Com o curral Zeca Xibelão completamente lotado, o Boi Caprichoso empolgou e emocionou a nação azul no lançamento do álbum “É Tempo de Retomada”. O show azul e branco celebra as melhores toadas do Festival 2025 e presenteia o torcedor com uma pequena mostra do espetáculo que será apresentado no Bumbódromo. Foi um dia de festa, iniciado pela manhã com passagem de som, seguido do hasteamento do pavilhão azul à tarde, e encerrado com o espetáculo, que reuniu um elenco de aproximadamente 700 pessoas entre (CDC, Troup, Raça Azul, Marujada, banda, vaqueirada, etc.), produção, itens e equipes de iluminação, sonorização, logística e apoio. Foram semanas de ensaio, preparação e organização. Um espetáculo que envolveu todos os setores do bumbá. O presidente Rossy Amoedo fez questão de agradecer o empenho e a dedicação de todos ao projeto.“A palavra que tenho para essas pessoas é gratidão. Eles são nosso combustível: a Raça, a Marujada, nossos brincantes, Troup, CDC. É preciso ter um olhar ainda mais humano para essas pessoas que se doam pelo Caprichoso. Só tenho a agradecer por essa dedicação total ao boi”, destacou. O Curral Zeca Xibelão, em Parintins, foi o palco para a festa azulada Sucesso O sucesso da festa começou bem antes do início do show. Os ingressos esgotaram 10 horas antes da apresentação, demonstrando a grandiosidade do evento azul e branco, que foi transmitido ao vivo pelo canal oficial do bumbá no YouTube e também pela TV A Crítica, sendo um dos assuntos mais comentados na internet. O tripa do Boi Caprichoso, Alexandre Azevedo, parabenizou a organização da festa e a grande participação da nação azul e branca.“É um projeto novo e tradicional do boi. Ao mesmo tempo em que nos propomos a retomar as tradições, também analisamos e consideramos todas as questões contemporâneas, todas as realidades atuais em que a Amazônia, e o boi Caprichoso inserido nela, se encontram”, revelou. Apoteótico, o Caprichoso apresentou um show dinâmico, abrilhantado pelas performances empolgantes dos itens individuais feminino e masculino. Uma festa que extrapolou o palco e emocionou o torcedor caprichoso.“Nós preparamos um espetáculo muito lindo para a nossa nação azul e branca, e o Caprichoso sempre entrega tudo. Nosso torcedor nunca espera menos do que o melhor. Fizemos o nosso melhor, uma apresentação digna da nossa galera azul e branca”, contou a cunhã-poranga Marciele Albuquerque. Dia dos Povos Originários O Touro Negro também aproveitou a ocasião para celebrar o Dia dos Povos Indígenas O Caprichoso é um boi de lutas e escolheu fazer a festa no dia 19 de abril, quando se celebra o Dia dos Povos Originários, num ato de reconhecimento e homenagem aos verdadeiros donos desta terra. Durante a programação, vários momentos fizeram alusão à data, como nas apresentações da cunhã-poranga Marciele Albuquerque e do pajé Erick Beltrão.“É uma data importante, e fico feliz em ver o Caprichoso sempre levantando a bandeira dos nossos povos indígenas”, disse Marciele. A luta dos povos ancestrais também é uma luta do Boi Caprichoso. O tema é amplamente discutido em diversas ações do bumbá, bem como na arena do Bumbódromo.“O Caprichoso vem levantando essa bandeira, dando as mãos aos povos originários para mostrar, além de um espetáculo, a luta por meio da arte, das toadas, dos rituais e também através das representatividades que ele carrega e traz para a arena e para Parintins”, ressaltou a indígena Gilvana Borari, membro do Conselho de Arte. Autoridades e Incentivos Autoridades políticas estiveram presentes no evento, como o vice-governador do estado, Tadeu de Souza; a deputada estadual Mayra Dias; o prefeito de Parintins, Mateus Assayag; o ex-prefeito Bi Garcia; o secretário executivo de Cultura do estado, Luiz Carlos Bonates; além de ex-presidentes do bumbá. A festa de lançamento do álbum foi apresentada pelo Ministério da Cultura, Governo do Estado do Amazonas e Boi Caprichoso, com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Coca-Cola Brasil, Mercado Livre, Esportes da Sorte, Brahma, Bradesco, Assaí Atacadista, Eneva, Azul Linhas Aéreas, Natura, Bemol, Gree, VIVO e Samel. Também apoiam o evento a MANÁ Produções, Info Store, Prefeitura Municipal de Parintins, Amazonastur e a emissora oficial do Festival, A Crítica, além da Rádio FM O Dia. O projeto Boi Caprichoso – É Tempo de Retomada conta com fomento da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, do Governo Federal.
Problema antigo e ignorado: biólogo expõe exploração de animais silvestres durante turismo em Manaus
Um vídeo publicado pelo biólogo Vinícius Ferreira, dono do canal “Papo de Biólogo”, tem causado grande repercussão nas redes sociais. Com mais de 200 mil seguidores, Vinícius fez um alerta contundente sobre uma prática comum e silenciosamente aceita por muitos turistas que visitam a região amazônica: a exposição e o uso de animais silvestres para fotos em passeios turísticos, especialmente nos arredores de Manaus. De acordo com o biólogo, muitos desses animais — como jacarés, preguiças, macacos e araras — são capturados diretamente da natureza, mantidos em cativeiro e utilizados como atrativos fotográficos. Ele relata casos de animais dopados, aves com as asas cortadas, e até macacos presos de forma cruel em árvores para que estejam “prontos” para o momento da foto com os visitantes. Vinícius também denuncia que, em muitos casos, as chamadas “comunidades indígenas” apresentadas aos turistas nem sequer são aldeias autênticas. Segundo ele, há agências de turismo que montam estruturas falsas e contratam pessoas — muitas vezes sem qualquer vínculo com povos originários — para se vestirem com trajes típicos e encenarem rituais com o objetivo de atrair turistas. “Esses povos indígenas que oferecem os animais silvestres pra vocês tirarem foto nem são povos indígenas de verdade, não seguem sua tradição, não seguem sua cultura”, afirma o biólogo no vídeo. Ele destaca ainda que seu objetivo não é atacar a causa indígena, mas sim denunciar o uso cruel dos animais e o turismo predatório. “Não estou me metendo em pautas indígenas. A minha questão aqui são os animais e a exploração que eles sofrem nas mãos de pessoas — ribeirinhos ou não — que capturam esses bichos, maltratam e transformam em atrativos turísticos.” Vinícius diz conhecer profundamente a região amazônica e o funcionamento de muitas dessas agências, pois atua na área há mais de dez anos. Ele é criador da Expedição Amazônia, projeto que organiza viagens conscientes para a floresta desde 2017. Segundo ele, o verdadeiro contato com a cultura indígena e com a natureza só é possível por meio de experiências autênticas, como a visita à comunidade dos Tatuyos, no Alto Rio Negro — comunidade da qual ele próprio afirma se sentir parte, após anos de convivência e imersão. Turismo predatório: problema antigo e ignorado Além das denúncias feitas por Vinícius, é importante destacar que essa é uma prática antiga em Manaus e em outras regiões da Amazônia. A atividade é amplamente conhecida — e, de certa forma, tolerada — por agências de turismo, turistas e até por órgãos públicos. Não é raro que o próprio guia informe aos turistas, antes da chegada aos locais, que haverá oportunidade para fotos com animais silvestres — deixando a decisão final a critério de cada um. No entanto, é preciso deixar claro: essa prática é crime ambiental. Ribeirinhos e indígenas envolvidos também têm consciência disso, mas se beneficiam de brechas legais e da falta de fiscalização. Há relatos de prisões, mas os envolvidos são, frequentemente, soltos poucos dias depois. Os animais, por sua vez, são tratados como mercadoria. Sucuris, jacarés, preguiças e outros são retirados da floresta e mantidos em condições precárias: caixas de isopor, papelão, presos em cordas. Ficam sem comida e sem água até estarem fracos o suficiente para não oferecerem risco aos turistas. Por isso, nas fotos, é comum ver os bichos inertes, com aparência debilitada — muitos em estado de quase morte. Após morrerem, são rapidamente substituídos por outros, em um ciclo cruel e aparentemente sem fim. E quem fará algo por esses animais? A denúncia do biólogo reacende uma discussão urgente: até quando essa realidade será ignorada em nome do turismo? Quem está disposto a romper com esse ciclo de sofrimento animal, mesmo que isso signifique repensar o modelo turístico atualmente praticado na Amazônia? A conscientização, como propõe Vinícius, é um primeiro passo. Mas é preciso que autoridades, órgãos ambientais e a própria sociedade civil se mobilizem para proteger o que há de mais valioso na floresta: sua vida.


