serão incluídas no projeto para aproximar estudantes e professores dos conhecimentos sobre os geoglifos. O Instituto também pretende solicitar o reconhecimento dos sítios como patrimônio cultural protegido por lei. O objetivo é evitar intervenções e promover a preservação desses vestígios milenares. Segundo a superintendente do Iphan-AM, Beatriz Calheiro, é fundamental conciliar o desenvolvimento com a proteção do patrimônio cultural: “É possível viver em harmonia com o patrimônio cultural e o desenvolvimento, principalmente na nossa região amazônica”, afirmou. Rumo ao reconhecimento mundial As expectativas da equipe envolvem o reconhecimento dos geoglifos como Patrimônio Mundial da Humanidade. A ideia é que essas estruturas façam parte do currículo escolar brasileiro, ocupando o espaço hoje dominado por civilizações como as do Egito ou Mesopotâmia. “Esperamos que, num futuro breve, as imagens estejam nas cartilhas. Que nos livros não tenham só as pirâmides do Egito, mas também as nossas relíquias do povo da Amazônia”, declarou Alceu Ranzi. Veja abaixo as imagens inéditas dos geoglifos em Boca do Acre: Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Diego Gurgel Geoglifo localizado em Boca do Acre — Foto: Valter Calheiros Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Valter Calheiros Geoglifo localizado em Boca do Acre — Foto: Diego Gurgel Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Valter Calheiros Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Diego Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Valter Calheiros Imagens inéditas de geoglifos no sul do AM — Foto: Valter Calheiros Imagens inéditas de geoglifos no Sul do Amazonas — Foto: Valter Calheiros Imagens inéditas de geoglifos no sul do AM — Foto: Valter Calheiros
Festival de Cannes 2025 | Filme iraniano leva Palma de Ouro; confira vencedores
A noite de premiação do Festival de Cannes 2025 consagrou o Brasil como um dos grandes destaques da edição. O longa O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu os prêmios de Melhor Direção e Melhor Ator, com uma performance aclamada de Wagner Moura. Além disso, a produção brasileira foi amplamente reconhecida pela crítica internacional, recebendo o Prêmio FIPRESCI e o Prix des Cinémas Art et Essai, reforçando sua força junto aos jurados e consolidando sua presença entre os filmes mais marcantes do festival. A Palma de Ouro foi para A Simple Accident, do cineasta iraniano Jafar Panahi, em uma premiação marcada por forte impacto político e social. Confira os vencedores: Competição Oficial : Palma de ouro – “A Simple Accident”, de Jafar Panahi; Melhor Direção: Kleber Mendonça Filho, por O Agente Secreto Melhor Ator: Wagner Moura, por O Agente Secreto Melhor Atriz: Yui Suzuki, por Renoir Grand prix – “Sentimental Value”, de Joachim Trier; Prêmio Especial do Júri – “Ressurreição”, de Bi Gan; Prêmio do Júri – Mascha Schilinski, por “Sound of Falling”; Sirât, de Olivier Laxe Melhor Roteiro: Young Mothers, dos irmãos Dardenne (Bélgica) Menção Especial: My Father’s Shadow, de Akinola Davies Jr. Curta-metragem Palma de Ouro: I’m Glad You’re Dead Now , de Tawfeek Barhom; Menção Especial, curta-metragem: Ali, de Adnan Al Rajeev; Melhor atriz – Nadia Melliti, por The Little Sister. Outros prêmios Também nesta edição do Festival de Cannes, o filme brasileiro ganhou o prêmio da Crítica. O anúncio foi publicado no Instagram da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (Fipresci). Esse prêmio, no entanto, não faz parte da lista oficial – a categoria foi criada por críticos de forma paralela. “O Agente Secreto” também levou o prêmio o “Art et Essai”, dos exibidores independentes da França. Sobre a premiação O Cannes funciona da seguinte maneira: Un Certain Regard : Melhor Filme: The Mysterious Gaze of the Flamingo, de Diego Céspedes (Chile) Melhor Direção: Tarzan e Arab Nasser, por Once Upon a Time in Gaza Melhor Performance: Cléo Diara (I Only Rest in the Storm) e Frank Dillane (Urchin) Prêmios paralelos já divulgados: Prêmio FIPRESCI (crítica internacional): O Agente Secreto Prix des Cinémas Art et Essai: O Agente Secreto Câmera de Ouro (Melhor Estreia): The President’s Cake, de Hasan Hadi (Iraque) Melhor Curta-Metragem: I’m Glad You’re Dead Now, de Twafeek Baron (Reino Unido) Premiação Cinef (filmes estudantis): Primeiro lugar: First Summer, de Heo Gayoung (Coreia do Sul) Segundo lugar: 12 Momentos Antes da Cerimônia do Hastear da Bandeira, de Qu Zhizheng (China) Terceiro lugar (empate): Ginger Boy, de Miki Tanaka (Japão) e Winter in March, de Natalia Mirzoyan (Estônia) Veja lista dos 22 filmes que concorreram a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2025: “The Mastermind”, da americana Kelly Reichardt – A história do roubo de obras de arte com a guerra do Vietnã como pano de fundo e o movimento feminista. “Sound of falling”, da alemã Mascha Schilinski – Um drama que reúne quatro mulheres de quatro gerações diferentes em uma propriedade rural. “Two prosecutors”, do ucraniano Sergei Loznitsa – Um filme ambientado na União Soviética dos anos 1930, durante os expurgos stalinistas. “Dossier 137”, do francês Dominik Moll – Um filme policial sobre uma inspetora que enfrenta as consequências de um protesto em que um jovem foi ferido por um tiro dos agentes. “Sirat”, do espanhol Oliver Laxe – Um road movie, protagonizado por Sergi López. “La petite dernière”, da francesa Hafzia Herzi – A atriz e diretora adapta livremente o romance homônimo de Fatima Daas, que narra a história da filha mais nova de uma família de migrantes argelinos, que pouco a pouco se emancipa de sua família e suas tradições. “Eddington”, do americano Ari Aster – Um filme sobre um xerife de uma pequena cidade do Novo México com grandes aspirações. O elenco tem Joaquin Phoenix, Pedro Pascal e Emma Stone. “Renoir”, da japonesa Chie Hayakawa – Um drama sobre o amadurecimento, a resiliência, o poder de cura da imaginação e uma família traumatizada que lutando para se reconectar. “Nouvelle Vague”, do americano Richard Linklater – Um filme sobre as filmagens de “Acossado” (1960) de Jean-Luc Godard. “Die, My Love” de la británica Lynne Ramsay – Um thriller sobre uma jovem que acaba de ser mãe e cai em depressão. O elenco inclui Jennifer Lawrence e Robert Pattinson. “O Agente Secreto”, do brasileiro Kleber Mendonça Filho – Um thriller político ambientado no final dos anos 1970, durante a ditadura militar brasileira, protagonizado por Wagner Moura. “O Esquema Fenício”, do americano Wes Anderson – Uma comédia de espionagem protagonizada por várias estrelas de Hollywood, como é habitual em suas produções, incluindo Benicio Del Toro, Tom Hanks, Bill Murray, Scarlett Johansson e Mia Threapleton, filha de Kate Winslet. “Les Aigles de la République”, do egípcio Tarik Saleh – Prestes a perder tudo, o ator mais famoso do Egito aceita interpretar o papel de presidente em um filme biográfico em sua homenagem, apesar do risco envolvido. “Alpha”, de Julia Ducournau – Quatro anos depois de conquistar o maior prêmio de Cannes com “Titane”, a diretora francesa apresenta sua nova obra com Golshifteh Farahani e Tahar Rahim, a história de uma menina que enfrenta a epidemia de aids nos anos 1980. “A Simple Accident”, de Jafar Panahi – O diretor iraniano, perseguido pelo regime dos aiatolás, não quis antecipar destalhes de seu novo filme. “Fuori”, do italiano Mario Martone – Um filme biográfico sobre a atriz e escritora italiana Goliarda Sapienza. “Romería”, da espanhola Carla Simón – A diretora, vencedora do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2022 por “Alcarràs”, narra a viagem familiar de uma jovem catalã à Galícia após perder os pais para a aids, o mesmo drama que Simón viveu quando era criança. “The History of Sound”, do sul-africano Oliver Hermanus – Durante a Primeira Guerra Mundial, dois jovens decidem registrar as vidas, vozes e a música de seus compatriotas americanos. Filme protagonizado por Paul Mescal e Josh O’Connor. “Sentimental Value”, do norueguês Joachim Trier – Trier repete a parceria com a atriz Renate Reinsve (“A Pior
Indígenas do Amazonas processam o ‘New York Times’ por reportagem que os acusa de vício em pornografia
A comunidade indígena Marubo, localizada no Vale do Javari, no coração da Amazônia brasileira, entrou com um processo judicial contra três grandes veículos de comunicação dos Estados Unidos: o jornal The New York Times e os portais TMZ e Yahoo. A ação, protocolada em um tribunal de Los Angeles, pede pelo menos 180 milhões de dólares (cerca de R$ 1 bilhão) por danos morais e difamação. Com cerca de 2 mil membros, o povo Marubo alega que foi retratado de forma ofensiva e sensacionalista após publicações sobre sua relação com a internet via satélite. A primeira reportagem: exposição e polêmica Em junho de 2024, o chefe do escritório do New York Times no Brasil, Jack Nicas, publicou uma reportagem sobre como a tribo Marubo estava lidando com o acesso à internet via Starlink, serviço de satélite do bilionário Elon Musk. O texto apontava algumas dificuldades enfrentadas com a chegada da tecnologia: “adolescentes grudados aos celulares, grupos de bate-papo cheios de fofocas, redes sociais viciantes, estranhos online, videogames violentos, golpes, desinformação e menores vendo pornografia”. O repórter também escreveu que “jovens estavam compartilhando vídeos explícitos em conversas em grupo, um acontecimento impressionante para uma cultura que desaprova beijos em público”. Segundo o processo, essa abordagem transmitiu a ideia de que os Marubo seriam “uma comunidade incapaz de lidar com a exposição básica à internet” e “consumida pela pornografia”, o que foi entendido como um ataque direto à moralidade, ao caráter e à posição social do povo. O texto afirma: “As declarações não eram somente de difamação, mas transmitiam ao leitor que o povo Marubo tinha pouca moral”. Além disso, os advogados da tribo alegam que, embora Jack Nicas tenha sido convidado a passar uma semana na aldeia, ele permaneceu por menos de 48 horas — tempo considerado insuficiente para compreender ou retratar respeitosamente a realidade local. A polêmica se intensificou com a repercussão feita por outros portais. O TMZ, por exemplo, publicou o título: “A conexão de Elon Musk com a Starlink deixa uma tribo remota viciada em pornografia”, o que os Marubo apontam como uma amplificação ainda mais sensacionalista do conteúdo original. O Yahoo também foi citado na ação como responsável por essa distorção. 1º reportagem do”The New York Times” — Foto: Reprodução/página do The New York Times A segunda reportagem: tentativa de correção Diante da repercussão negativa, o New York Times publicou uma segunda matéria com o título: “O povo Marubo não é viciado em pornografia”. O texto afirmava que a tribo não é viciada nesse tipo de conteúdo e que “não havia nenhuma informação que sugerisse isso no artigo do New York Times”. No entanto, essa nova publicação não satisfez a comunidade indígena. No processo, os Marubo alegam que, em vez de um pedido de desculpas ou uma retratação formal, o jornal apenas tentou minimizar a ênfase dada no texto original, transferindo a responsabilidade pelas interpretações negativas para os outros veículos que repercutiram a história. A ação judicial levanta questões sobre os limites da cobertura jornalística internacional, a responsabilidade na construção de narrativas sobre povos tradicionais e os danos causados por representações distorcidas ou superficiais. Procurado pela agência Associated Press, o New York Times respondeu que se trata de “uma leitura imparcial deste artigo” e afirmou que pretende se defender contra o processo. Até o momento, TMZ e Yahoo não se pronunciaram sobre o caso. 2º reportagem do Jack Nikas — Foto: Reprodução/página do “The New York Times”
Festival de Parintins e bois Garantido e Caprichoso são homenageados com Ordem do Mérito Cultural
O Festival Folclórico de Parintins e os bois-bumbás Garantido e Caprichoso foram homenageados, nesta terça-feira (20), com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC), a mais alta honraria concedida pelo Governo Federal ao setor cultural. A cerimônia, realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, e marcou a retomada da premiação, suspensa desde 2019. Reconhecido como uma das maiores manifestações culturais do país, o Festival de Parintins foi celebrado como símbolo da diversidade, resistência e riqueza artística da Amazônia. A homenagem contemplou tanto o espetáculo quanto as entidades que o tornam possível: os bois Garantido e Caprichoso, representados, respectivamente, por seus presidentes Fred Góes e Rossy Amoedo. “É uma felicidade enorme o Boi Garantido ser agraciado pela OMC. Esse é um reconhecimento à cultura popular, para que todos valorizem sua potencialidade e diversidade”, declarou Fred Góes, que destacou ainda a importância do prêmio para a visibilidade nacional do festival. Rossy Amoedo, presidente do Boi Caprichoso, também celebrou a conquista como um marco para os artistas e trabalhadores da cultura de Parintins. “Parintins alcança lugares cada vez mais especiais através da arte. Dedico essa medalha a todos os nossos artistas, profissionais, fazedores e fazedoras de cultura. Isso aqui é mérito de todos vocês”, afirmou. A cerimônia celebrou ainda os 40 anos de criação do Ministério da Cultura e teve como tema “Democracia e Cultura”, ressaltando o papel das manifestações populares na construção de uma sociedade plural e democrática. Para a ministra Margareth Menezes, os homenageados representam “uma força vital para a cultura brasileira e têm papel insubstituível na construção de políticas públicas para a arte e para o patrimônio cultural do país”. A Ordem do Mérito Cultural, criada em 1995, é entregue a personalidades, instituições e expressões artísticas que contribuem para a formação da identidade nacional. Neste ano, ao homenagear o Festival de Parintins e seus bois, o Governo Federal reconhece não apenas a beleza e grandiosidade do espetáculo, mas a força coletiva de um povo que transforma tradição em arte e cultura viva.
Cheia dos rios no AM deixa 28 municípios em emergência e afeta mais de 260 mil pessoas
O número de municípios em situação de emergência no Amazonas devido à cheia dos rios subiu para 28, segundo o Painel de Monitoramento Hidrometeorológico da Defesa Civil do Estado, atualizado nesta sexta-feira (23). Mais de 260 mil pessoas são afetadas diariamente, enfrentando dificuldades de locomoção, perdas na produção rural e inundações em suas casas. Historicamente, a cheia na região começa na segunda quinzena de outubro, com o fim da seca, que em 2024 registrou níveis recordes no estado. A previsão é que o cenário se mantenha. Segundo o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, as nove calhas dos rios amazonenses devem permanecer em cheia até, pelo menos, junho. Na última atualização, cinco municípios foram reclassificados do estado de alerta para emergência: Carauari, às margens do Rio Juruá, Fonte Boa, no Rio Solimões, Itapiranga e Urucurituba, banhados pelo Rio Amazonas, e Nova Olinda do Norte, no Rio Madeira. Confira a lista dos 28 municípios que estão em situação de emergência: Além dos municípios em emergência: Segundo o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, dois fenômenos explicam o aumento no volume dos rios em comparação a 2024: “No início de 2025, tivemos a atuação do La Niña, que resfria as águas do Pacífico Equatorial. Isso aumenta a intensidade das chuvas na região. Como coincidiu com nosso período chuvoso, desde fevereiro, toda a bacia amazônica registrou volumes de chuva acima do normal”, explicou o pesquisador. Cheia já afeta mais de 209 mil pessoas no Amazonas. — Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica Impactos na produção rural O município de Benjamin Constant, localizado na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, é um dos mais afetados pela cheia dos rios. Desde março, parte da orla da cidade está submersa e muitas casas às margens do Rio Javari, afluente do Solimões, também. Já são quase 21 mil pessoas afetadas diretamente pela cheia do rio nas zonas urbana e rural, o que representa cerca de 45% da população do município. Na zona rural, agricultores perderam praticamente toda a produção. É o caso da agricultora Ana Luzia, que cultiva hortaliças. “Nós ‘plantava’ couve, repolho, alface, cheiro verde, temos também mandioca plantado, e tudo foi levado pela água. Há dois anos que não alagava e esse ano foi levando tudo”, relatou. O maracujá, um dos principais alimentos cultivados no município, também acumula perdas de produção. O excesso de água prejudica o cultivo do maracujá, faz as folhas e o caule secarem e os frutos não se desenvolverem por completo “É um prejuízo que a gente não pode nem calcular, porque se não alagasse, eu ia ficar colhendo dois anos tranquilo, só fazendo o termo de podar”, disse o agricultor Juarez Lima.


